sábado, 5 de maio de 2018

QUANDO A GRAÇA NOS ABRAÇA



por Delmo Fonseca|

Quem ousaria duvidar da força da natureza? Se por um lado podemos desfrutar de sua serenidade; por outro, testemunhamos sua fúria. A dinâmica da natureza consiste num movimento de autorregulação, que inevitavelmente afeta o que estiver em seu caminho. Fenômenos como furacões, tornados, vulcões em erupção, tsunamis, enchentes e queimadas são exemplos corriqueiros e incontroláveis. A natureza simplesmente ignora os planos e projetos humanos. Somente o Senhor a controla: “Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Mc 4.41).

Quando o ser humano vive inteiramente sob o domínio da natureza, seus atos correspondem aos da própria natureza. Assim como um pássaro ou um peixe, que não fazem outra coisa senão viver em função de suas necessidades, o homem natural vive em função de seus apetites. Nesse caso, a eternidade não faz parte dos seus planos. O que lhe interessa é satisfazer-se no presente, aqui e agora. Será que um hipopótamo pensa no amanhã? Assim é todo aquele que vive segundo o ritmo da natureza: Ora sereno, ora em terrível fúria.

Aos desavisados é sempre bom lembrar que o mundo segue o ritmo da natureza, onde os mais fortes subjugam os mais fracos, com o agravante de que o humano é o único ser natural que se compraz com a violência. A impressão que se tem é que a fúria da natureza encontra morada no coração do homem. Conflitos e guerras se multiplicam, os apetites não se saciam e a convivência se torna cada vez mais selvagem.

Como salvar-se desse mundo mau e tenebroso? Embora criados por Deus, todos os homens pecaram e destituídos foram da sua glória (Rm 3.23). Mergulhados na selvageria, moldados pela natureza em fúria, os homens só poderiam esperar pela morte. Mas Deus, rico em misericórdia, compadeceu-se de boa parte destes, não de todos. A prevalência de sua soberania tornou-se um escândalo para o homem natural, que manifesta seu furor, sua cólera, qual uma tempestade no deserto quando ouve as palavras “eleição” e “graça”. O homem natural jamais compreenderá a graça de Deus. Ele questionará, inquirirá, negará, porém não aceitará.

Em se tratando dos eleitos, a graça se faz irresistível, providencial e necessária. Em hipótese alguma tais homens poderiam se salvar por conta própria. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8). No coração destes homens o Espírito Santo comunicou vida, senso de eternidade.

Em Cristo tudo se fez novo para os escolhidos, os quais foram abraçados pela graça. Ainda que o mundo demonstre toda sua fúria, que a natureza molde os resistentes à soberania divina, os que creem em Cristo já se libertaram do seu jugo. Quando a graça nos abraça, a paz de Deus nos arrebata, seu amor nos transporta para o Reino prometido.

Soli Deo Gloria!





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