quinta-feira, 30 de agosto de 2018

GUERRA DE NARRATIVAS: O EVANGELHO EM TEMPO DE ‘FAKE NEWS’




por Delmo Fonseca*

Há um abismo entre uma boa notícia e um factoide. Ideias falsas têm se espalhado pelo mundo atestando que a mentira possui pernas longas, ao contrário do que supõe o imaginário popular. Desde o princípio, o Inimigo disputa com Deus o domínio da linguagem. De que maneira? Apresentando outras narrativas. A Bíblia nos dá vários exemplos, a começar por esta ordem dirigida a Adão: “De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.16b-17). Em oposição a esta ordem, outra voz se levanta: “a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis” (Gn 3.4).

Ao longo de toda a Escritura nos deparamos com Satanás propondo uma outra narrativa, seja de maneira explícita por meio de seus agentes ou influenciando quem aparentemente pareça estar acima de qualquer suspeita. No evangelho de Mateus 16.21-23, Jesus Cristo adverte seus discípulos sobre a necessidade de seguir para Jerusalém, enfrentar os religiosos, morrer e ressuscitar no terceiro dia. Tão logo termina de falar, Pedro lhe chama à parte, começa a reprová-lo, dizendo: “Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá”. O que este sugeria? Uma outra narrativa. “Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens”. Jesus conhecia a verdadeira identidade daquele que influenciara Pedro.

Desta forma percebemos que nos tempos atuais esta guerra se acirrou. Há quem considere que estamos na era da “pós-verdade”, em que as emoções e as crenças pessoais pesam mais do que os fatos objetivos. Sendo assim, a subjetividade, a verdade de cada um substitui a veracidade. Tudo isso gera efeitos colaterais, de modo que em alguns casos não sabemos se estamos diante de uma notícia verdadeira ou uma ‘fake news’. Não se engane: o diabo mente desde o princípio.

A guerra de narrativas é travada entre o mundo, que jaz no maligno,  e a igreja de Cristo. Em contraposição às boas novas da salvação, há outra palavra que diz “... não é bem assim”. A olhos vistos, testemunhamos parte da igreja visível adotando uma narrativa que nega a infalibilidade e a inerrância das Escrituras, a exclusividade da graça e a soberania de Deus. Ou seja: a verdade de cada um também se tornou uma premissa válida em muitos círculos nominalmente cristãos. Daí a diversidade em vez da unidade da fé: “cristãos comunistas”, “cristãos feministas”, “cristãos destemplados”, “cristãos reteté”, “cristãos ecumênicos”. De que lado estes estão nessa guerra?

Há muitas batalhas sendo travadas no campo das ideias. Uma nova narrativa quer se impor no tocante à questão de gênero, ao valor da vida de um embrião, à autoridade dos pais sobre os filhos. Por esta razão o cristão deve se preparar cada vez mais, pois o mal não descansa. A palavra da verdade precisa ser exposta, o evangelho tem que ser anunciado, as trevas precisam ser combatidas. A narrativa verdadeira já nos foi revelada: criação, queda, redenção e consumação. Cabe a nós combatermos o bom combate. “Pois, embora vivamos como homens, não lutamos segundo os padrões humanos. As armas com as quais lutamos não são humanas; ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo.” (2Co 10.3-5)


Soli Deo Gloria!




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