segunda-feira, 19 de março de 2018

SOLOGAMIA. QUE ONDA É ESSA?



por Delmo Fonseca |

Ao exclamar, em seu discurso no Senado, “O tempora! O mores!” ("Ó tempos! Ó costumes!), Cícero se opunha aos vícios e corrupções de sua época. Esse brado era uma constatação da decadência moral e dos costumes dissolutos de Roma. Certamente tempos difíceis e deploráveis. Tal exclamação perpassou o tempo e seu uso ainda é pertinente em nossos dias.  “O tempora! O mores!”

Posto isto, diria que os tempos atuais não são menos deploráveis do que os de Cícero. Se por um lado a moralidade cristã se encontra sob ferrenho ataque dos propagadores do “politicamente correto”; por outro, a Igreja segue firme destruindo fortalezas e anulando sofismas por meio do Evangelho. Há uma luta sendo travada entre a luz e as trevas.  

Em nossos dias pululam novidades de ordem narcísica para todos os gostos, isto é, movimentos que incentivam o indivíduo a viver cada vez mais voltado para si e buscar seus  próprios interesses. Dentre as tantas “novidades”, uma onda egóica atende pelo nome de “sologamia” ou “autocasamento”. É isso mesmo. Cresce a cada dia o número de pessoas que resolveram se casar com elas mesmas. Os eventos são realizados com pompa e circunstância, bolo, convidados e, pasmem, lua de mel.

Os “sologâmicos” alegam que o “autoamor” constitui uma demonstração inequívoca de amor próprio, sugerindo que “toda forma de amar vale a pena”. Possivelmente, outro refrão  dos que surfam nessa onda é “eu me amo, eu não consigo viver sem mim”. Tudo isso, além de se mostrar uma doentia e terrível exarcebação do ego, evidencia um enorme distanciamento de Deus, que nos criou para termos comunhão uns com os outros. "Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda" (Gn 2.8).  

A “sologamia”, em síntese, é tão-somente mais um ato de rebeldia contra o Criador. Sinais dos tempos.  “O tempora! O mores!”


Soli Deo Gloria!

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