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Mostrando postagens de Dezembro, 2018

DE SONHOS E PROMESSAS

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por Delmo Fonseca  Há um verso da poeta chilena Gabriela Mistral, que resume o mote do nosso texto: “todos nós temos duas vidas: a com a qual sonhamos e a que somos obrigados a viver ...” Em outras palavras, nos situamos numa zona fronteiriça onde realidade e fantasia se tangenciam. Por que o simples ato de andar com os “pés no chão” é, para muitos, menos atraente do que andar com a “cabeça nas nuvens”? Ou melhor: por que muitos preferem a fantasia à realidade? A resposta é simples: a realidade nos mantêm despertos, enquanto a fantasia nos lança num estado sonambúlico. A realidade, sob vários aspectos, ora se apresenta árdua e hostil, ora amena e tranquila. Por ser árida na maioria das vezes, provoca em muitos o desejo de fuga. Daí o fato de que fugir da realidade é quase sempre a alternativa mais viável para quem prefere a leveza da fantasia. Até mesmo o salmista, diante de uma série de infortúnios, se viu tentado a escapar da realidade: “O meu coração está acelerado

POR QUE VOCÊ QUER SABER?

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  [marcia b. fonseca] “O homem é escravo do que fala e dono do que cala. Quando Pedro me fala de João, sei mais de Pedro do que de João” [S. Freud] Sou neta de uma catalã que me ensinou grandes lições.   Uma delas merece destaque neste meu escrito. Lá vai: “quem muito quer saber, mexerico quer fazer”.   Não sei se você já passou pela experiencia de estar ao lado de alguém que te crava de perguntas. É muito desagradável. Até porque você não é obrigado a dividir com ninguém algo somente seu.   Ao longo destes anos lidando com pessoas, sei o quanto é difícil, muitas vezes dolorido, para alguém falar algo que lhe machuca, ou machucou no passado.   Feridas doem, às vezes sangram, nem sempre cicatrizam definitivamente.   Sem sombra de dúvida, quem muito pergunta é no mínimo insensível, algumas vezes indiscreto; outras, inconveniente.   Vale também analisarmos aqui os motivos de alguém querer saber tanto de um outro – saber e falar. Os “comentários” nunca são inocentes e é bom

TUDO É VAIDADE?

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[marcia b. fonseca] Fausto, de Goethe, centraliza o tema da insuficiência – não importa a experiência, ela é insuficiente.   Pobre homem que não crê na suficiência de Deus.   Flaubert em “A Tentação de Santo Antão” conta que o santo, após resistir às investidas do demônio, o faz desistir.   O penitente, de joelhos, agradece a Deus, em seguida se vangloria de ter finalmente se tornado um santo. O demônio volta - “fostes vaidoso”.     Grande questão humana: Vaidade.   O orgulho está inserido no contexto humano desde sua criação, quando Adão come da árvore do conhecimento.   Assim começa a humanidade.   De curiosidade em curiosidade, desobedecemos a Deus.   De vaidade em vaidade somos enredados às teias da fantasia por acreditar sermos mais do que somos.   “Como você caiu dos céus, ó estrela da manhã, filho da alvorada! Como foi atirado à terra, você, que derrubava as nações!” (Is 14.12). O problema é sabermos a medida de nosso narcisismo.   Explico: uma vez um alun

IGREJA NÃO É UM CLUBE

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por    Vinicius Musselman* Muitos de nós pensamos em membresia de igreja da mesma forma que o mundo pensa em um clube, e isso é mundanismo na sua vida. Nós pensamos em membresia de igreja como algo opcional, como se alguém que fosse genuinamente cristão e maduro pudesse simplesmente se comprometer a não amar ninguém, a viver uma vida sem amor ao próximo. Quando Paulo escreve Efésios, em Efésios 1:15, ele reconhece a fé daqueles crentes por duas coisas: a fé que há entre vocês no Senhor Jesus e o amor para com todos os santos. Não fale pra mim que você ama Deus, que você não vê, se você não ama nem sua igreja que você vê. Não fale pra mim que você vai dar sua vida para Deus em serviço, se você não faz nada na sua igreja local. Membresia de igreja é um pacto que nós estabelecemos diante de Deus e dos nossos irmãos, de amar sacrificialmente como Cristo, aquela igreja local em particular. Ao nos desgastarmos em servi-los, ao suar em amá-los, é onde nós obedecemos