quinta-feira, 8 de novembro de 2018

FÉ E EQUILÍBRIO



por Delmo Fonseca |

"Ele não permitirá que teus pés vacilem; 
aquele que te guarda não se descuida."
Sl 121.3



Pés vacilantes produzem desequilíbrio no corpo. O andar manco denuncia esse desajuste.  Há casos em que um simples passo, para quem sequer pode ficar de pé,  já se faz motivo de muita alegria. A Bíblia narra no livro dos Atos dos Apóstolos (3.1-8), que “Pedro e João subiam juntos ao templo à hora da oração, a nona.  E era trazido um homem que desde o ventre de sua mãe era coxo, o qual todos os dias punham à porta do templo, chamada Formosa, para pedir esmola aos que entravam. O qual, vendo a Pedro e a João que iam entrando no templo, pediu que lhe dessem uma esmola. E Pedro, com João, fitando os olhos nele, disse: Olha para nós. E olhou para eles, esperando receber deles alguma coisa. E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda. E, tomando-o pela mão direita, o levantou, e logo os seus pés e artelhos se firmaram. E, saltando ele, pôs-se em pé, e andou, e entrou com eles no templo, andando, e saltando, e louvando a Deus.”

Esse episódio nos coloca na direção do entendimento que queremos compartilhar: à semelhança de um corpo claudicante, nossa alma também carece de ajustes a fim de darmos passos firmes no caminho que conduz à vida. Pedro e João tinham plena certeza de quem eram e a quem serviam. Pedro, ao falar com o homem que lhe pediu esmola, respondeu: “Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda. E, tomando-o pela mão direita, o levantou, e logo os seus pés e artelhos se firmaram.”  A promessa de vida consiste em termos passos firmes se quisermos seguir a Cristo.

Uma fé que titubeia não consegue se manter de pé. Pode-se dizer que uma fé claudicante, manca, faz a pessoa tropeçar ante o menor obstáculo. Era contra esse tipo de fé que o profeta Elias lutava: "Então se chegou a todo o povo, e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu" (1 Reis 18.21).
Elias queria que o povo tomasse uma posição, não ficasse em “cima do muro”, pois sabia que um pensamento dividido levaria ao insucesso. Da mesma forma esse raciocínio se aplica à graça de Deus. Não se pode acolher a graça como visão teológica e na prática desconsiderar o sacrifício vicário e perfeito de Cristo, “porque pela graça somos salvos, por meio da fé; e isto não depende de nós, é dom de Deus. Não depende das nossas obras, para que ninguém se glorie”(Ef 2.8-9).

Em suas cartas, o apóstolo Paulo nos assegura que é por meio da graça que firmamos nossa fé.  Não há mais espaço para o mérito próprio revestido de religiosidade. “Porquanto, se é pela graça, já não o é mais pelas obras; caso fosse, a graça deixaria de ser graça”.

A graça  firma nossos passos ao nos dar segurança, ao nos colocar sem véu diante de uma realidade espiritual denominada “reino de Deus”. Não há meio termo, não se poder servir a Deus e a homens, não se pode buscar o reino de Deus e ao mesmo tempo depositar as esperanças no reino dos homens. A razão de muitos de nós não vislumbrarmos uma vida de alegria e paz está no pensamento trôpego, na fé vacilante. “Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa. O homem de coração dobre é inconstante em todos os seus caminhos” (Tg 1.7-8). Um coração dobre pode ser entendido como uma mente dividida, que produz pensamentos difusos, emoções dúbias e incertezas.

O nosso Deus e Pai, em comunhão com o Filho e o Espírito Santo, nos convida a uma renovação de pensamento onde o medo dê lugar à fé, pois sem fé é impossível agradá-lo. Com seu amor eterno, Deus nos acolhe em seus braços, sara nossas feridas e renova nossas esperanças de modo que esta seja nossa oração: "Restabelecei as mãos descaídas e os joelhos trôpegos; e fazei caminhos retos para os nossos pés, para que não se extravie o que é manco, antes seja curado" (Hb 12.12-13).

Soli Deo Gloria!

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