quarta-feira, 10 de outubro de 2018

O MANTRA DOS PAPAGAIOS

por Delmo Fonseca|
 
‘Nunca antes na história deste país’ os apedeutas se mostraram tão arrogantes. O uso indiscriminado da palavra fascista por aqueles que sequer sabem o que é fascismo, gera a ilusão de que estão do lado do “bem”, enquanto o outro propaga o discurso do “ódio”.  Quem reage aos ideais totalitários da esquerda é fascista; quem usa as cores da bandeira do seu país é fascista; quem combate a ideologia de gênero é fascista; quem defende os valores da família é fascista; quem defende a autoridade dos pais é fascista; quem assume sua identidade de cristão é fascista; quem se opõe ao retorno dos quadrilheiros ao comando da nação é fascista; quem defende o liberalismo econômico também é fascista. Em outras palavras, aquele que não reza na cartilha do “politicamente correto” reforça a fila dos fascistas. Eis a constatação: pouca gente sabe exatamente o que diz quando usa essa expressão.

Sabe-se também que dos termos popularizados na política, o fascismo é um dos mais imprecisos. Segundo o Dicionário histórico dos fascismos e do nazismo[i], “não existe nenhuma definição universalmente aceita do fenômeno fascista, nenhum consenso, por menor que seja, quanto à sua abrangência, às suas origens ideológicas ou às modalidades de ação que o caracterizam”. Sendo assim, por que os esquerdistas vociferam “fascistas, fascistas” sem ao menos saber o que significa? A resposta é simples: o termo se presta ao insulto. Na falta de argumento, insulta-se.

Para entendermos o fenômeno fascista, melhor é entendermos o que se opõe ao fascismo. Este é antiliberal, isto é, o liberalismo é seu inimigo mortal. Benito Mussolini[ii] considerava o liberalismo uma espécie de “religião desconhecida”, que ao dominar o século XIX, devia ser superado a fim de dar lugar ao fascismo no século XX. No entender de Mussolini a liberdade individual, econômica, política, religiosa e intelectual em oposição à tutela do Estado, apresentava uma grande ameaça. Não por acaso, seu lema era: “Tudo para o Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado”. Ou seja: o Estado é um deus.

Não é estranho o fato de os defensores do totalitarismo estatal vir a público acusar os adeptos do liberalismo de “fascistas” e “pregadores do ódio”? Não, não há nada de estranho nessa atitude. Uma frase erroneamente atribuída a Winston Churchill, porém correta em sua conclusão, afirma que “os fascistas do futuro chamariam a si mesmos de antifascistas”. Esse futuro chegou. Outros aspectos do fascismo como o populismo e o autoritarismo são temas para outro texto. Por hora, o que devemos compreender é que de tempos em tempos os verdadeiros fascistas surgem e ensinam um novo mantra aos papagaios de plantão: “curupaco, curupaco, fascista, racista, machista!”

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Notas:

[i] Serge BERSTEIN et Pierre MILZA, Dictionnaire historique des fascismes
et du nazisme, Bruxelles, Éditions Complexe, 1992.

[ii] Benito Mussolini (1883-1945) foi um político italiano.  Líder do Partido Fascista, fundado
em 1919, no final da Primeira Guerra Mundial.

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