quarta-feira, 18 de julho de 2018

DEIXEM NOSSAS CRIANÇAS EM PAZ


por Delmo Fonseca |

A cultura humanista é um rio caudaloso e de tempos em tempos suas águas rompem as barreiras que o margeiam. Na prática, estas barreiras são compostas por leis e costumes. À semelhança de Cícero, que bradou “O tempora! O mores!” ("Ó tempos! Ó costumes!), diante da constatação da decadência moral e dos costumes dissolutos de Roma, podemos soltar um brado ainda mais retumbante, pois os costumes do nosso tempo fazem os de Roma parecerem pueris. Aliás, um dos diagnósticos dessa decadência aponta para o neopaganismo. Os “deuses” modernos têm sido objeto de culto e adoração por parte daqueles que ignoram o evangelho da cruz, que por natureza é contracultural.

A cultura cristã consiste num sistema de valores que se opõe frontalmente ao “espirito da época” (zeitgeist), o rio caudaloso que que tudo arrasta. Um exemplo desse embate se encontra no campo da moralidade, especificamente no que diz respeito aos limites das ações humanas. Por estar mergulhada num relativismo moral, a cultura humanista reivindica uma liberdade irrestrita para o ser humano, ou seja, “toda forma de amor vale a pena”, até mesmo a pedofilia.

E ao tratarmos desse tema, cabe lembrar que a luta pela descriminalização da pedofilia, depois das campanhas em prol da legalização das drogas e do aborto, será o assunto em pauta da agenda humanista. O que para muitos se apresenta como novidade, há tempos vem sendo orquestrado por grupos privados e ONGs a fim de que esta perversão seja vista apenas como uma “preferência sexual”. É o que defende, desde 1978, a NAMBLA - North American Man/Boy Love Association (traduzível como Associação Norte-Americana do Amor entre Homens e Garotos). Para esta entidade, adultos podem manter relações sexuais com crianças sem nenhum prejuízo, desde que sejam consentidas.

Atente para este grave fato: caso a descriminalização da pedofilia se torne uma realidade, ainda que num futuro distante, nossas crianças estarão completamente desprotegidas. No entanto, esse futuro parece estar mais próximo do que imaginamos. Se antes a pedofilia era, de antemão, um delito sexual, a partir da edição do DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), esta parafilia, cujo foco envolve atividade sexual com uma criança pré-púbere, passou a ser tão-somente um transtorno. O que mudou? O pedófilo deixa de ser um abusador contumaz, do tipo “prende e joga a chave fora”, para se tornar mais uma “vítima” da fatalidade. Ainda que a ciência demonstre que tal mal seja incurável, o “coitado” deverá ser encaminhado para tratamento psicológico; afinal, ele não tem culpa de se sentir atraído por crianças. “O tempora! O mores!”

Por meio do evangelho, a cultura cristã confronta esse espirito maligno que insiste em atacar nossos pequenos. Não há trégua. A Palavra de Deus registra a importância das crianças no plano da redenção: “Mas, vendo os principais sacerdotes e os escribas as maravilhas que Jesus fazia e os meninos clamando: Hosana ao Filho de Davi!, indignaram-se e perguntaram-lhe: Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?” (Mt 21.15,16).

Em termos práticos, devemos estar atentos às ações dos legisladores, pois cabe a nós, cidadãos, fiscalizar e pressionar o parlamento com a finalidade de manter a sociedade ancorada em valores que beneficiem a todos. As leis não podem ser fruto de uma pressão advinda de uma minoria que ignora o Criador, mas resultado da vontade da maioria. Não podem ser forjadas por novelas, ideologias materialistas ou pensamentos ateístas. As estatísticas provam que no Brasil os cristãos são a maioria. Assim, a cultura humanista deverá ser apenas mais um rio... um rio a correr limitado por suas margens.

Soli Deo Gloria!

Nenhum comentário:

Postar um comentário