quinta-feira, 14 de junho de 2018

HOMENS DA MAIOR FIRMEZA



 por Delmo Fonseca |

Uzias reinou em Jerusalém durante 52 anos e boa parte de sua vida andou retamente diante do Senhor: "Porque deu-se a buscar a Deus nos dias de Zacarias, entendido nas visões de Deus: e nos dias em que buscou ao Senhor, Deus o fez prosperar" (2Cr 26.5). Mas tempos depois Uzias se envaideceu e entrou no templo para queimar incenso no altar do Senhor, o que não lhe competia fazer. No entanto, o sacerdote Azarias, acompanhado de outros oitenta sacerdotes, “homens da maior firmeza”, entraram após o rei a fim de resistirem a seu intento”: “A ti, Uzias, não compete queimar incenso perante o Senhor, mas aos sacerdotes, filhos de Aarão, que são consagrados para queimar incenso; sai do santuário, porque transgrediste; e não será isto para honra tua da parte do Senhor Deus” (2Cr 26.18). Indignado, Uzias ousou seguir em frente, porém a mão de Deus pesou sobre ele no mesmo instante: “A lepra lhe saiu à testa perante os sacerdotes, na casa do Senhor, junto ao altar do incenso” (2 Cr. 26:19).

Embora o texto nos dê a possibilidade de analisá-lo por diversos prismas, importa-nos refletir sobre a expressão “homens da maior firmeza”. A Bíblia mostra que Azarias e os demais sacerdotes eram homens incomuns, ou seja, eram homens corajosos o suficiente para confrontar a autoridade de um rei que se tornara soberbo. A história também nos mostra que as grandes conquistas foram empreendidas por “homens da maior firmeza”. Os patriarcas, os profetas, os apóstolos, os pais da Igreja e os reformadores foram “homens da maior firmeza”. Com firmeza é possível suportar as provações e tentações, enfrentar as adversidades, sustentar as mais diversas frustrações.

Mas hoje, à luz da “ditadura do politicamente correto”, o que é um “homem da maior firmeza”? É inegável que o homem pós-moderno, forjado pela ideologia de gênero, orgulha-se do fato de ser um indivíduo esvaziado de virilidade, ou seja, um homem não necessariamente macho. A esse fenômeno atribui-se a pecha de “outras” masculinidades. Um exemplo desse “novo” homem foi constatado na Europa tempos atrás, onde se esperava que as mulheres fossem defendidas por seus companheiros da onda de ataques sexuais por parte de imigrantes criminosos; todavia o que se viu foi um contingente de maridos e namorados protestando de saia e exigindo bons modos de indivíduos perversos. Esses homens não andariam um dia na companhia de Josué e Calebe, que eram “homens da maior firmeza”.

Já do ponto de vista espiritual, compreende-se também que um “homem da maior firmeza” é aquele que primeiramente se submete ao senhorio de Cristo (At 8.37), ama sua esposa (Ef 5.25), cria seus filhos na disciplina e instrução do Senhor (Ef 6.4), zela por sua família (Js 24.15), afasta-se do mal e busca a paz (1Pe 3.11).

Ao contrário do rei Uzias, que começou bem a sua carreira e naufragou no final, o “homem da maior firmeza” não busca autossuficiência, antes crê que a graça de Deus lhe basta (2Co 12.9). Por esta razão não confunde masculinidade com rudeza, nem virilidade com agressividade. O “homem da maior firmeza”  busca ser reconhecido como um homem segundo o coração de Deus; firme, inabalável e sempre abundante na obra do Senhor” (1Co 15.58). Que em Cristo Jesus confirmemos sempre estas qualidades.

Soli Deo Gloria!





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