segunda-feira, 2 de abril de 2018

AH, CORAÇÃO ARADO!



por Delmo Fonseca |

Algumas palavras soam estranhas às novas gerações, assim como tantas outras se apresentam pouco familiares às gerações mais antigas. Embora há quem sustente que palavras sejam apenas palavras, ou seja, signos puramente formais, faz-se necessário lembrar que palavras também podem ser coisas. A palavra ARAÇÃO, por exemplo, é frequente no vocabulário de agricultores que cotidianamente lavram o solo para o recebimento de novas sementes. Aração é o processo de revolver a terra com o propósito de deixa-la pronta para o plantio.

Sendo assim, podemos traçar um paralelo com a palavra ORAÇÃO. O ato de orar também consiste nesse processo de revolver as camadas petrificadas do coração, a fim de que a semente, a Palavra de Deus, penetre e finque raízes. Os corações endurecidos são terras não aradas, sem condições de guardar e fazer prosperar as sementes. Corações secos e duros, em muitos casos, tornam-se impermeáveis à Palavra, exigindo assim, mais trabalho, mais lavração (outra palavra antiga).

Orar é, então, arar.  Todo lavrador sabe que as condições do terreno nem sempre são favoráveis. Quando oramos a Deus, suplicamos por paz e alegria; clamamos por saúde, pão e livramento do mal, de certa maneira estamos colocando as mãos no arado, preparando nosso próprio coração para a semente do Espírito se desenvolver conforme a vontade do nosso Pai celestial. As nossas lágrimas, certamente, fazem as vezes de chuva, tão necessária para irrigar o solo árido.  “Aqueles que semeiam com lágrimas, com cantos de alegria colherão. Aquele que sai chorando enquanto lança a semente, voltará com cantos de alegria, trazendo os seus feixes” (Sl 126.5,6).

Orar é arar. Corações não arados produzem espinheiros, isto é, abrigam ídolos de todos os matizes: “Lavrem seus campos não arados e não semeiem entre espinhos” (Jr 4.3). Orações provenientes de corações duros serão sempre palavras vazias, nuvens sem água, espinhos. Mas orações oriundas de corações arados denotam frutos do Espírito. “Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito” (Sl 34.18).

Orar, enfim, é arar. De um coração arado pode-se esperar frutos de alegria e paz. Insistimos em dizer: arar consiste num trabalho árduo, lavrar é sempre penoso, por isso necessitaremos da ajuda do Espírito Santo. “Orai sem cessar. Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1Ts 5.17,18).

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