sábado, 31 de março de 2018

PORQUE SOIS CRISTÃOS...

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TETELESTAI!


"... havendo riscado o escrito de dívida, que era contra nós nas suas ordenanças, o qual de alguma maneira nos era contrário, e o tirou do meio de nós, cravando-o na cruz..." (Cl 2:14).

"TETELESTAI" é uma expressão grega que pode ser traduzida como "está consumado", "totalmente pago" ou "dívida cancelada". No século I, quando um criminoso era preso, seus delitos eram registrados em um papiro conhecido como "cédula de dívida" ou "escrito de dívida". Ao cumprir a pena e chegando a ocasião de sua liberdade, o juiz responsável pela soltura do condenado, riscava a cédula, especialmente na parte onde os crimes estavam apontados, e, no rodapé, escrevia TETELESTAI. Pronto! O indivíduo não devia mais nada à justiça. Estava livre da condenação e, agora, poderia desfrutar da paz e da liberdade.

Cristo derrotou e humilhou o diabo, despojando-o de toda e qualquer autoridade que tinha para nos acusar, tentar e prejudicar. Cristo fez dos seus inimigos, o “estrado de seus pés” (Ef. 1:20-22). Não precisamos temer o diabo. Ele está derrotado, despojado e humilhado pelo Senhor Jesus Cristo. A dívida está paga! TETELESTAI!!!

segunda-feira, 26 de março de 2018

A CEIA DO SENHOR



A Ceia do Senhor é sempre um convite à renovação contínua da nova aliança. 

Jesus ressuscitou e n'Ele vivemos.

No domingo de Páscoa, às 9h, convidamos você e sua família para celebrarem conosco a ressurreição do nosso Senhor!

Av. Dom Helder Câmara, 7962 - Piedade - Rio de Janeiro 



EXERCÍCIO DA FÉ - SPURGEON

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sexta-feira, 23 de março de 2018

COELHINHO DA PÁSCOA, O QUE FIZESTE POR MIM?



por Delmo Fonseca |

Certamente você se lembra daquela cantiga popular, sempre entoada para as crianças na época da Páscoa. A canção pergunta ao coelhinho se ele trouxe um ou dois ovos, se as cores são azul, vermelho ou amarelo... e por aí vai.

O que impressiona é o fato de tantos crentes embarcarem na “onda” do coelhinho, a ponto de se angustiarem por não terem condições de presentear seus filhos com ovos de chocolate.

Todo ano é assim: uns tantos seguem o coelhinho e alguns poucos seguem o Cordeiro. Para ilustrar essa reflexão, apresentaremos duas histórias: a primeira é uma fábula e se destina às “crianças” na fé; a segunda, aos experimentados na Palavra.

PRIMEIRA HISTÓRIA:

Era uma vez um vilarejo encantado, localizado nas terras germânicas, onde todos os anos as crianças festejavam o começo da primavera.  A razão desta alegria é que a estação das flores marcava a volta do sol depois de um longo inverno.  Sendo assim, os dias e as noites voltariam a ter a mesma duração, o que possibilitaria o cultivo da terra.

Para tanto era preciso homenagear Eostre ou Ostara, que na mitologia anglo-saxã era a deusa da fertilidade e do renascimento, também conhecida como deusa da Aurora. De seus cultos pagãos originou-se a palavra ostern (em alemão) e easter (em inglês) que se traduz por páscoa.

Na Alemanha, os festejos eram simbolizados por coelhos e ovos, todos denotando a fertilidade e o ressurgir da vida. Diz a lenda que certo dia, Ostara se encontrava sentada em um jardim cercada de crianças, quando um pássaro voou sobre essas e depois pousou em sua mão. Imediatamente, por meio de algumas palavras mágicas, Ostara transformou o pássaro em um coelho, seu animal favorito.  As crianças ficaram maravilhadas, mas com o passar do tempo elas perceberam que o pássaro transformado em coelho não estava feliz. As crianças pediram a Ostara que revertesse o encantamento, o que ela tentou sem sucesso.

Ostara decidiu esperar até que o inverno passasse, pois sabia que nesta estação o seu poder diminuía. Talvez, na primavera, a restauração fosse possível, o que certamente alegraria as crianças e o próprio pássaro. Assim que a primavera chegou suas forças foram renovadas e ela desfez o encantamento.

Em agradecimento, o pássaro botou ovos em homenagem a Ostara. No entanto, para celebrar sua liberdade e em gratidão às crianças, que tinham pedido a restauração de sua forma original, o pássaro pediu que fosse transformado em coelho novamente a fim de pintar os ovos e distribuí-los pelo mundo.

Moral da primeira história: associar a páscoa a um coelho e ovos coloridos era uma prática pagã, um culto à deusa da fertilidade.

SEGUNDA HISTÓRIA:

O nome Páscoa vem da palavra hebraica pessach que significa “passar por cima”. A Páscoa era celebrada no primeiro mês do calendário judaico (março/abril). Esta celebração comemora a libertação do povo do Egito, sob a liderança de Moisés.

Depois da libertação o acontecimento foi marcado entre as grandes festas religiosas de Israel, fazendo parte da Lei Cerimonial do Antigo Testamento. Cada família sacrificava um cordeiro na véspera da Páscoa.

Para essa festa, todos os que podiam se deslocavam a Jerusalém. Mas a celebração da Páscoa era – e ainda é – uma celebração em família. O cardápio simboliza diferentes aspectos da escravidão no Egito e do êxodo. E cada ano se reconta a história de como o anjo de Deus “passou por cima” das casas dos israelitas, deixando-os com vida, na noite em que foram mortos os primogênitos do Egito.

Três elementos simbólicos lembravam aos participantes o evento da libertação: as ervas amargas, os pães asmos, isto é, pães sem fermento, e o cordeiro imolado. Hoje, por ocasião da Páscoa, somente os samaritanos ainda sacrificam cordeiros como nos velhos tempos. Os judeus deixaram de fazê-lo quando os romanos destruíram o templo em 70 d.C.

Sabemos que Jesus, à semelhança de um cordeiro, foi morto durante a celebração da Páscoa em Jerusalém. Antes de sua morte, porém, como todos os demais judeus, o Senhor comeu o cordeiro pascal com seus discípulos e determinou aos mesmos que passassem a comer pão e beber vinho em memória dele, em vez de celebrarem a Páscoa. O pão e o vinho simbolizam seu corpo e seu sangue, dados pelos pecados de muitos.

A Páscoa é essencialmente uma festa judaica, de modo que para os cristãos o sacrifício único de Jesus, como o cordeiro de Deus, propiciou vida eterna aos que de antemão foram eleitos pelo Pai.  Os cristãos comem pão e bebem vinho em memória de Cristo, e o fazem não somente no período da Páscoa, mas durante o ano todo.

A data mais importante para o cristão é o Domingo da Ressurreição, pois se Cristo não tivesse vencido a morte e ressuscitado, a celebração em sua memória não teria sentido, valeria menos do que um ovo de chocolate.

Talvez seja pelo fato de ignorar a ressurreição de Cristo e suas implicações, que muitos sequer se lembram do Cordeiro de Deus que foi imolado. Antes, como “crianças” na fé, preferem seguir o coelhinho e cantarolarem: “Coelhinho da Páscoa que trazes pra mim?”.

Já os experimentados na Palavra sabem que o símbolo bíblico para a páscoa é o cordeiro imolado. O profeta Isaías informou: “... Como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a sua boca” (Is 53.7).  O apóstolo Paulo ratificou: “... Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado” (ICor 5.7).

Moral da segunda história: ao contrário do coelhinho da fábula, o Cordeiro fez tudo por nós.


Soli Deo Gloria!

quarta-feira, 21 de março de 2018

O MÉXICO É AQUI?



por Delmo Fonseca |

De tempos em tempos uma dúvida me sobrevém. Algumas vezes me flagrei questionando se o Haiti, Colômbia ou a Venezuela não seriam aqui. Desta vez a minha dúvida se volta para o México. Será que o México é aqui?  Digo isso porque nos últimos dias tenho me correspondido com um amigo, também pastor, natural daquele país que outrora fora conhecido por seu rico patrimônio histórico e cultural, e que atualmente mais parece uma “terra sem lei”.

Dados oficiais indicam que o México atingiu no ano de 2017 o número recorde de homicídios desde que esses números começaram a ser registrados há 20 anos. Com uma média de 80 mortes por dia, ou 2.400 por mês, o país se vê mergulhado num caos: barbárie, corrupção e, principalmente, o narcotráfico. Os cartéis mexicanos são os principais provedores de drogas para os Estados Unidos.

Há solução para o México? O meu amigo não sabe responder. Talvez ninguém saiba. No entanto, para salvaguardar sua família ele busca um refúgio num lugar mais seguro, pois a violência chegou a um nível tal de banalização, que qualquer ato mal interpretado pelos “barões” das drogas, soa como um desafio à morte.  Pregar o evangelho em determinadas regiões do México se tornou um ato desafiador. Transcrevo a seguir uma parte da matéria veiculada recentemente pela organização cristã internacional Portas Abertas (que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus):

“Um dos líderes da igreja no México forneceu uma nova visão sobre o tipo de perseguição que os cristãos na América Latina estão enfrentando em áreas controladas por cartéis de drogas. O pastor que pediu anonimato por razões de segurança disse a um dos colaboradores da Portas Abertas que ‘sem pagar tributos a eles’ as igrejas não podem permanecer funcionando. Essa informação já foi divulgada em nosso site através de algumas matérias, entre elas ‘Igrejas no alvo dos cartéis de drogas’. Mas agora o líder dá novos detalhes.

‘Os cartéis estão muito bem organizados e podem seguir todos os nossos movimentos. Não se pode ir a lugar algum sem proteção. Estamos falando de locais muito próximos à capital do país, o que significa que, o problema que costumava ser típico das cidades do norte, que fazem fronteira com os Estados Unidos, está se tornando um problema comum para todo o México’, explica. Infelizmente, segundo um dos colaboradores da Portas Abertas ‘a maioria dos casos não são relatados’”.

Confesso que durante as conversas que tive com esse amigo pensei em sugerir o Brasil como refúgio, mas logo me veio a dúvida: nesse quesito, o que o Brasil difere do México? O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) informa que o Brasil registrou, somente em 2015, 59.080 homicídios. Isso significa 28,9 mortes a cada 100 mil habitantes. Em 2016 a OMS (Organização Mundial de Saúde), noticiou que a nossa situação era pior do que de países como Haiti (26,6), o próprio México (que subiu para 22) e Equador (13,8), cujas taxas de homicídio, apesar de altas, eram inferiores às brasileiras. Com isso, o Brasil só perdia para países como Honduras (103,9), Venezuela (57,6), Colômbia (43,9) e Guatemala (39,9).

De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2016 foram registradas 61.619 mortes violentas, o que equivale ao número de mortes provocadas pela bomba atômica em Nagasaki, no Japão, durante a Segunda Guerra Mundial.

Se considerarmos que em 2016 o Estado do Rio de Janeiro apresentou uma taxa de mortes violentas (37,64 por 100 mil habitantes) bem acima da média nacional, é espantoso saber que Sergipe registrou a maior taxa de 64, seguido de Rio Grande do Norte, com 56,9, e Alagoas, com 55,9 - todos estados do Nordeste. As capitais com maiores taxas de assassinatos por 100 mil habitantes foram Aracaju, com 66,7, Belém, com 64, e Porto Alegre, com 64,1.

O que se pode constatar é que não há um porto seguro, ou seja, um lugar imune a esse tipo de “pandemia”, pois a violência se disseminou de tal maneira que até mesmo algumas cidades do interior, outrora pacatas, já não oferecem nenhuma segurança. Diante de tanta exposição à violência, seja por meio de noticiários ou outros meios (pois muitos residem em áreas de maior incidência de mortes), corremos o risco de não mais nos sensibilizar com o mal. Assim, o que antes causava perplexidade já não produzirá o mesmo efeito. E o mais grave: com o tempo passa-se a ver o mal como algo normal.

Tudo isso nos faz recordar os dias de Noé, quando “a terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se de violência” (Gn 6.11). E o que impressiona é que este versículo retrata fielmente os tempos atuais. A terra novamente encheu-se de violência. Decorre que no tempo de Noé o juízo veio por meio de um grande dilúvio, mas qual juízo está reservado para os últimos tempos?

Muitos dirão que já está em marcha o quarto cavaleiro mencionado no livro do Apocalipse 6.8: “E olhei, e eis um cavalo amarelo e o seu cavaleiro, sendo este chamado Morte; e o Inferno o estava seguindo, e foi-lhes dada autoridade sobre a quarta parte da terra para matar à espada, pela fome, com a mortandade e por meio das feras da terra”. Seja como for, podemos dizer que apesar de tudo Deus permanece no controle de todas as coisas. Nada escapa aos seus olhos.

Por fim, minha oração é para que “mi hermano” dê continuidade a seu ministério; que também sejamos livrados da violência e que o nosso país, assim como o México e as demais nações, sejam apaziguadas.  


Soli Deo Gloria!

terça-feira, 20 de março de 2018

DOAÇÃO - LUTERO



MEMÓRIA E GRATIDÃO



por Delmo Fonseca

“Mas Sião diz: O SENHOR me desamparou, o Senhor se esqueceu de mim. Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti” (Is 49.14e15).

Há nas Escrituras um sem número de menções ao ato de recordar, isto é, "trazer de novo ao coração". Para os romanos o coração era a sede da memória. Ao se referir a Deus como aquele que constantemente se lembra, devemos pensar que este ato não implica, necessariamente, numa lembrança ou recordação pretérita, mas numa ação eficiente e que redunda em graça e misericórdia no presente. “E aconteceu que, destruindo Deus as cidades da campina, lembrou-se Deus de Abraão, e tirou a Ló do meio da destruição, derrubando aquelas cidades em que Ló habitara” (Gn 19:29).

Passado, presente e futuro são categorias temporais a que estamos condicionados, mas Deus é eterno, o que significa que “um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia” (2Pe 3.8). Logo, a lembrança de Deus não é um resgate de seu passado, pois diferentemente de nossa condição humana e transitória, Deus é. “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tg 1.17). De nossa parte, sem uma memória ativa nos comportaríamos como quem sofre de amnésia. A Bíblia narra várias passagens em que o povo perece por não exercitar a memória, não se lembrar dos tantos livramentos recebidos do Senhor. “Porventura esquece-se a virgem dos seus enfeites, ou a noiva dos seus adornos? Todavia o meu povo se esqueceu de mim por inumeráveis dias” (Jr 2.32).

Mas as Escrituras mostram que Deus previra este esquecimento, por isso instituíra ritos memorias como a Páscoa: “Este dia vos será por memorial, e o celebrareis como solenidade ao SENHOR; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo” (Ex 12.14). A cada ano a celebração da Páscoa judaica remete-se à lembrança da libertação do cativeiro egípcio. Outro rito memorial alude à Festa dos Tabernáculos, que consiste numa recordação dos hebreus que peregrinaram no deserto após a saída do Egito. “Disse mais o SENHOR a Moisés: Fala aos filhos de Israel, dizendo: Aos quinze dias deste mês sétimo, será a Festa dos Tabernáculos ao SENHOR, por sete dias” (Lv 23.33-34).

A celebração da Ceia do Senhor é um ato de recordação. Celebramos o estabelecimento da nova Aliança. “E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim” (Lc 22.19). No novo Pacto a Páscoa é ressignificada, ou melhor, encontra seu verdadeiro sentido, pois Cristo foi sacrificado como um cordeiro em favor dos eleitos. “Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Por isso, celebremos a festa não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia, e sim com os asmos da sinceridade e da verdade” (1Co 5.7-8).

No tempo da graça a Páscoa nos faz lembrar que somos novas criaturas, massa sem fermento. Recordar, isto é, não deixar as palavras do Senhor caírem no esquecimento nos ajuda a manter um coração grato e renova nossa esperança em Deus. Foi esta experiência que restaurou as forças do profeta Jeremias, que diante da adversidade pôde expressar: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lm 3.21). A angústia tomava conta de Jeremias, pois este sofria ao testemunhar a aflição do seu povo, que padecia justamente por ter esquecido os preceitos do Senhor. O profeta abandona suas lamentações ao se lembrar do quanto Deus tem derramado sua misericórdia continuamente, razão pela qual o povo ainda não havia perecido. “As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade” (Lm 3.22-23).

A Bíblia também chama a atenção para o fato de que o Senhor não pode ser objeto de esquecimento dos jovens. Desde tenra idade a memória a respeito do Criador deve ser cultivada: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer” (Ec 12.1).  A realidade é pródiga em mostrar que muitos se achegam ao Senhor após serem alcançados pela fadiga, já carcomidos pelo tempo e sem vigor. Todo tempo é tempo, todavia neste caso não há o que recordar, pois não houve caminhada, experiência com Deus.

Uma memória sã contribui para uma vida saudável. É preciso, porém, lembrar que vive melhor quem não se esquece dos feitos do Senhor, do seu grande amor, da sua maravilhosa graça. Deus nos ama de tal maneira, que mesmo sendo impossível escapar qualquer coisa aos seus olhos, ainda assim opta por lançar no mar do esquecimento as nossas máculas. “Dos seus pecados e iniquidades não me lembrarei mais" (Hb 10.17).

O evangelho nos coloca na dimensão do reino de Deus, em que a gratidão se faz necessária, imprescindível. Por isso o apóstolo Paulo conclui: “Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1Ts 5:18). Que a nossa gratidão ao Pai seja contínua e não passageira.


Soli Deo Gloria!


segunda-feira, 19 de março de 2018

A MARCA DO CRISTÃO - JOHN PIPER

A MARCA DO CRISTÃO - JOHN PIPER

SOLOGAMIA. QUE ONDA É ESSA?



por Delmo Fonseca |

Ao exclamar, em seu discurso no Senado, “O tempora! O mores!” ("Ó tempos! Ó costumes!), Cícero se opunha aos vícios e corrupções de sua época. Esse brado era uma constatação da decadência moral e dos costumes dissolutos de Roma. Certamente tempos difíceis e deploráveis. Tal exclamação perpassou o tempo e seu uso ainda é pertinente em nossos dias.  “O tempora! O mores!”

Posto isto, diria que os tempos atuais não são menos deploráveis do que os de Cícero. Se por um lado a moralidade cristã se encontra sob ferrenho ataque dos propagadores do “politicamente correto”; por outro, a Igreja segue firme destruindo fortalezas e anulando sofismas por meio do Evangelho. Há uma luta sendo travada entre a luz e as trevas.  

Em nossos dias pululam novidades de ordem narcísica para todos os gostos, isto é, movimentos que incentivam o indivíduo a viver cada vez mais voltado para si e buscar seus  próprios interesses. Dentre as tantas “novidades”, uma onda egóica atende pelo nome de “sologamia” ou “autocasamento”. É isso mesmo. Cresce a cada dia o número de pessoas que resolveram se casar com elas mesmas. Os eventos são realizados com pompa e circunstância, bolo, convidados e, pasmem, lua de mel.

Os “sologâmicos” alegam que o “autoamor” constitui uma demonstração inequívoca de amor próprio, sugerindo que “toda forma de amar vale a pena”. Possivelmente, outro refrão  dos que surfam nessa onda é “eu me amo, eu não consigo viver sem mim”. Tudo isso, além de se mostrar uma doentia e terrível exarcebação do ego, evidencia um enorme distanciamento de Deus, que nos criou para termos comunhão uns com os outros. "Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda" (Gn 2.8).  

A “sologamia”, em síntese, é tão-somente mais um ato de rebeldia contra o Criador. Sinais dos tempos.  “O tempora! O mores!”


Soli Deo Gloria!

domingo, 18 de março de 2018

CONHECER A DEUS - JOÃO CALVINO


AMOR: ÁGUA DA VIDA



por Delmo Fonseca

Quem nunca foi amado dificilmente saberá amar, ou seja, quem não experimentou a sensação de ser amado não pode dizer que ama. O apóstolo João afirma: “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19). Só se pode conhecer o amor de Deus por meio da experiência de ser amado. Só quem tem noção da própria miserabilidade pode experimentar este amor. “Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes” (Mc 2:17). Ao sermos alcançados pelo amor de Deus, experimentamos o que há de mais sagrado, porque Deus é amor. “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).

João narra um episódio em que Jesus trava um diálogo com uma mulher junto ao poço de Jacó. A peculiaridade desta samaritana é que ela fora casada cinco vezes e se encontrava num sexto relacionamento. Jesus sabia que esta mulher nunca tinha sido amada. Consequentemente ela não conseguia amar. Isto prova que o amor não é uma questão de querer ou não querer, não é uma questão de tentativas. Mas de ter ou não ter. Amor é afeto. Quem nunca recebeu afeto não consegue ser afetuoso, pois não possui afeto para doar.

E de que maneira Deus manifesta seu amor? Ele partilha este dom precioso por meio de pessoas. O amor pode ser herdado a partir de Cristo e passado de geração em geração. A mulher samaritana conheceu o amor por meio de Jesus, isto é, Deus em pessoa.  Ela sentia a maior das sedes, a de ser amada. Jesus compara a emoção que comumente chamamos de amor à água que não mata a sede. Ao mesmo tempo ele promete saciar nosso desejo de sermos amados. A mulher samaritana representa nossa natureza carente de amor, nossa incapacidade de amar por meio do nosso próprio amor. “Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna” (Jo 4.14).

O amor de Deus é esta água que todos os dias Cristo oferece. Jesus, por meio da maravilhosa graça sacia nossa sede de amor. Somos amados incondicionalmente. Seu amor nos cura, nos sara. Seu amor nos faz deixar o que perece para trás e convidar amigos e familiares para beberem da água da vida. E de graça.


Soli Deo Gloria!



sábado, 17 de março de 2018

SER SANTO - PAUL WASHER


PARA QUEM TEM OUVIDOS


por Delmo Fonseca |

Quer você se volte para a direita quer para a esquerda,
uma voz nas suas costas dirá a você: "Este é o caminho; siga-o".
 Isaías 30.21

Você sabia que o inimigo de nossas almas nos quer de olhos bem abertos, porém de ouvidos bem fechados? O motivo é simples: somos capturados pelo olhar, somos tentados por aquilo que está diante de nossos olhos. Atente-se para este fato narrado por Lucas: “E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num instante todos os reinos do mundo” (Lc 4.5).  Observe que foram mostrados a Jesus todos os reinos do mundo. Do alto do monte ele teve uma visão panorâmica do poder que impera neste mundo.  Mas Jesus resistiu.  E o diabo fugiu. “Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós!”, nos ensina Tiago (4.7), irmão do Senhor.

No Éden a serpente sugeriu que Eva não desse ouvidos a Deus, o qual alertara ao casal a respeito da morte como consequência pelo pecado da desobediência. No entanto, a serpente convenceu Eva de que a visão é mais importante do que a audição, ver é melhor do que ouvir: “Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, conhecedores do bem e do mal” (Gn 3.4,5). Ao se deixar seduzir pela serpente, Eva viu que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela. Então foram abertos os olhos de ambos” (Gn 3.6,7).

A partir deste episódio podemos constatar que o ser humano privilegia a visão em detrimento da audição. Quase todo mundo quer ver e ser visto o tempo todo. Daí o fato de vivermos num tempo em que uma imagem tende a valer mais do que mil palavras faladas. Em que se baseia o poder da televisão, dos big brothers, facebooks e youtubes senão numa explosão de imagens o tempo todo? Toda essa ênfase no olhar faz com que andemos na contramão da vontade de Deus, que desde o princípio se fundamenta no ouvir.

Ao instruir o povo hebreu, Moisés não disse “olhe”, “veja”, mas... “Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças” (Dt 6.4,5). Quando Jesus foi transfigurado, tendo ao seu lado Elias e Moisés (Mt 17.4,5), além das companhias de Pedro e os irmãos Tiago e João, “uma nuvem luminosa os envolveu; e eis, vindo da nuvem uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi”.
Cristo, o Filho amado, é a voz de Deus (Vox Dei). É por meio dele que o Pai fala em nossos dias: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo” (Hb 1.1,2).
Em meio ao turbilhão de imagens que nos assaltam a todo momento, desviando nossa atenção do que realmente importa, deixamos de ouvir a voz de Deus, e, assim, negligenciamos sua vontade. Nesse sentido, à semelhança de Adão e Eva nos deixamos seduzir pela serpente, o inimigo de nossas almas.
Costumamos encontrar tempo para tudo, menos para ouvir a voz de Deus. Se não ouvirmos sua voz como creremos e cresceremos no conhecimento de sua Palavra? “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão se não houver quem pregue? E como pregarão se não forem enviados? Como está escrito: ‘Como são belos os pés dos que anunciam boas novas! ’ No entanto, nem todos os israelitas aceitaram as boas novas. Pois Isaías diz: ‘Senhor, quem creu em nossa mensagem?’ Consequentemente, a fé vem por ouvir a pregação, e a pregação é ouvida mediante a palavra de Cristo” (Rm 10.14-17).

Que os nossos ouvidos estejam abertos para a voz do Espírito, tal como reagiu o salmista Davi: “Uma vez Deus falou, duas vezes eu ouvi, que o poder pertence a Deus. Contigo também, Senhor, está a fidelidade. É certo que retribuirás a cada um conforme o seu procedimento” (Sl 62.11,12).

Que o nosso proceder se baseie na palavra de Cristo, que todos os dias fala ao nosso coração e diz “...Quem tem ouvidos, ouça”. 

Soli Deo Gloria! 

quinta-feira, 15 de março de 2018

quarta-feira, 14 de março de 2018

GUARDAR A FÉ


por Delmo Fonseca |

“Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela”.
[Trecho do poema Guardar, de Antonio Cícero]

A poesia se vale da metáfora para dizer o que não se consegue apenas com a prosa, ou seja, a poesia ilustra o essencial, aquilo que não pode ser descrito sob pena de se perder. Em outras palavras, a poesia guarda. Aquilo que é guardado e esquecido, na verdade foi sepultado e não guardado. Você se lembra de todos os papeis, roupas e endereços que já guardou? Se não, o que você fez foi enterrar na memória todas essas coisas em vez de guardá-las.

Os melhores dicionários assim definem o verbo guardar: tomar conta; zelar por, vigiar para defender, proteger, preservar. Um vigilante, por exemplo, assume o compromisso de proteger o que lhe foi confiado. Ao aplicar esse raciocínio à fé, segue-se a pergunta: você tem guardado a sua fé? Ou melhor: você tem zelado, protegido e defendido a sua fé? Se a sua resposta for sim, como você tem procedido?

O sábio ensinou: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv 4.23). Mas o ponto nevrálgico da jornada cristã consiste neste fato: será que guardamos adequadamente a fé que nos foi dada?

Em carta ao jovem Timóteo, o apóstolo Paulo concluiu: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (2Tm 4.7). A exemplo de um pastor amigo, também gosto de ler esse versículo assim: “combati o bom combate e completei a carreira, porque guardei a fé”. De outra forma você também poderá concluir: “porque guardei a fé, consegui combater o bom combate e completar a carreira”. O apóstolo Paulo guardou a sua fé mantendo-se fiel ao evangelho de Cristo. E ele nos orienta a sermos seus imitadores.

Mas como podemos imitar o apóstolo da graça, que era imitador de Cristo (1Co 11.1), se não guardarmos a fé? Há que se ter a noção de que não podemos prescindir “do escudo da fé, com o qual apagamos todos os dardos inflamados do Maligno” (Ef 6.16). Há que se ter a noção de que “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11.6). Há que se ter a noção de que “a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: o justo viverá por fé” (Rm 1:17).

Quando deixamos de guardar a fé? Em diversas ocasiões: nas adversidades, quando murmuramos em vez de confiarmos em Deus; quando achamos que possuímos algum mérito diante do Senhor; quando a Palavra já não nos sensibiliza; quando pensamos que o ato de congregar não é mais necessário para o nosso crescimento; quando a oração é negligenciada; quando somente as Escrituras não bastam; quando perdemos a perspectiva da vida eterna.

Às vezes a fé parece melhor compreendida por meio de metáforas, como se poesia fosse, mas é no dia a dia, na prática cotidiana que aprendemos a guardá-la. E lembrando mais uma vez o poeta,
“Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela”.

Soli Deo Gloria!

segunda-feira, 5 de março de 2018

FEBRE VERMELHA: UM SINTOMA DA ESQUERDOPATIA


por Delmo Fonseca |

Esquerdopatia é um neologismo tipicamente brasileiro. O termo cai como uma luva se procuramos, com sinceridade, entender essa “febre vermelha”, fenômeno que se caracteriza por uma paixão pela irracionalidade. Paixão, nesse caso, oriunda do grego pathos, denotando um sentimento doentio.

O Esquerdismo também pode ser comparado a um câncer, que ao produzir metástase, se expande e afeta diversas células do organismo social, dentre elas a família e a igreja.

Segundo o Dr. Lyle Rossiter, um psiquiatra forense e autor do livro  “The Liberal Mind: The Psychological Causes of Political Madness” (“A Mente Liberal: As causas psicológicas da loucura política”)... “a agenda esquerdista recomenda a negação da responsabilidade pessoal, incentiva a autopiedade e autocomiseração; promove a dependência do governo, assim como a indulgência sexual; racionaliza a violência, pede desculpas pela obrigação financeira, justifica o roubo, ignora a grosseria, prescreve reclamação e imputação de culpa; deprecia o matrimônio e a família, legaliza todos os abortos, desafia a tradição social e religiosa; declara a injustiça da desigualdade, e se rebela contra os deveres da cidadania.”

E mais: “Por meio de direitos múltiplos para bens, serviços e status social não adquiridos, o político de esquerda promete garantir o bem-estar material de todos, fornecendo saúde para todos, protegendo a autoestima de todos, corrigindo todas as desvantagens sociais e políticas, educando cada cidadão, assim como eliminando todas as distinções de classe.

“O esquerdismo radical, assim, ataca os fundamentos da liberdade civilizada. Dadas as suas metas irracionais, métodos coercitivos e fracassos históricos, juntamente aos seus efeitos perversos sobre o desenvolvimento do caráter, não pode haver dúvida da loucura contida na agenda radical.

“Só uma agenda irracional defenderia uma destruição sistemática dos fundamentos que garantem a liberdade organizada. Apenas um homem irracional iria desejar o Estado decidindo sua vida por ele, ao invés de criar condições de segurança para ele poder executar sua própria vida. Só uma agenda irracional tentaria deliberadamente prejudicar o crescimento do cidadão em direção à competência, através da adoção dele pelo Estado. Apenas o pensamento irracional trocaria a liberdade individual pela coerção do governo, sacrificando o orgulho da autossuficiência para a dependência do bem-estar. Só um louco iria visualizar uma comunidade de pessoas livres cooperando e ver nela uma sociedade de vítimas exploradas pelos vilões.”

A distorção da realidade é outra loucura típica dos “esquerdopatas”. Com isso ignoram a seguinte advertência do Senhor: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!” (Is 5.20).

Oremos para que o Espírito Santo dê discernimento à família da fé, a fim de que todos os que foram afetados por essa febre sejam curados a tempo de servirem a Deus com mentes saudáveis. “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2).

Soli Deo Gloria!

sábado, 3 de março de 2018

O EU CRUCIFICADO



por  Delmo Fonseca |

“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim”. Gl 2.20

O que se passa na mente daqueles que se encontram no corredor da morte, à espera da execução numa cadeira elétrica? Será que possuem planos para o futuro? Possuem sonhos? Em outras palavras, quais são as perspectivas de um condenado à morte? Disse Jesus: "Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a vida por minha causa e pelo evangelho a salvará”. (Mc 8:34-35).
Sabe-se que na época em que o Senhor proferiu estas palavras, todos os ouvintes viviam num contexto em que o Império Romano, ao condenar um criminoso à crucificação, forçava-o a carregar a própria cruz até o lugar indicado, a não ser em casos em que alguém era chamado para dividir o peso da cruz com o condenado. 

Jesus se valeu desta realidade para dizer: "Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. Os que escolhiam seguir o Senhor deviam se conscientizar do seguinte fato: havia um EU a ser crucificado. “Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a vida por minha causa e pelo evangelho a salvará”.
Temos diante de nós este paradoxo: ao escolhermos salvar a própria vida acabamos por perdê-la, pois seremos acolhidos pelo espírito deste mundo. Mas se escolhermos perder a vida por causa de Cristo seremos acolhidos pelo seu Espírito. Há muitas maneiras de “salvar” a própria vida, pois o mundo apresenta um cardápio variado de como viver para si mesmo, como buscar a felicidade a qualquer custo, como viver sem Deus. O viver somente para si se configura como uma rejeição à cruz. Quando tomamos nossa cruz, diariamente, estamos afirmando que nosso ser natural, com suas paixões e fraquezas, está condenado à morte. 

Outra vez disse Jesus: “Se alguém vem a mim, e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não tomar a sua cruz, e vier após mim, não pode ser meu discípulo” (Lc 14.25-27). Novamente somos desafiados a andar na contramão do mundo, pois constatamos que não há problema algum, por parte de muitos, em dizer “não” para o Senhor; no entanto, quando se trata de um negócio, família, amigos, lazer ou outra ocupação o “sim” é sempre automático. 

O apóstolo Paulo faz a seguinte observação: “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2Co 2.14-15). Saber que o Senhor Jesus, por amor, morreu para que tivéssemos vida eterna deveria gerar um constante constrangimento, mas quem se atenta para este fato? Saber que ele morreu para que os que vivem não vivam mais para si deveria gerar a certeza de que não temos outra escolha a não ser carregarmos nossa cruz. Mas quem se importa? 
A nossa oração é para que tenhamos o mesmo entendimento do apóstolo Paulo, que assim concluiu: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2.20). 


Soli Deo Gloria!

IDEOLOGIA: NÃO QUEIRA UMA PARA VIVER



por Delmo Fonseca |


“Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência” (Dt 30.19)


Ao perguntar pelo sentido da vida, o ser humano faz um bom uso de sua razão. Talvez pelo fato de muitos não apreciarem o valor da vida, acabam por banalizar a própria existência e desvalorizar a vida do outro. É dessa forma que o homem perverso, o “lobo em pele de cordeiro”, se move no mundo. Para ele a vida não possui valor algum; por isso, sem nenhuma piedade, rouba, mata e destrói. “O ladrão vem somente para matar, roubar e destruir...” (Jo 10.10).

No entanto, há quem queira o melhor da vida e ainda não conheça os meios para obtê-la. Nessas horas as ofertam surgem aos borbotões. A ciência apresenta sua fórmula, a religião anuncia seus propósitos, a ideologia mostra suas artimanhas. O ser humano, que por muito tempo deixou-se guiar por tradições religiosas, com seus variados mitos e ritos, rendeu-se efusivamente ao pragmatismo científico, para logo concluir que a existência ainda carecia de sentido. Como tábua de salvação lhe foi sugerido a adoção de uma ideologia.

Afinal, em que consiste uma ideologia? Grosso modo, ideologia é um conjunto de ideias ou pensamentos de uma pessoa ou de um grupo de indivíduos, tendo como pressupostos uma gama de meias verdades e premissas falsas. Tomemos como exemplo o Comunismo: é uma ideologia que prega a abolição da propriedade privada e o fim da luta de classes (oprimidos x opressores), além da construção de um regime político e econômico que possibilite o estabelecimento da igualdade e justiça social entre os homens. Para a ideologia comunista, os fins justificam os meios. Você acha razoável viver numa sociedade sem liberdade de expressão, liberdade política e econômica, sem liberdade de professar sua fé em Cristo? Os governantes de países como China, Coreia do Norte, Cuba, Venezuela e, recentemente Bolívia, acham muito natural.

Outra ideologia marcante é a do “politicamente correto”, que não admite oposição e discordância. Você poderá ser taxado de homofóbico, machista, racista, moralista, fascista e muitos outros “istas” se não rezar na cartilha da “geração mimimi”.  Um lembrete: depreciar o cristianismo, falar contra a Bíblia e a igreja não tem problema. Criticar outra religião, que não seja a cristã, é intolerância religiosa.  E quanto à “ideologia de gênero”? Este é um caso a ser abordado com mais acuidade em outra oportunidade. Ainda assim muitos cantam: “Ideologia / Eu quero uma pra viver” (Cazuza).  

É lamentável perceber que muitos líderes religiosos se apegam a ideologias em vez de se atentarem ao evangelho de Cristo. Da mesma maneira, é lamentável como determinadas ideologias invadem sutilmente uma boa parte da igreja. E a vida nesta história toda, como saber se há vida no que está sendo transmitido às pessoas?

A resposta está na observação estrita das Escrituras, o que contraria qualquer ideologia. O conhecimento e a prática da Palavra conferem sentido à existência, pois as promessas de Deus se tornam um lastro de esperança. E a vida só tem sentido quando há esperança. E esse lastro é Cristo, âncora da nossa alma... “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14.6).

Soli Deo Gloria!