quinta-feira, 2 de agosto de 2018

CREPÚSCULO DO MACHO?



por Delmo Fonseca* |

Há quem afirme que o fim dos tempos já se anunciou, ao menos para os homens. Dito de outra maneira, o fim da “masculinidade hegemônica” está com seus dias contados. Ou: está em curso o declínio do macho. Ou, como bradam as feministas, “abaixo o patriarcado”. As tantas expressões, no fim, apenas demonstram os sinais dos tempos. Aos olhos da cultura, ser homem ou mulher, ser macho ou fêmea são questões que assumem contornos relativistas em seus significados. São constructos sociais meramente humanos, demasiadamente e tão-somente humanos. E em se tratando da masculinidade, como a cultura a apresenta?  Grosso modo, fala-se hoje de “masculinidades”, isto é, maneiras múltiplas de ser homem.

No entanto, sob esse guarda-chuva “genérico” um modelo de masculinidade é rechaçado, qual seja, o homem bíblico. Esse adjetivo causa repulsa às mentes conformadas com este mundo. Bíblico, o que é isso? O espanto se intensifica quando esse termo pressupõe uma masculinidade ancorada na Lei Moral de Deus. Lei, que lei? Definitivamente esse homem é tido como persona non grata, o típico macho chauvinista, opressor e dominador.

Segundo a cultura, o mundo já não comporta mais esse “macho”, que de maneira altiva, competitiva e agressiva tem perpetuado a violência de geração em geração ao apregoar que homem não chora, não fala de seus medos e inseguranças, prefere o azul ao rosa etc.  Como antídoto, as mentes conformadas com este mundo defendem que uma das soluções para a existência de uma sociedade menos violenta consiste em tornar os meninos mais sentimentais, emotivos e sensíveis, ou seja, é preciso feminizá-los. Para tal, a educação dos meninos deverá levar em conta a pluralidade dos novos tempos. Segundo a UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas), “o processo de educação dos meninos com reações de agressividade, sob o argumento de que ‘isso é para ele aprender a ser homem’ pode promover estilos de vida violentos e autodestrutivos”. Resumindo: a ONU acredita que os meninos precisam ser reeducados a fim de apagar qualquer traço de virilidade, que segundo a entidade é uma expressão de machismo.

E quanto à masculinidade segundo a Bíblia? Como a definimos? Embora esta questão exija uma análise mais profunda, o que vai além das delimitações desse espaço, podemos adiantar que somente as Escrituras nos revelam o verdadeiro significado do que é ser homem. A ideologia de gênero “vende” uma ideia falsa a respeito do macho, associando-o ao homem rude, que ao faltar-lhe a força do argumento recorre ao argumento da força. Esse homem “brucutu”, estereotipado por personagens como Khal Drogo, de Game of Thrones, Brutus, Tarzan, Rambo, Chuck Norris e outros, em nada se aproxima do que a Bíblia ensina sobre virilidade.

É por meio da Palavra de Deus que aprendemos o que significa ser homem e mulher, macho e fêmea. O significado que o Criador dá à sua criação é absoluto, não atende ao desejo humano de se autodeterminar, ou seja, o verdadeiro significado das coisas consiste na determinação de Deus. A Bíblia diz em Gênesis 1.27 que “Deus criou os seres humanos à sua imagem, à imagem de Deus os criou: macho e fêmea os criou”. Nessa passagem a palavra “macho” é traduzida da palavra hebraica zakar, que significa “aquele que se lembra”. Em vez de significar “aquele que domina”, “aquele que é forte” ou “aquele que é poderoso”, o Senhor determinou que o verdadeiro macho é aquele que se lembra. Ao se lembrar do Senhor, o homem transmite à sua família o sentido da vida. Com o advento da queda, aquele que foi designado para lembrar, perdeu-se em si mesmo e se esqueceu de Deus. No entanto, a misericórdia do Senhor teve seu ápice em Cristo, a despeito da importância da Lei de Moisés. Em Cristo o significado da masculinidade foi restaurado, pois em todo o tempo o Filho se lembrou do Pai.

A considerar o que a Bíblia ensina sobre o verdadeiro significado da masculinidade, constatamos que o crepúsculo, o declínio do macho aventado pela cultura, diz respeito ao falso conceito de macho, o que em nada corresponde a zakar. E como saber se aos olhos de Deus o homem é realmente homem? Eis a resposta:
“Quando se aproximava o dia de sua morte, Davi deu instruções ao seu filho Salomão:  Estou para seguir o caminho de toda a terra. Por isso, seja forte e seja homem.  Obedeça ao que o Senhor, o seu Deus, exige: ande nos seus caminhos e obedeça aos seus decretos, aos seus mandamentos, às suas ordenanças e aos seus testemunhos, conforme se acham escritos na Lei de Moisés; assim você prosperará em tudo o que fizer e por onde quer que for” (1Rs 2.1-3). 

Soli Deo Gloria!

Delmo Fonseca é pastor da Comunidade Cristã Graça e Vida no Rio de Janeiro, uma igreja bíblica e de fé reformada. Ele tratará desse tema em palestra programada para o dia 11 de agosto às 16 horas, na sede da CCGV – Av. Dom Helder Câmara, 7962 – Piedade/RJ.

Mais informações pelo WhatsApp 99566-5276 (somente mensagens).

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