sábado, 17 de março de 2018

PARA QUEM TEM OUVIDOS


por Delmo Fonseca |

Quer você se volte para a direita quer para a esquerda,
uma voz nas suas costas dirá a você: "Este é o caminho; siga-o".
 Isaías 30.21

Você sabia que o inimigo de nossas almas nos quer de olhos bem abertos, porém de ouvidos bem fechados? O motivo é simples: somos capturados pelo olhar, somos tentados por aquilo que está diante de nossos olhos. Atente-se para este fato narrado por Lucas: “E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num instante todos os reinos do mundo” (Lc 4.5).  Observe que foram mostrados a Jesus todos os reinos do mundo. Do alto do monte ele teve uma visão panorâmica do poder que impera neste mundo.  Mas Jesus resistiu.  E o diabo fugiu. “Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós!”, nos ensina Tiago (4.7), irmão do Senhor.

No Éden a serpente sugeriu que Eva não desse ouvidos a Deus, o qual alertara ao casal a respeito da morte como consequência pelo pecado da desobediência. No entanto, a serpente convenceu Eva de que a visão é mais importante do que a audição, ver é melhor do que ouvir: “Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, conhecedores do bem e do mal” (Gn 3.4,5). Ao se deixar seduzir pela serpente, Eva viu que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela. Então foram abertos os olhos de ambos” (Gn 3.6,7).

A partir deste episódio podemos constatar que o ser humano privilegia a visão em detrimento da audição. Quase todo mundo quer ver e ser visto o tempo todo. Daí o fato de vivermos num tempo em que uma imagem tende a valer mais do que mil palavras faladas. Em que se baseia o poder da televisão, dos big brothers, facebooks e youtubes senão numa explosão de imagens o tempo todo? Toda essa ênfase no olhar faz com que andemos na contramão da vontade de Deus, que desde o princípio se fundamenta no ouvir.

Ao instruir o povo hebreu, Moisés não disse “olhe”, “veja”, mas... “Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças” (Dt 6.4,5). Quando Jesus foi transfigurado, tendo ao seu lado Elias e Moisés (Mt 17.4,5), além das companhias de Pedro e os irmãos Tiago e João, “uma nuvem luminosa os envolveu; e eis, vindo da nuvem uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi”.
Cristo, o Filho amado, é a voz de Deus (Vox Dei). É por meio dele que o Pai fala em nossos dias: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo” (Hb 1.1,2).
Em meio ao turbilhão de imagens que nos assaltam a todo momento, desviando nossa atenção do que realmente importa, deixamos de ouvir a voz de Deus, e, assim, negligenciamos sua vontade. Nesse sentido, à semelhança de Adão e Eva nos deixamos seduzir pela serpente, o inimigo de nossas almas.
Costumamos encontrar tempo para tudo, menos para ouvir a voz de Deus. Se não ouvirmos sua voz como creremos e cresceremos no conhecimento de sua Palavra? “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão se não houver quem pregue? E como pregarão se não forem enviados? Como está escrito: ‘Como são belos os pés dos que anunciam boas novas! ’ No entanto, nem todos os israelitas aceitaram as boas novas. Pois Isaías diz: ‘Senhor, quem creu em nossa mensagem?’ Consequentemente, a fé vem por ouvir a pregação, e a pregação é ouvida mediante a palavra de Cristo” (Rm 10.14-17).

Que os nossos ouvidos estejam abertos para a voz do Espírito, tal como reagiu o salmista Davi: “Uma vez Deus falou, duas vezes eu ouvi, que o poder pertence a Deus. Contigo também, Senhor, está a fidelidade. É certo que retribuirás a cada um conforme o seu procedimento” (Sl 62.11,12).

Que o nosso proceder se baseie na palavra de Cristo, que todos os dias fala ao nosso coração e diz “...Quem tem ouvidos, ouça”. 

Soli Deo Gloria! 

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