sábado, 3 de março de 2018

O EU CRUCIFICADO



por  Delmo Fonseca |

“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim”. Gl 2.20

O que se passa na mente daqueles que se encontram no corredor da morte, à espera da execução numa cadeira elétrica? Será que possuem planos para o futuro? Possuem sonhos? Em outras palavras, quais são as perspectivas de um condenado à morte? Disse Jesus: "Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a vida por minha causa e pelo evangelho a salvará”. (Mc 8:34-35).
Sabe-se que na época em que o Senhor proferiu estas palavras, todos os ouvintes viviam num contexto em que o Império Romano, ao condenar um criminoso à crucificação, forçava-o a carregar a própria cruz até o lugar indicado, a não ser em casos em que alguém era chamado para dividir o peso da cruz com o condenado. 

Jesus se valeu desta realidade para dizer: "Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. Os que escolhiam seguir o Senhor deviam se conscientizar do seguinte fato: havia um EU a ser crucificado. “Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a vida por minha causa e pelo evangelho a salvará”.
Temos diante de nós este paradoxo: ao escolhermos salvar a própria vida acabamos por perdê-la, pois seremos acolhidos pelo espírito deste mundo. Mas se escolhermos perder a vida por causa de Cristo seremos acolhidos pelo seu Espírito. Há muitas maneiras de “salvar” a própria vida, pois o mundo apresenta um cardápio variado de como viver para si mesmo, como buscar a felicidade a qualquer custo, como viver sem Deus. O viver somente para si se configura como uma rejeição à cruz. Quando tomamos nossa cruz, diariamente, estamos afirmando que nosso ser natural, com suas paixões e fraquezas, está condenado à morte. 

Outra vez disse Jesus: “Se alguém vem a mim, e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não tomar a sua cruz, e vier após mim, não pode ser meu discípulo” (Lc 14.25-27). Novamente somos desafiados a andar na contramão do mundo, pois constatamos que não há problema algum, por parte de muitos, em dizer “não” para o Senhor; no entanto, quando se trata de um negócio, família, amigos, lazer ou outra ocupação o “sim” é sempre automático. 

O apóstolo Paulo faz a seguinte observação: “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2Co 2.14-15). Saber que o Senhor Jesus, por amor, morreu para que tivéssemos vida eterna deveria gerar um constante constrangimento, mas quem se atenta para este fato? Saber que ele morreu para que os que vivem não vivam mais para si deveria gerar a certeza de que não temos outra escolha a não ser carregarmos nossa cruz. Mas quem se importa? 
A nossa oração é para que tenhamos o mesmo entendimento do apóstolo Paulo, que assim concluiu: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2.20). 


Soli Deo Gloria!

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