A ESCRITURA NOS ENSINA COERÊNCIA




por Marcia B. Fonseca


Coerência vem do latim cohaerentia – coesão.  Diz-se que um indivíduo é coerente quando ele tem senso de lógica e quando há coesão entre suas ideias e atos, entre seu discurso e seu agir. Incoerência é então, quando o discurso é cheio de contradições, dúvidas e desconexões, logo seus atos tenderão à instabilidade e à fantasia.
 
Pesquisas apontam que adolescentes que têm baixo senso de coerência apresentam problemas de saúde mental. Assim, a tendência à depressão, ansiedade e problemas psicossomáticos são comuns neste grupo de indivíduos. Ao contrário, os jovens com alto índice de coerência apresentam melhor qualidade de vida, não aderem com facilidade ao consumo de álcool e drogas e enfrentam melhor as situações adversas, as doenças, os momentos difíceis da vida adulta e até situações limite como períodos de desemprego, carências, até guerras. 

A coerência capacita o indivíduo ao enfrentamento e à adaptação ao lidar com a adversidade. Compreender a situação, manejar adequadamente os recursos disponíveis para ultrapassar os obstáculos, e ter a certeza de que a vida apresenta um sentido e um propósito são características comuns aos indivíduos coerentes. A coerência traduz o senso de realidade do indivíduo, enquanto a fantasia revela falha no senso de coerência. É o que acontece com pessoas que tendem a gastar o que não podem, tendem a aparentar o que não são, a fazer o que não conseguem. 

Deus, como Pai Excelente, ensina a seus filhos a coerência. Observe que a ortodoxia bíblica abrange a ortopraxia, ou seja, é fundamental para a vida do crente tanto aprender a doutrina correta, quanto viver de acordo com a Palavra. Para ficar bem claro: tanto a doutrina correta, quanto o viver corretamente são essenciais e totalmente inseparáveis para o verdadeiro filho de Deus. E esse é o ensino coerente do próprio Cristo. 
          
Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (Jo 8.31-32).

Temos que ter em mente o grande tesouro que chega até nós pela primazia do ensino correto.  Será este o ensino que se traduzirá no alicerce para o comportamento correto. Viver na retidão é fruto da fé autêntica e não o contrário.  Até as ações mais piedosas, se incoerentes com a Verdade, não fazem parte de um viver genuíno em Cristo, ao contrário, traduzem a hipocrisia dos que se acham bons diante de Deus. Segundo  MacArthur Jr. “as ações piedosas destituídas do amor verdadeiro pela verdade nem mesmo fazem parte de uma ortopraxia genuína. Ao contrário, são a pior forma de justiça própria hipócrita.”[i]

Nós somos a igreja, portanto devemos lutar para que a coerência entre a Palavra de Deus que ouvimos e aprendemos, a fé que exercemos, as palavras que pensamos e proferimos e os atos que praticamos sejam coerentes.
 
Convido os pais, líderes de suas famílias, e mães, auxiliadoras desses líderes, a ensinarem a coerência para seus filhos. Lembrando que crianças aprendem menos pelas palavras que ouvem e mais pelos atos que veem. É importante que crianças e jovens estejam na igreja ouvindo a Palavra ensinada corretamente, aprendendo a se portarem de forma coerente, tanto no culto, quanto na vida, exemplificados por seus pastores, lideres, pais e mães. A palavra da verdade sempre estará em oposição às trevas das heresias e das mentiras. Pense nisso!




[i] MACARTHUR, John, A Guerra pela Verdade, SP: Fiel, 2016.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Reflexão da Semana

POBRES DE ESPIRITO - SÉRIE: "AS BEM-AVENTURANÇAS" - PARTE 1

OS QUE CHORAM - SÉRIE "AS BEM-AVENTURANÇAS" - parte 2