sexta-feira, 23 de março de 2018

COELHINHO DA PÁSCOA, O QUE FIZESTE POR MIM?



por Delmo Fonseca |

Certamente você se lembra daquela cantiga popular, sempre entoada para as crianças na época da Páscoa. A canção pergunta ao coelhinho se ele trouxe um ou dois ovos, se as cores são azul, vermelho ou amarelo... e por aí vai.

O que impressiona é o fato de tantos crentes embarcarem na “onda” do coelhinho, a ponto de se angustiarem por não terem condições de presentear seus filhos com ovos de chocolate.

Todo ano é assim: uns tantos seguem o coelhinho e alguns poucos seguem o Cordeiro. Para ilustrar essa reflexão, apresentaremos duas histórias: a primeira é uma fábula e se destina às “crianças” na fé; a segunda, aos experimentados na Palavra.

PRIMEIRA HISTÓRIA:

Era uma vez um vilarejo encantado, localizado nas terras germânicas, onde todos os anos as crianças festejavam o começo da primavera.  A razão desta alegria é que a estação das flores marcava a volta do sol depois de um longo inverno.  Sendo assim, os dias e as noites voltariam a ter a mesma duração, o que possibilitaria o cultivo da terra.

Para tanto era preciso homenagear Eostre ou Ostara, que na mitologia anglo-saxã era a deusa da fertilidade e do renascimento, também conhecida como deusa da Aurora. De seus cultos pagãos originou-se a palavra ostern (em alemão) e easter (em inglês) que se traduz por páscoa.

Na Alemanha, os festejos eram simbolizados por coelhos e ovos, todos denotando a fertilidade e o ressurgir da vida. Diz a lenda que certo dia, Ostara se encontrava sentada em um jardim cercada de crianças, quando um pássaro voou sobre essas e depois pousou em sua mão. Imediatamente, por meio de algumas palavras mágicas, Ostara transformou o pássaro em um coelho, seu animal favorito.  As crianças ficaram maravilhadas, mas com o passar do tempo elas perceberam que o pássaro transformado em coelho não estava feliz. As crianças pediram a Ostara que revertesse o encantamento, o que ela tentou sem sucesso.

Ostara decidiu esperar até que o inverno passasse, pois sabia que nesta estação o seu poder diminuía. Talvez, na primavera, a restauração fosse possível, o que certamente alegraria as crianças e o próprio pássaro. Assim que a primavera chegou suas forças foram renovadas e ela desfez o encantamento.

Em agradecimento, o pássaro botou ovos em homenagem a Ostara. No entanto, para celebrar sua liberdade e em gratidão às crianças, que tinham pedido a restauração de sua forma original, o pássaro pediu que fosse transformado em coelho novamente a fim de pintar os ovos e distribuí-los pelo mundo.

Moral da primeira história: associar a páscoa a um coelho e ovos coloridos era uma prática pagã, um culto à deusa da fertilidade.

SEGUNDA HISTÓRIA:

O nome Páscoa vem da palavra hebraica pessach que significa “passar por cima”. A Páscoa era celebrada no primeiro mês do calendário judaico (março/abril). Esta celebração comemora a libertação do povo do Egito, sob a liderança de Moisés.

Depois da libertação o acontecimento foi marcado entre as grandes festas religiosas de Israel, fazendo parte da Lei Cerimonial do Antigo Testamento. Cada família sacrificava um cordeiro na véspera da Páscoa.

Para essa festa, todos os que podiam se deslocavam a Jerusalém. Mas a celebração da Páscoa era – e ainda é – uma celebração em família. O cardápio simboliza diferentes aspectos da escravidão no Egito e do êxodo. E cada ano se reconta a história de como o anjo de Deus “passou por cima” das casas dos israelitas, deixando-os com vida, na noite em que foram mortos os primogênitos do Egito.

Três elementos simbólicos lembravam aos participantes o evento da libertação: as ervas amargas, os pães asmos, isto é, pães sem fermento, e o cordeiro imolado. Hoje, por ocasião da Páscoa, somente os samaritanos ainda sacrificam cordeiros como nos velhos tempos. Os judeus deixaram de fazê-lo quando os romanos destruíram o templo em 70 d.C.

Sabemos que Jesus, à semelhança de um cordeiro, foi morto durante a celebração da Páscoa em Jerusalém. Antes de sua morte, porém, como todos os demais judeus, o Senhor comeu o cordeiro pascal com seus discípulos e determinou aos mesmos que passassem a comer pão e beber vinho em memória dele, em vez de celebrarem a Páscoa. O pão e o vinho simbolizam seu corpo e seu sangue, dados pelos pecados de muitos.

A Páscoa é essencialmente uma festa judaica, de modo que para os cristãos o sacrifício único de Jesus, como o cordeiro de Deus, propiciou vida eterna aos que de antemão foram eleitos pelo Pai.  Os cristãos comem pão e bebem vinho em memória de Cristo, e o fazem não somente no período da Páscoa, mas durante o ano todo.

A data mais importante para o cristão é o Domingo da Ressurreição, pois se Cristo não tivesse vencido a morte e ressuscitado, a celebração em sua memória não teria sentido, valeria menos do que um ovo de chocolate.

Talvez seja pelo fato de ignorar a ressurreição de Cristo e suas implicações, que muitos sequer se lembram do Cordeiro de Deus que foi imolado. Antes, como “crianças” na fé, preferem seguir o coelhinho e cantarolarem: “Coelhinho da Páscoa que trazes pra mim?”.

Já os experimentados na Palavra sabem que o símbolo bíblico para a páscoa é o cordeiro imolado. O profeta Isaías informou: “... Como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a sua boca” (Is 53.7).  O apóstolo Paulo ratificou: “... Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado” (ICor 5.7).

Moral da segunda história: ao contrário do coelhinho da fábula, o Cordeiro fez tudo por nós.


Soli Deo Gloria!

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