quinta-feira, 12 de abril de 2018

A IGREJA É BÍBLICA



por Delmo Fonseca |

Desde o princípio o homem busca o protagonismo, a centralidade da história, tal qual uma mariposa, que ao voar em torno de uma lâmpada, supõe que a luz resplandece para ela, existe em função dela. No Catecismo Maior de Westminster aprendemos que “o fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”.  Algumas referências bíblicas corroboram esta verdade: Ap 4.11; Rm 11.36; 1Co 10.31; Sl 73.24-28 e Jo 17.21-24.

A insistência do homem em glorificar a si mesmo, ser o fim último de suas próprias ações, apenas atesta que o antropocentrismo se configura como uma teimosia, uma rebeldia contra o Criador. E o homem, que se submete apenas aos ditames de sua natureza, busca se “endeusar” a cada dia. Até nos espaços onde esse fenômeno deveria ser menos provável, a igreja, sua ambição se faz mais acentuada.

Uma igreja antropocêntrica em hipótese alguma conseguirá ser uma igreja bíblica. Temos nesse caso uma dicotomia.  Uma igreja antropocêntrica visa ao espetáculo, possui um palco e não um púlpito; impõe aos membros a obrigatoriedade de serem dizimistas e ofertantes; ensina técnicas de autoajuda e palavras motivacionais e seus líderes são coachings espirituais. Como qualquer negócio, a meta é atender a demanda do cliente. Há as que são mais refinadas e as que são mais populares, mas no fim o que impera é o antropocentrismo, a centralidade do homem.  Igrejas antropocêntricas são tão competitivas, que prometem estacionamento, manobrista, ambiente refrigerado e cafezinho, além da resolução imediata de todos os problemas.  A felicidade aqui e agora é o bem maior.

Uma igreja bíblica segue na contramão do antropocentrismo. Isso não quer dizer que seus membros dispensem o conforto mínimo, mas o foco não é esse. Uma igreja bíblica expõe a Palavra, prega sobre a salvação. A pregação expositiva coloca o pastor no seu devido lugar, qual seja, submetido às Escrituras, sem a mínima condição de subtrair ou acrescentar uma letra ao que já foi revelado. Uma igreja bíblica é essencialmente cristocêntrica, “porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas” (Rm 11.36).

Os irmãos que rejeitam uma igreja que expõe a Palavra, pois julgam ser uma igreja “com doutrina”, talvez não saibam que uma igreja bíblica é justamente aquela que ensina a sã doutrina. Uma igreja bíblica se consagra à oração e ao ministério da palavra (At 6.4). O que o apóstolo Paulo ensinou a Timóteo? “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.  Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (2Tm 4.2-4).

As igrejas antropocêntricas sentem coceiras nos ouvidos, urticária por todo corpo quando se deparam com a verdade de que a Bíblia é a única fonte de fé e prática. Daí ser mais palatável o entretenimento, seja campanha ou show gospel, óleo ungido ou água benta. Uma igreja bíblica, por outro lado, se ocupa do ensino e da aplicação da Palavra.  Como bem disse Lutero: “Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias”. Uma igreja bíblica não promete milagres, é o milagre. Por isso congregue numa igreja bíblica e não saia dela.

Soli Deo Gloria!

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