segunda-feira, 23 de abril de 2018

DIREITA OU ESQUERDA?



 por Delmo Fonseca |

O diabo é de direita ou de esquerda? Por um lado, devemos analisar se há alguma compatibilidade entre as noções de “rebelião” e “revolução”. Segundo o Aurélio, o termo “rebelião” consiste em: 1. Resistência violenta contra os agentes da autoridade ou contra a ordem de coisas estabelecidas; 2. Insurreição, revolta; 3. Insubmissão.

Em se tratando do termo “revolução”, dentre o amplo espectro de significados, o mesmo dicionário destaca: 1. Revolta, sublevação; 2. Mudança brusca e violenta na estrutura econômica, social ou política de um Estado: A Revolução Francesa; 3. Reforma, transformação, mudança completa; 4. Perturbação moral, indignação, agitação.

Sendo assim, segue-se mais uma pergunta: o intento do diabo ao se voltar contra Deus foi um ato de rebelião ou revolução?  Seria o diabo, então, o precursor da ideologia revolucionária?  Por outro lado, o diabo é capitalista ou socialista? Se for válido o pressuposto de que o indivíduo capitalista se caracteriza por viver do rendimento do capital, que se manifesta na forma de bens e dinheiro, e por isso é um gerador de desigualdades; e o socialista é aquele que prima por uma sociedade economicamente igualitária, sendo o capitalista de direita e o socialista de esquerda, concluir-se-á, neste caso, que o diabo é de direita. E muitos buscarão na Bíblia referências a fim de sustentar este argumento: “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniquidade em ti. Na multiplicação do teu comércio, se encheu o teu interior de violência, e pecaste;” (Ez 28.15,16).

Afinal, em que consiste esta polarização “direita” versus “esquerda”? Antes de mais nada, deve-se considerar que tanto um polo quanto o outro se impõem como posições ideológicas. E como tal flertam com o autoritarismo. A história registra um sem número de atentados às liberdades individuais tanto de esquerda quanto de direita, ou seja, tiranias de ambos os lados. A liberdade não é de direita, muito menos de esquerda.

A conotação política dos termos “direita” e “esquerda” nos remete ao contexto da Revolução Francesa (1789), e se baseia nos arranjos de assentos na Assembleia Nacional Constituinte da França. Os que se opunham à monarquia se sentavam à esquerda da câmara legislativa (jacobinos), ao passo que os contrários à revolução se sentavam à direita (girondinos).  É sabido que mais tarde o termo “esquerda” fora apropriado pelos revolucionários socialistas, que utopicamente acreditavam ser possível implementar no mundo, ainda que a fórceps, uma sociedade composta por “iguais”. Em contrapartida, aos oponentes desta sandice ideológica, caberia o rótulo de direitistas, reacionários, porcos chauvinistas, fascistas etc.

Mas o que esta polarização tem a ver com o atual contexto político e econômico brasileiro?  Quem são os novos “jacobinos” e “girondinos”?  Para não irmos muito longe, cabe a afirmação do próprio Karl Marx (deus dos esquerdistas), em seu livro “O 18 Brumário de Luís Bonaparte”: “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.  Ao analisar o golpe de estado dado por Luís Bonaparte, sobrinho de Napoleão, anos depois do primeiro ter transformado a França num império; Marx conclui que o golpe de Napoleão foi a tragédia, a repetição do ato por seu sobrinho fora a farsa. E o que dizer, então, deste embate entre o “nós” contra “eles”, fomentado em larga escala pelos “camaradas” e “companheiros”?  Nada mais do que uma farsa à maneira marxista.

E o cristão? É de direita ou de esquerda? O cristão não foi chamado a seguir ideologia, a andar nos extremos. O cristão é confrontado pelo evangelho e orientado a seguir a Cristo, que não é de direita nem de esquerda. O cristão é impelido a viver pela fé, a crer nas promessas, a buscar a eternidade. O cristão foi chamado a um bom combate, que é fazer com que o reino de Deus, que não é nem de direita ou esquerda, se manifeste no mundo dos homens. De que maneira? Imprimindo as virtudes, os valores de Cristo na consciência de todos, falando ao coração de todos. Com palavras apenas? Não, antes com boas obras. "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nela" (Ef 2.10).

Embora muitos crentes façam vista grossa àqueles que vivem à maneira de Judas Iscariotes (Jo12.6), fingindo defender os pobres e oprimidos, porém usando de tal artimanha para tirar da bolsa dos brasileiros o que nela é lançado, o fazem em nome de uma ideologia. É preciso lembrar que o mesmo Judas que propunha “socializar” o perfume derramado sobre os pés de Jesus, "lucrou" com a traição ao Mestre, entregando-o por trinta moedas de prata (Mt 26.15). Ora Judas se movia à esquerda, ora à direita; pois o que estava em jogo era seu próprio interesse individual falando em nome do coletivo. Eis o que Jesus afirmou sobre o discípulo revolucionário: “Não vos escolhi eu em número de doze? Contudo, um de vós é diabo. Referia-se ele a Judas, filho de Simão Iscariotes; porque era quem estava para traí-lo, sendo um dos doze” (Jo 6.70,71).

Diante do que foi exposto, cabe a última pergunta: E você? É de direita ou de esquerda?


Um comentário:

  1. Como vc concluiu o texto,o cristão não é de direita nem de esquerda. Ele é seguidor de Cristo.
    Mas a minha experiência aqui no Brasil, nos mostra a ideologia de esquerda sendo um instrumento do diabo contra a igreja.Por ela ser absoluta no país, pois não temos ideologia de direita no Brasil.(O que temos são pessoas cristã, que não baceitam a inversão de valores imposta pela esquerda.E essas pessoas são chamadas de direita.mas a única ideologia organizada partidariamente só a esquerda existe no Brasil.
    Só a favor do capitalismo como funciona nós EUA. Democracia Capitalista.

    ResponderExcluir