terça-feira, 23 de abril de 2019

CRISTOFOBIA


por Pr. Delmo Fonseca*


No último Domingo de Páscoa, 21 de abril, mais de 300 cristãos foram covardemente massacrados no Sri Lanka. Os terroristas do grupo ISIS (Estado Islâmico) já reivindicaram a autoria do ataque, embora muitos políticos e jornalistas continuem fingindo que não sabem quem cometeu tais atrocidades.

O cinismo da esquerda americana, leia-se Partido Democrata, chegou a tal ponto que figuras como Hillary e Obama sequer usaram o termo “cristãos” para se referir às vítimas do atentado. Antes, preferiram recorrer ao politicamente correto a fim de não melindrar os algozes e chamaram os atingidos de “adoradores da Páscoa”. 

Se uma parte da sociedade ficou perplexa com tamanha brutalidade, outra parte reagiu com regozijo. A Fundação Mundasir Media, uma organização islâmica pró-Isis, divulgou um cartaz que celebrava os ataques do Sri Lanka. Uma das fotos de uma das igrejas atacadas ostentava a seguinte legenda: “Feliz Páscoa aos cristãos traidores de Jesus (Alehi Asalam): Aqui está a vossa recompensa”. 

O Islamismo é apresentado pela grande imprensa como a “religião da paz”, de modo que o politicamente correto enquadra como “islamofobia” qualquer menção contrária. Confira estas suras e tire suas próprias conclusões:
“Nós lançaremos terror nos corações dos infiéis, dos que não creem em Alá. E o seu refúgio será o fogo, e miserável é a casa dos transgressores”
Alcorão (3: 151)


"E prepara contra eles tudo o que sejas capaz de armas e de corcéis de guerra para atacares os inimigos de Alá e teus inimigos e outros que nem conheces, mas que Alá conhece".
Alcorão (8:60)


Paz, onde está a paz? Muitos dirão que “não se pode tomar o todo pela parte”, mas ao mesmo tempo podemos argumentar que não é necessário tomar toda a sopa para conhecermos seu sabor, basta uma colher. A verdade é que o mundo fecha os olhos para a perseguição aos cristãos. Somente nos últimos dias de março, doze igrejas foram profanadas na França e um padre foi esfaqueado no Canadá durante uma missa. Segundo o professor e filósofo Andre Assi Barreto**, “não importa qual seja o dia do ano, o grupo mais perseguido no mundo, não são os negros, nem as mulheres, nem os muçulmanos. São os cristãos! Diariamente são assassinados, enterrados vivos e acometidos de tantas outras atrocidades inimagináveis exclusivamente por seguirem a Cristo”.

Eram cristãos a maior parte das vítimas do atentado no Sri Lanka. Homens, mulheres e crianças que um dia vislumbraram a vida eterna prometida nos evangelhos. Eis o consolo: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33).

Que toda a Igreja de Cristo experimente essa paz.
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* O Pr. Delmo Fonseca prega todos os domingos na Comunidade Cristã Graça e Vida, Piedade/RJ – uma igreja de fé reformada.
**Autor de "Saul Alinsky e a Anatomia do Mal" (ed. Armada, 2019)

sexta-feira, 19 de abril de 2019

COELHINHO DA PÁSCOA, O QUE FIZESTE POR MIM?



por Pr. Delmo Fonseca*

Certamente você se lembra desta cantiga popular, sempre entoada para as crianças na época da Páscoa. A canção pergunta ao coelhinho quantos ovos ele trouxe desta vez... se um, dois ou três; se as cores são azul, vermelho ou amarelo... 
Tradição à parte, o que impressiona é o fato de tantos crentes embarcarem na “onda” do coelhinho a ponto de se angustiarem por não terem condições de presentear seus filhos com ovos de chocolate.

Todo ano é assim: uns tantos seguem o coelhinho e alguns poucos seguem o Cordeiro. Para ilustrar essa reflexão, apresento duas histórias: a primeira é uma fábula e se destina às “crianças” na fé; a segunda, aos experimentados na Palavra.

PRIMEIRA:

Era uma vez um vilarejo encantado, localizado nas terras germânicas, onde todos os anos as crianças festejavam o começo da primavera. A razão desta alegria é que a estação das flores marcava a volta do sol depois de um longo inverno. Sendo assim, os dias e as noites voltavam a ter a mesma duração, o que possibilitava o cultivo da terra novamente.

Para tanto era preciso homenagear Eostre ou Ostara, que na mitologia anglo-saxã era a deusa da fertilidade e do renascimento, também conhecida como deusa da Aurora[1]. De seus cultos pagãos originou-se a palavra ostern (em alemão) e easter (em inglês) que se traduz por páscoa.

Na Alemanha, os festejos eram simbolizados por coelhos e ovos, todos denotando a fertilidade e o ressurgir da vida. Diz a lenda que certo dia, Ostara se encontrava sentada em um jardim cercada de crianças, quando um pássaro voou sobre estas e depois pousou em sua mão. Imediatamente, por meio de algumas palavras mágicas, Ostara transformou o pássaro em um coelho, seu animal favorito. As crianças ficaram maravilhadas, mas com o passar do tempo elas perceberam que o pássaro transformado em coelho não estava feliz. As crianças pediram a Ostara que revertesse o encantamento, o que ela tentou sem sucesso.

Ostara decidiu esperar até que o inverno passasse, pois sabia que nesta estação o seu poder diminuía. Talvez, na primavera, a restauração fosse possível, o que certamente alegraria as crianças e o próprio pássaro. Assim que a primavera chegou suas forças foram renovadas e ela desfez o encantamento.

Em agradecimento, o pássaro botou ovos em homenagem a Ostara. No entanto, para celebrar sua liberdade e em gratidão às crianças, que tinham pedido a restauração de sua forma original, o pássaro pediu que fosse transformado em coelho novamente a fim de pintar os ovos e distribuí-los pelo mundo.

Moral da primeira história: associar a páscoa a um coelho e ovos coloridos é simplesmente uma prática pagã.

SEGUNDA:

O nome Páscoa vem da palavra hebraica pessach que significa “passar por cima”. A Páscoa era celebrada no primeiro mês do calendário judaico (março/abril). Esta celebração comemora a libertação do povo do Egito, sob a liderança de Moisés.
Depois da libertação o acontecimento foi marcado entre as grandes festas religiosas de Israel, fazendo parte da Lei Cerimonial do Antigo Testamento. Cada família sacrificava um cordeiro na véspera da Páscoa.

Para essa festa, todos os que podiam se deslocavam até Jerusalém. Para os judeus, a celebração da Páscoa era – e ainda é – uma celebração em família. O cardápio simbolizava diferentes aspectos da escravidão no Egito e do êxodo. E cada ano se recontava a história de como o anjo de Deus “passou por cima” das casas dos israelitas, deixando-os com vida, na noite em que foram mortos os primogênitos do Egito.

Três elementos simbólicos lembravam aos participantes o evento da libertação: as ervas amargas, os pães asmos, isto é, pães sem fermento, e o cordeiro imolado. Hoje, por ocasião da Páscoa, somente os samaritanos ainda sacrificam cordeiros como nos velhos tempos. Os judeus deixaram de fazê-lo quando os romanos destruíram o templo em 70 d.C.

Sabemos que Jesus, à semelhança de um cordeiro, foi morto durante a celebração da Páscoa em Jerusalém. Antes de sua morte, porém, como todos os demais judeus, o Senhor comeu o cordeiro pascal com seus discípulos e determinou aos mesmos que passassem a comer pão e beber vinho em memória dele, em vez de celebrarem a Páscoa. O pão e o vinho simbolizam seu corpo e seu sangue, dados pelos pecados de muitos.

A Páscoa é essencialmente uma festa judaica, de modo que para os cristãos o sacrifício único de Jesus, como o cordeiro de Deus, propiciou vida eterna aos que de antemão foram eleitos pelo Pai. Os cristãos comem pão e bebem vinho em memória de Cristo, e o fazem não somente no período da Páscoa, mas durante o ano todo.

A data mais importante para o cristão é o Domingo da Ressurreição, pois se Cristo não tivesse vencido a morte e ressuscitado, a celebração em sua memória não teria sentido, valeria menos do que um ovo de chocolate.

Talvez seja pelo fato de ignorar a ressurreição de Cristo e suas implicações, que muitos sequer se lembram do Cordeiro de Deus que foi imolado. Antes, como “crianças” na fé, preferem seguir o coelhinho e cantarolarem: “Coelhinho da Páscoa que trazes pra mim?”.

Já os experimentados na Palavra sabem que o símbolo bíblico para a páscoa é o cordeiro imolado. O profeta Isaías prenunciou: “... Como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a sua boca” (Is 53.7). O apóstolo Paulo ratificou: “... Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado” (ICor 5.7).

Moral da segunda história: ao contrário do coelhinho da fábula, o Cordeiro pascal trouxe vida e paz para todos nós.
Soli Deo Gloria!

*Comunidade Cristã Graça e Vida no Rio de Janeiro - uma igreja bíblica e de fé reformada.




[1] BILLSON, Charles. The Easter Hare. Folk-Lore. v. 3, n. 4, 1892.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

OS CRENTES ESQUERDISTAS E AS MIGALHAS QUE CAEM DA MESA DO PT




por Pr. Delmo Fonseca

Não é segredo para ninguém o fato de que a ideologia socialista procura sempre se reinventar a fim de realizar a famigerada revolução.  Porém, nas palavras do stalinista Carlos Marighella, há quatro princípios a serem observados[1]:

1.   o dever de todo revolucionário é fazer a revolução;
2.   não pedimos licença a ninguém para praticarmos atos revolucionários;
3.   só temos compromisso com a revolução;
4.   só agimos por meios revolucionários.

 Ao que parece, esse também é o mote dos crentes esquerdistas... “só temos compromisso com a revolução”.

E foi pensando na revolução que o PT recentemente promoveu o “1º Encontro de Evangélicos e Evangélicas do Partido dos Trabalhadores”, com o tema “O fenômeno religioso e as consequências políticas na sociedade brasileira: análises, estratégias e ações”[2]A intenção aqui não é analisar as incongruências e os discursos nonsenses a respeito dos paralelos traçados entre Cristo e Marx, mas pontuar o próprio evento em si.

Retornemos a Carlos Marighella que no seu discurso intitulado “A Religião, o Estado, a Família”[3], utiliza lentes marxistas para interpretar a seguinte perícope: “Pois mais fácil é passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus” (Lucas 18.24-25).  Eis o contorcionismo hermenêutico de Marighella: “O problema levantado por Jesus não era o do rico ser mau, nem o do rico não ser religioso, mas, precisamente, o fato do rico ser rico, do rico ser explorador.”

É precisamente por meio destas mesmas lentes que os crentes esquerdistas procuram enxergar a realidade. Sendo assim, não causa espanto ver tais crentes bradando “Lula Livre!” num evento petista.  Recai sobre os crentes esquerdistas a suspeita de que estes também fazem parte do contingente de “idiotas úteis” proposto por Lenin, senão vejamos: "Usaremos o ‘idiota útil’ na linha de frente. Incitaremos o ódio de classes. Destruiremos sua base moral, a família e a espiritualidade. Comerão as migalhas que caírem de nossas mesas. O Estado será Deus."

É triste saber que há crentes comendo migalhas que caem da mesa do PT, cujo deus é o Estado e, Lula, seu profeta.



[1]  “Pronunciamento do Agrupamento comunista de São Paulo”, in: Escritos de Carlos Marighella, p. 134.
[2] Evento promovido pelo Partido dos Trabalhadores, dias 5 e 6 de abril de 2019, em São Paulo.
[3] Discurso pronunciado na sessão de 4 de julho de 1946, na Assembleia Constituinte, por ocasião da discussão do projeto constitucional.  Fonte: Problemas - Revista Mensal de Cultura Política nº 2 - Setembro de 1947.