quinta-feira, 1 de março de 2018

O PÃO DA MENTIRA E AS MEIAS VERDADES


por Delmo Fonseca |


O escritor Millôr Fernandes acertou no alvo quando disse: “O perigo de uma meia verdade é você dizer exatamente a metade que é mentira.” Em se tratando de religião, não é difícil constatar que boa parte dos discursos  que se apresentam como caminhos alternativos para o ser humano, apregoam meias verdades como se fossem a verdade em sua plenitude. Observa-se que a maioria destes discursos revelam o lado que não possui verdade alguma, isto é, a mentira pura e simples; enquanto uma minoria, não menos enganadora, apresenta nuances da verdade como se fosse a própria verdade.

Vamos aos fatos: dizer que Deus é tão-somente uma energia cósmica que perpassa tudo e todos é uma mentira sem tamanho. Da mesma forma, dizer que algumas religiões são caminhos diferentes que levam a Deus - porque pregam meias verdades - é outra grande mentira. Afinal, o que é a verdade? Esta foi a pergunta que Pilatos fez a Jesus (Jo 18.38). Em outra ocasião Jesus havia afirmado, não para Pilatos, mas em conversa com os discípulos, “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida” (Jo 14.6). 

Inúmeras religiões tendem a flertar com a figura de Jesus, cada uma apresentando a sua verdade, ou melhor, meias verdades, o que no fim são mentiras. Resta, nesse caso, o Cristianismo. Ao se constituir de diversos segmentos, a cristandade se depara com uma série de discursos a respeito de Jesus. Alguns explicitamente enganosos; outros, cheios de meias verdades, ou seja, também mentirosos.

O Cristo, o Deus-Filho, o Messias, o Salvador, o Ressurreto, Aquele que é a Verdade, é pregado a duras penas por homens sabedores da necessidade de se submeterem à vontade do Deus-Pai. Estes se esforçam continuamente, afadigam-se no exercício do ensino do Evangelho de Cristo: “prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, convence, repreende, exorta com toda a paciência e ensino. Pois virá tempo em que os homens não suportarão a sã doutrina, mas desejosos de ouvir coisas agradáveis, cercar-se-ão de mestres segundo os seus desejos, e desviarão os ouvidos da verdade e se aplicarão às fábulas. (2Tm 4.2-2).

Por outro lado, há os que apresentam um Jesus “mágico”, distribuidor de bênçãos e recompensas a religiosos mimados, que não se importam em viver de ilusões, ou seja, mentiras. Mesmo quando abrem a Bíblia, distorcem seu sentido, contexto, mistério. O resultado são meias verdades. Qual a diferença entre profetizar mentira e pregar meias verdades? “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7. 22,23).

O desafio do cristão consiste em também combater todo o tipo de engano, principalmente as sutilezas das meias verdades, pois estas soam como “música” para os ouvidos, mas, ainda assim, mentiras. “Suave é ao homem o pão da mentira; mas depois a sua boca se enche de areia” (Pv 20:17).


Soli Deo Gloria!


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