quarta-feira, 14 de março de 2018

GUARDAR A FÉ


por Delmo Fonseca |

“Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela”.
[Trecho do poema Guardar, de Antonio Cícero]

A poesia se vale da metáfora para dizer o que não se consegue apenas com a prosa, ou seja, a poesia ilustra o essencial, aquilo que não pode ser descrito sob pena de se perder. Em outras palavras, a poesia guarda. Aquilo que é guardado e esquecido, na verdade foi sepultado e não guardado. Você se lembra de todos os papeis, roupas e endereços que já guardou? Se não, o que você fez foi enterrar na memória todas essas coisas em vez de guardá-las.

Os melhores dicionários assim definem o verbo guardar: tomar conta; zelar por, vigiar para defender, proteger, preservar. Um vigilante, por exemplo, assume o compromisso de proteger o que lhe foi confiado. Ao aplicar esse raciocínio à fé, segue-se a pergunta: você tem guardado a sua fé? Ou melhor: você tem zelado, protegido e defendido a sua fé? Se a sua resposta for sim, como você tem procedido?

O sábio ensinou: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv 4.23). Mas o ponto nevrálgico da jornada cristã consiste neste fato: será que guardamos adequadamente a fé que nos foi dada?

Em carta ao jovem Timóteo, o apóstolo Paulo concluiu: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (2Tm 4.7). A exemplo de um pastor amigo, também gosto de ler esse versículo assim: “combati o bom combate e completei a carreira, porque guardei a fé”. De outra forma você também poderá concluir: “porque guardei a fé, consegui combater o bom combate e completar a carreira”. O apóstolo Paulo guardou a sua fé mantendo-se fiel ao evangelho de Cristo. E ele nos orienta a sermos seus imitadores.

Mas como podemos imitar o apóstolo da graça, que era imitador de Cristo (1Co 11.1), se não guardarmos a fé? Há que se ter a noção de que não podemos prescindir “do escudo da fé, com o qual apagamos todos os dardos inflamados do Maligno” (Ef 6.16). Há que se ter a noção de que “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11.6). Há que se ter a noção de que “a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: o justo viverá por fé” (Rm 1:17).

Quando deixamos de guardar a fé? Em diversas ocasiões: nas adversidades, quando murmuramos em vez de confiarmos em Deus; quando achamos que possuímos algum mérito diante do Senhor; quando a Palavra já não nos sensibiliza; quando pensamos que o ato de congregar não é mais necessário para o nosso crescimento; quando a oração é negligenciada; quando somente as Escrituras não bastam; quando perdemos a perspectiva da vida eterna.

Às vezes a fé parece melhor compreendida por meio de metáforas, como se poesia fosse, mas é no dia a dia, na prática cotidiana que aprendemos a guardá-la. E lembrando mais uma vez o poeta,
“Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela”.

Soli Deo Gloria!

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