sexta-feira, 24 de maio de 2019

IGREJA. QUEM SE IMPORTA?



Seria estranho, muito estranho. Causaria espanto e pavor se avistássemos à nossa frente um pé ou uma mão vagando por aí com vida própria, um membro cuja existência só tem sentido no corpo para o qual foi criado, buscando viver à revelia desse corpo. Nesse caso, os interesses desse membro autônomo seriam distintos dos interesses do restante do corpo, a começar peça cabeça. 

Assim deveria pensar cada crente ao projetar sua vida à parte da igreja, pois a igreja é o corpo de Cristo.  É também a família de Deus. O apóstolo Paulo nos ensina na Epístola aos Efésios que a igreja, assembleia dos santos, foi planejada pelo Criador na eternidade. “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça” (Ef 1.3-6a).

Como bem expôs o Rev. Hernandes Dias Lopes num de seus sermões, “a igreja é o povo chamado do mundo para ser propriedade exclusiva de Deus. É o povo separado do pecado para viver em santidade, tirado das trevas para ser luz entre os povos. A igreja é o templo da habitação de Deus, a noiva do Cordeiro, a coluna e baluarte da verdade. A igreja de Deus transcende a qualquer denominação, cultura ou fronteira geográfica. Ela é composta de todos aqueles que foram salvos em Cristo, em todos os lugares, em todos os tempos, dentre todos os povos. Não há salvação fora dessa igreja. Por isso, falamos da igreja visível e da igreja invisível. A visível é composta de pessoas convertidas e não convertidas. Na igreja visível há trigo e joio. Mas, na igreja invisível só estão arrolados aqueles que foram lavados no sangue do Cordeiro, cujos nomes estão escritos no livro da vida”[1].

A igreja ocupa uma posição privilegiada no propósito de Deus ao mesmo tempo em que é desprezada pela cultura humanista. A igreja é perseguida, negligenciada e afrontada de todas as formas. Ainda assim, “as portas do inferno não prevalecem contra ela” (Mt 16.18).  Mas quem se importa com a igreja, ou melhor, quem verdadeiramente pensa em si a partir do todo que é a igreja? Mil explicações são dadas por aqueles que querem Deus, mas não querem a igreja. Estes buscam uma vida alijada do corpo, o que apenas atesta a necessidade de uma real conversão, pois esquecem-se de que na sua segunda vinda Cristo resgatará seu corpo e não membros autônomos.

Daí a importância de afirmar que a igreja local, necessariamente, tem de ser bíblica; isto é, que prega a palavra, corrige, repreende e exorta mediante a sã doutrina. Há crentes que rejeitam a igreja por esta razão e, ao fim, entregam-se às verdades que lhe parecem mais convenientes, confirmando assim que apenas seus próprios interesses é que importam.


Soli Deo Gloria!  

[1] Trecho do sermão “A suprema importância da igreja”, de 31/05/09.