sábado, 28 de abril de 2018

SEU CORPO, SUAS REGRAS



por Delmo Fonseca

Por que o ser humano é tão refratário às normas morais? Imagine uma associação entre a “fome” e a “vontade de comer”, sendo a fome o “niilismo moral” e a vontade de comer, o “hedonismo contemporâneo”. Niilismo é um termo derivado do latim nihil, que significa “nada”. Nesse caso, para o niilista moral “nada é moral ou imoral”. Para o niilista, um Deus absoluto é impensável, logo dispensável.  Conforme concluiu Ivan Karamazov, personagem do grande Dostoiévski, “se Deus não existe, tudo é permitido”.

Já o hedonismo, desde sua concepção moderna, se configura como uma teoria que proclama o prazer como o supremo bem. O hedonista também torce o nariz para as normas morais, pois estas impõem limites à sua excessiva busca pelo prazer. Uns dirão: o que há de errado no prazer? Ora, o erro não está no prazer em si, mas no prazer como finalidade última. E sabe-se que a compulsão pelo prazer tem um nome: vício. Outros dirão: e que mal há no vício? Ora, o vício gera escravidão. Por fim, não faltará quem questione: que mal há na escravidão?

O niilismo e o hedonismo, em parte, explicam o nosso tempo e a nossa sociedade:  inexistência de pecado e prazeres ilimitados. Quem se opuser a isso ganhará a pecha de “moralista”, “antiquado”, “fundamentalista”, “conservador” etc.  Mas, retornando à pergunta inicial, por que o ser humano é tão refratário às normas morais? Por que o número de pessoas que só querem fazer o que lhes dá prazer aumenta a cada dia? Por que tanto desprezo pelas leis? Por que niilistas e hedonistas não abrem mão de viver segundo suas próprias regras?

É sabido que a palavra norma (normallis em latim) foi cunhada por carpinteiros e pedreiros romanos para designar o que conhecemos como esquadro, instrumento obrigatório numa edificação. Eles concluíram que seria impossível medir um ângulo reto sem o auxílio de um esquadro. No entanto, em vão a sociedade contemporânea busca realizar a proeza de formar pessoas retas, íntegras, sem o auxílio de um “esquadro” moral. Uma sociedade “torta” é consequência da inaptidão em seguir regras, respeitar normas. O que impressiona é que esta mesma sociedade passa a ser regida por todo tipo de regulamentos, desde um vagão exclusivo para mulheres no metrô, à multa para quem joga lixo no chão. O contraste com outras sociedades onde as normas são respeitadas é evidente: prevalece o bom senso.

Mas se a norma é um esquadro moral, quem melhor poderia nos ensinar sobre retidão senão aquele que antes de iniciar seu ministério trabalhou como carpinteiro em Nazaré? Os valores de Cristo transcendem a acepção comum que reduz o termo moral (mores em latim) a costumes. A moral cristã diz respeito a valores espirituais (leis morais) que levam o homem a uma vida reta. Não se trata de um conjunto de regras de conduta que o torna legalista, isto é, mero observador da letra fria da lei, do tipo: "Não manuseie! " "Não prove! " "Não toque! " (Cl 2.21). No entanto, compreende-se que a essência da lei é boa: “Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela se utiliza de modo legítimo, tendo em vista que não se promulga lei para quem é justo, mas para transgressores” (1Tm 1.8,9).

Qual a possibilidade de um cristão viver sem normas, ser um fora da lei? Nenhuma. O cristão não tem outra escolha senão viver sob a disciplina de Cristo. Ao cristão cabe a obediência às leis morais de Deus, as quais se baseiam na natureza do próprio Deus, que é o padrão absoluto de justiça. E ao falar de justiça, as Escrituras falam de retidão. Numa sociedade cada vez mais niilista e hedonista, em que o padrão é não ter padrão, a regra é não ter regra e a norma é não ser normal, confessar-se cristão é optar por viver na contramão do mundo. 

Por esta razão, dizer-se cristão e orgulhar-se de ser um “desigrejado” é também uma tentativa de impor suas próprias regras, em vez de se submeter ao senhorio de Cristo. “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns;” (Hb 10.25). Sabe-se que a igreja invisível, composta pelos eleitos, é o Corpo de Cristo. Segundo R. C. Sproul, “Calvino insistiu que a igreja invisível existe substancialmente dentro da igreja visível. E que a principal tarefa da igreja invisível é tornar a igreja invisível, visível.”  E as regras seguidas pelo corpo são estabelecidas pelo Senhor desse corpo, mediante a orientação do Espírito Santo. “Desse modo, quando um membro sofre, todos os demais sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se regozijam com ele. Ora, vós sois o Corpo de Cristo, e cada pessoa entre vós, individualmente, é membro desse Corpo” (1Co 12.26,27).

Observa-se também que em tempos de exacerbação do narcisismo, em que se percebe cada vez mais a exaltação do eu, a noção de um corpo orgânico se esvai. Logo, uma igreja autárquica, que busca governar a si mesma, embora visível, em nada se coaduna com a igreja invisível.    A Igreja é de Cristo, o Corpo é de Cristo... as regras que a regulam também são de Cristo.





sexta-feira, 27 de abril de 2018

PROVAÇÕES E ORAÇÕES - TEMA DO PRÓXIMO DOMINGO, DIA 29



Conforme Warren Wiersbe (teólogo norte-americano), o capítulo 12 de Atos revela-nos três garantias maravilhosas para os dias difíceis da vida.: 1) Deus vê nossas provações (At 12.1- 4); 2) Deus ouve nossas orações (At 12.5-17); e 3) Deus lida com os nossos inimigos (At 12.18-25).

quarta-feira, 25 de abril de 2018

EXPECTATIVA DA VINDA DE CRISTO




Finalmente, Cristo nos mandou celebrar a  Ceia até que Ele venha. Na sua mesa provamos o começo da alegria eterna que Ele nos prometeu.
Aguardamos com grande expectativa a abundância desta alegria no banquete do casamento do Cordeiro, quando Ele beber de novo conosco o vinho no reino de seu Pai. Regozijemo-nos, alegremo-nos e demos-lhe a glória, pois chegou a hora do casamento (Ap 19.7).


segunda-feira, 23 de abril de 2018

DIREITA OU ESQUERDA?



 por Delmo Fonseca |

O diabo é de direita ou de esquerda? Por um lado, devemos analisar se há alguma compatibilidade entre as noções de “rebelião” e “revolução”. Segundo o Aurélio, o termo “rebelião” consiste em: 1. Resistência violenta contra os agentes da autoridade ou contra a ordem de coisas estabelecidas; 2. Insurreição, revolta; 3. Insubmissão.

Em se tratando do termo “revolução”, dentre o amplo espectro de significados, o mesmo dicionário destaca: 1. Revolta, sublevação; 2. Mudança brusca e violenta na estrutura econômica, social ou política de um Estado: A Revolução Francesa; 3. Reforma, transformação, mudança completa; 4. Perturbação moral, indignação, agitação.

Sendo assim, segue-se mais uma pergunta: o intento do diabo ao se voltar contra Deus foi um ato de rebelião ou revolução?  Seria o diabo, então, o precursor da ideologia revolucionária?  Por outro lado, o diabo é capitalista ou socialista? Se for válido o pressuposto de que o indivíduo capitalista se caracteriza por viver do rendimento do capital, que se manifesta na forma de bens e dinheiro, e por isso é um gerador de desigualdades; e o socialista é aquele que prima por uma sociedade economicamente igualitária, sendo o capitalista de direita e o socialista de esquerda, concluir-se-á, neste caso, que o diabo é de direita. E muitos buscarão na Bíblia referências a fim de sustentar este argumento: “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniquidade em ti. Na multiplicação do teu comércio, se encheu o teu interior de violência, e pecaste;” (Ez 28.15,16).

Afinal, em que consiste esta polarização “direita” versus “esquerda”? Antes de mais nada, deve-se considerar que tanto um polo quanto o outro se impõem como posições ideológicas. E como tal flertam com o autoritarismo. A história registra um sem número de atentados às liberdades individuais tanto de esquerda quanto de direita, ou seja, tiranias de ambos os lados. A liberdade não é de direita, muito menos de esquerda.

A conotação política dos termos “direita” e “esquerda” nos remete ao contexto da Revolução Francesa (1789), e se baseia nos arranjos de assentos na Assembleia Nacional Constituinte da França. Os que se opunham à monarquia se sentavam à esquerda da câmara legislativa (jacobinos), ao passo que os contrários à revolução se sentavam à direita (girondinos).  É sabido que mais tarde o termo “esquerda” fora apropriado pelos revolucionários socialistas, que utopicamente acreditavam ser possível implementar no mundo, ainda que a fórceps, uma sociedade composta por “iguais”. Em contrapartida, aos oponentes desta sandice ideológica, caberia o rótulo de direitistas, reacionários, porcos chauvinistas, fascistas etc.

Mas o que esta polarização tem a ver com o atual contexto político e econômico brasileiro?  Quem são os novos “jacobinos” e “girondinos”?  Para não irmos muito longe, cabe a afirmação do próprio Karl Marx (deus dos esquerdistas), em seu livro “O 18 Brumário de Luís Bonaparte”: “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.  Ao analisar o golpe de estado dado por Luís Bonaparte, sobrinho de Napoleão, anos depois do primeiro ter transformado a França num império; Marx conclui que o golpe de Napoleão foi a tragédia, a repetição do ato por seu sobrinho fora a farsa. E o que dizer, então, deste embate entre o “nós” contra “eles”, fomentado em larga escala pelos “camaradas” e “companheiros”?  Nada mais do que uma farsa à maneira marxista.

E o cristão? É de direita ou de esquerda? O cristão não foi chamado a seguir ideologia, a andar nos extremos. O cristão é confrontado pelo evangelho e orientado a seguir a Cristo, que não é de direita nem de esquerda. O cristão é impelido a viver pela fé, a crer nas promessas, a buscar a eternidade. O cristão foi chamado a um bom combate, que é fazer com que o reino de Deus, que não é nem de direita ou esquerda, se manifeste no mundo dos homens. De que maneira? Imprimindo as virtudes, os valores de Cristo na consciência de todos, falando ao coração de todos. Com palavras apenas? Não, antes com boas obras. "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nela" (Ef 2.10).

Embora muitos crentes façam vista grossa àqueles que vivem à maneira de Judas Iscariotes (Jo12.6), fingindo defender os pobres e oprimidos, porém usando de tal artimanha para tirar da bolsa dos brasileiros o que nela é lançado, o fazem em nome de uma ideologia. É preciso lembrar que o mesmo Judas que propunha “socializar” o perfume derramado sobre os pés de Jesus, "lucrou" com a traição ao Mestre, entregando-o por trinta moedas de prata (Mt 26.15). Ora Judas se movia à esquerda, ora à direita; pois o que estava em jogo era seu próprio interesse individual falando em nome do coletivo. Eis o que Jesus afirmou sobre o discípulo revolucionário: “Não vos escolhi eu em número de doze? Contudo, um de vós é diabo. Referia-se ele a Judas, filho de Simão Iscariotes; porque era quem estava para traí-lo, sendo um dos doze” (Jo 6.70,71).

Diante do que foi exposto, cabe a última pergunta: E você? É de direita ou de esquerda?


quarta-feira, 18 de abril de 2018

PENSANDO POLITICAMENTE



 por Delmo Fonseca |

Em outros textos tenho destacado que a ideologia é uma espécie de “religião política”. E o que caracteriza uma religião? Basicamente seus ritos e mitos. Com o advento da modernidade, especificamente a partir das ideias do filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), o discurso salvacionista se deslocou do âmbito da religião para a política. Embora não seja meu objetivo discutir nestas poucas linhas o cerne do pensamento  rousseauniano, quero apenas registrar que seus desdobramentos contribuíram para o estabelecimento do totalitarismo no mundo. Num Estado totalitário, em que o individual se dilui no coletivo, ou seja, a vontade individual se submete à geral - sendo o Estado a expressão dessa coletividade -, a liberdade é erradicada.

E como age um Estado totalitário? Ele se imiscui, se envolve em cada aspecto da vida de seus cidadãos. Um Estado totalitário vigia todos os passos do indivíduo. Quer saber o que ele come, veste, lê, vê, pensa etc. Quanto maior for a participação do Estado na vida das pessoas, menos liberdade elas terão. Quanto maior for a ingerência do Estado na vida das pessoas, menos responsabilidades individuais elas terão. Por quê? Elas se acostumarão a pensar que seus problemas, todos eles, têm de ser resolvidos pelo Estado. Nesse caso, o Estado se torna o Grande Provedor, o “pai” de todos. Mas há um detalhe: o Estado totalitário é sempre representado por uma figura emblemática, mitológica, com ares de salvador. A história confirma isso com o fato de terem existido – todos “farinha do mesmo saco” -, os lenins, stalins, mussolinis, mao tse tungs, salazares, idi amin dadas, francos, getúlios, castros, chaves, maduros, pinochets, khomeinis, hitlers e tantos outros arremedos de ditadores travestidos de democratas e republicanos, inclusive no nosso país. Como estes homens conseguem cativar tantas pessoas ao ponto de serem idolatrados, mesmo depois terem roubado, matado e destruído? Por que ainda há quem os defenda, briguem por eles, morram por eles?

O perigo de um Estado totalitário consiste no fato de que este se torna um devorador insaciável, capaz de reprimir qualquer iniciativa individual, além confiscar todas as propriedades privadas, suprimir o livre-arbítrio, a liberdade de expressão, a liberdade religiosa e até mesmo a liberdade de pensamento dos cidadãos. Um Estado totalitário não desenvolve a força do argumento, mas o argumento da força. As leis não alcançam a todos, apenas os mais fracos.

Observa-se também que os partidários do totalitarismo estatal abraçam uma ideologia cega, dizem ter um pensamento crítico, mas não toleram ser confrontados; defendem a humanidade, mas não se importam com quem está ao lado. Ao menor sinal de contrariedade partem para o ataque com impropérios, palavras ofensivas e agressões físicas. Como costumam monopolizar a condição de vítima, o intolerante e fascista será sempre o outro.  Winston Churchill já havia preconizado: “Os fascistas do futuro chamarão a si mesmos de antifascistas”.

Diante de tudo isso estaria eu defendendo o aniquilamento do Estado? De forma alguma. Apenas faço uso da minha liberdade de expressão e pensamento - o que seria impossível num regime totalitário -, para defender o Estado Democrático de Direito, que se caracteriza pela garantia dos direitos individuais e coletivos, dos direitos sociais e dos direitos políticos. Enquanto num Estado totalitário o que impera é o pensamento único, o partido único, a vontade única do grande “líder”; num Estado Democrático de Direito, as autoridades são as primeiras a se submeterem ao imperativo da lei. Será que no Brasil já chegamos a este estágio, embora nossa Constituição Federal assim determine? Lamentavelmente estamos à espera do dia em que as leis efetivamente se aplicarão a todos.

Há, no entanto, um lampejo de esperança de que algo já começa a mudar, pois o Estado brasileiro ensaia um repúdio à sua vocação totalitária. Mas falta muito. É necessário que a máquina pública reduza de tamanho, que as leis sejam aplicadas e que cada cidadão cumpra com seus deveres em vez de buscar somente direitos. Portanto, desconfie de políticos que prometem usar o Estado para beneficiar gratuitamente a todos, pois o Estado nada produz, apenas suga os recursos dos que mais trabalham. Lembre-se: quanto maior for o Estado mais maligno também o será. Ainda tem dúvida?  Experimente viver na Venezuela, Cuba ou Coreia do Norte.


GRAÇA SOBRE GRAÇA


quinta-feira, 12 de abril de 2018

O PROPÓSITO DA LEI


A IGREJA É BÍBLICA



por Delmo Fonseca |

Desde o princípio o homem busca o protagonismo, a centralidade da história, tal qual uma mariposa, que ao voar em torno de uma lâmpada, supõe que a luz resplandece para ela, existe em função dela. No Catecismo Maior de Westminster aprendemos que “o fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”.  Algumas referências bíblicas corroboram esta verdade: Ap 4.11; Rm 11.36; 1Co 10.31; Sl 73.24-28 e Jo 17.21-24.

A insistência do homem em glorificar a si mesmo, ser o fim último de suas próprias ações, apenas atesta que o antropocentrismo se configura como uma teimosia, uma rebeldia contra o Criador. E o homem, que se submete apenas aos ditames de sua natureza, busca se “endeusar” a cada dia. Até nos espaços onde esse fenômeno deveria ser menos provável, a igreja, sua ambição se faz mais acentuada.

Uma igreja antropocêntrica em hipótese alguma conseguirá ser uma igreja bíblica. Temos nesse caso uma dicotomia.  Uma igreja antropocêntrica visa ao espetáculo, possui um palco e não um púlpito; impõe aos membros a obrigatoriedade de serem dizimistas e ofertantes; ensina técnicas de autoajuda e palavras motivacionais e seus líderes são coachings espirituais. Como qualquer negócio, a meta é atender a demanda do cliente. Há as que são mais refinadas e as que são mais populares, mas no fim o que impera é o antropocentrismo, a centralidade do homem.  Igrejas antropocêntricas são tão competitivas, que prometem estacionamento, manobrista, ambiente refrigerado e cafezinho, além da resolução imediata de todos os problemas.  A felicidade aqui e agora é o bem maior.

Uma igreja bíblica segue na contramão do antropocentrismo. Isso não quer dizer que seus membros dispensem o conforto mínimo, mas o foco não é esse. Uma igreja bíblica expõe a Palavra, prega sobre a salvação. A pregação expositiva coloca o pastor no seu devido lugar, qual seja, submetido às Escrituras, sem a mínima condição de subtrair ou acrescentar uma letra ao que já foi revelado. Uma igreja bíblica é essencialmente cristocêntrica, “porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas” (Rm 11.36).

Os irmãos que rejeitam uma igreja que expõe a Palavra, pois julgam ser uma igreja “com doutrina”, talvez não saibam que uma igreja bíblica é justamente aquela que ensina a sã doutrina. Uma igreja bíblica se consagra à oração e ao ministério da palavra (At 6.4). O que o apóstolo Paulo ensinou a Timóteo? “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.  Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (2Tm 4.2-4).

As igrejas antropocêntricas sentem coceiras nos ouvidos, urticária por todo corpo quando se deparam com a verdade de que a Bíblia é a única fonte de fé e prática. Daí ser mais palatável o entretenimento, seja campanha ou show gospel, óleo ungido ou água benta. Uma igreja bíblica, por outro lado, se ocupa do ensino e da aplicação da Palavra.  Como bem disse Lutero: “Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias”. Uma igreja bíblica não promete milagres, é o milagre. Por isso congregue numa igreja bíblica e não saia dela.

Soli Deo Gloria!

quarta-feira, 11 de abril de 2018

SI HAY IDEOLOGIA, SOY CONTRA



por Delmo Fonseca |

Com alguma frequência tenho escrito sobre o quanto a ideologia é danosa, seja de esquerda ou direita, vermelha ou amarela, religiosa ou agnóstica. “Si hay ideologia, soy contra”. A ideologia causa torpor, histeria, fanatismo, idolatria e indolência.  O país atravessa um momento histórico em que vemos diversas ideologias sendo expostas. Ideologias políticas, por exemplo, estão a mostrar suas vísceras, de modo que amizades são desfeitas, agressões são cometidas e justificadas de parte a parte em defesas de seus ídolos.

Nesse caso, a ideologia se configura efetivamente como “religião política”, como assinalou com muita propriedade o filósofo Eric Voegelin: “E por isso mesmo é que as ideologias podem dizer-se ‘religiões políticas’, ou seja, porque pretendem substituir aquilo que, de uma maneira ou de outra, verazmente ou falsamente, sempre regeu as cidades ou sociedades: a religião”.

Seguidores de ideologias, ainda que confessem alguma simpatia pelo evangelho, quando chamados a defenderem a cosmovisão cristã o fazem com reservas. Tal fato se dá por acreditarem na possibilidade de conciliação entre o reino de Deus e o reino dos homens. Não há conciliação, por exemplo, entre o  Cristianismo e o Marxismo, uma ideologia que apregoa que a matéria é eterna, incriada, indestrutível, sempre em movimento; que  tudo pode ser explicado pela dialética material e que o espiritual não passa de uma ficção.  Já o Cristianismo professa que o mundo material foi criado por Deus. “Teus são os céus, tua, a terra; o mundo e a sua plenitude, tu os fundaste” (Sl 89.11).

Se o próprio Marx rejeitava a religião, considerando-a “ópio do povo”, o que posteriormente seria um absurdo a ideia de “marxistas cristãos”, como pode ser concebido a figura do “cristão marxista”? A ideia é surreal, mas o fato é que nossas “igrejas” estão repletas de pastores e padres marxistas. O ateísmo é um pressuposto marxista, mas há quem veja nisso um mero detalhe. O que é dado como irrelevante, passa a ser a porta de entrada para tantas outras ideologias, como a aplicação do “politicamente correto” na liturgia, por exemplo. Há meio termo? De forma alguma.  “Que harmonia há entre Cristo e Belial?” (2Co 6.15). 

Não bastasse a evidente incompatibilidade entre a cosmovisão cristã e o materialismo histórico, há quem desconheça as duas coisas e acabe por embarcar na “nau da estupidez”, isto é, defende o socialismo mas não abre mão das benesses do capital, o que comumente atende pelo nome de “esquerda caviar”. Outra coisa: quem não é de esquerda é necessariamente de direita? Se o fato de ver o mundo pela ótica do evangelho for configurado como um olhar conservador, que assim seja. Ao menos há a garantia de que o evangelho não é uma ideologia, pois “si hay ideologia, soy contra”.


segunda-feira, 9 de abril de 2018

A FUNÇÃO DO EVANGELHO


DESCOBRINDO O PODE DA GRAÇA


Para muitos a graça consiste em bênçãos somente. Grande equívoco. Embora seja uma grande bênção, a graça repousa sobre o coração quebrantado e arrependido, a fim de que o poder de Deus se aperfeiçoe. 

[delmo fonseca]

quarta-feira, 4 de abril de 2018

OS CINCO SOLAS


SOLA SCRIPTURA:   A Bíblia é suficiente em tudo que precisamos saber para viver para a glória de Deus e ter vida eterna. A Bíblia será os óculos que nos ajudarão a interpretar os outros saberes. 



SOLUS CHRISTUS: Jesus Cristo é o fundamento, o dono, o edificador e o protetor da Igreja (Mt 16.18). Ele é o único Salvador e o único Mediador entre Deus e os homens. Não há salvação fora dele e ninguém pode chegar ao Pai senão por meio dele.



SOLA GRATIA: O homem, morto em seus delitos e pecados não pode jamais escolher a Deus por si mesmo.
A escolha da graça é soberana e não depende de méritos humanos.
A graça de Deus é suficiente para a nossa salvação.



SOLA FIDE: A fé em Jesus Cristo é uma graça salvadora pela qual o recebemos e confiamos somente nele para a salvação, como ele nos é oferecido no Evangelho.



SOLI DEO GLORIA:   Qual é o fim principal do homem? Ou seja: por que e para que existe o homem?  Glorificar a Deus e gozá-Lo para sempre. 




“Ecclesia Reformata et Semper Reformanda est”. 

“Igreja Reformada está Sempre se Reformando”.





AI DE VÓS, FARISEUS!

Importantíssima reflexão do Pr. Paul Washer.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

ATENÇÃO!

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GRAÇA BARATA & GRAÇA PRECIOSA



AH, CORAÇÃO ARADO!



por Delmo Fonseca |

Algumas palavras soam estranhas às novas gerações, assim como tantas outras se apresentam pouco familiares às gerações mais antigas. Embora há quem sustente que palavras sejam apenas palavras, ou seja, signos puramente formais, faz-se necessário lembrar que palavras também podem ser coisas. A palavra ARAÇÃO, por exemplo, é frequente no vocabulário de agricultores que cotidianamente lavram o solo para o recebimento de novas sementes. Aração é o processo de revolver a terra com o propósito de deixa-la pronta para o plantio.

Sendo assim, podemos traçar um paralelo com a palavra ORAÇÃO. O ato de orar também consiste nesse processo de revolver as camadas petrificadas do coração, a fim de que a semente, a Palavra de Deus, penetre e finque raízes. Os corações endurecidos são terras não aradas, sem condições de guardar e fazer prosperar as sementes. Corações secos e duros, em muitos casos, tornam-se impermeáveis à Palavra, exigindo assim, mais trabalho, mais lavração (outra palavra antiga).

Orar é, então, arar.  Todo lavrador sabe que as condições do terreno nem sempre são favoráveis. Quando oramos a Deus, suplicamos por paz e alegria; clamamos por saúde, pão e livramento do mal, de certa maneira estamos colocando as mãos no arado, preparando nosso próprio coração para a semente do Espírito se desenvolver conforme a vontade do nosso Pai celestial. As nossas lágrimas, certamente, fazem as vezes de chuva, tão necessária para irrigar o solo árido.  “Aqueles que semeiam com lágrimas, com cantos de alegria colherão. Aquele que sai chorando enquanto lança a semente, voltará com cantos de alegria, trazendo os seus feixes” (Sl 126.5,6).

Orar é arar. Corações não arados produzem espinheiros, isto é, abrigam ídolos de todos os matizes: “Lavrem seus campos não arados e não semeiem entre espinhos” (Jr 4.3). Orações provenientes de corações duros serão sempre palavras vazias, nuvens sem água, espinhos. Mas orações oriundas de corações arados denotam frutos do Espírito. “Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito” (Sl 34.18).

Orar, enfim, é arar. De um coração arado pode-se esperar frutos de alegria e paz. Insistimos em dizer: arar consiste num trabalho árduo, lavrar é sempre penoso, por isso necessitaremos da ajuda do Espírito Santo. “Orai sem cessar. Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1Ts 5.17,18).

SOBRE O EVANGELHO