sábado, 10 de fevereiro de 2018

UM LEÃO AO DERREDOR



por Pr. Delmo Fonseca |

Nas Escrituras encontramos um sem número de referências àquele que consideramos o rei dos animais. Constatamos que estas menções não são gratuitas, pois o leão sempre exerceu fascínio sobre o ser humano. O leão, como símbolo, aparece em brasões de reis, automóveis, escudos de times de futebol etc. Até mesmo uma famosa companhia cinematográfica faz uso da imagem de um leão rugindo em sua logomarca. Logo, não é de se estranhar a associação que o apóstolo Pedro faz entre o maioral dos felinos e o diabo. “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1Pe 5.8).

Por que o adversário de nossas almas é comparado a um leão? Ora, o “maioral dos demônios” (Mt 12.24), pela sua astúcia e estratagemas não poderia ser comparado à lebre ou ao esquilo, mas ao leão ou à serpente. Se não, vejamos: um leão, a exemplo de um grande estrategista, sempre se posiciona de maneira contrária ao vento. Ele passa um tempo escondido, espreitando e “estudando” a presa, silenciosamente, para no momento certo empreender o ataque. Assim que o intento é realizado, qual seja, abater a presa, o leão solta seu rugido a fim de chamar o restante do bando. Sem a presa o leão “quase” não ruge: “Bramirá o leão no bosque, sem que tenha presa? Fará ouvir a sua voz o leão novo no seu covil, se nada tiver apanhado?” (Am 3.4). 

Propositadamente destacamos o “quase” porque há um caso em que o leão ruge sem a presa. Trata-se do leão velho. Este, por não possuir a força de outrora, não poder mais perseguir a presa, põe em prática outro plano. Seu rugido tende a apavorar os animais mais frágeis, que em dado momento sucumbem. O rugido do leão velho é incessante, pois ele cerca a presa com o intuito de cansá-la e derrotá-la. “Perece o leão velho, porque não tem presa; e os filhos da leoa andam dispersos” (Jó 4.11). 

O apóstolo Pedro não traçou um paralelo entre o leão e o diabo à toa. Será o adversário um leão jubado ou um leão velho? Ser sóbrio e vigilante, como nos aconselha Pedro, também significa “não pagar pra ver”. No entanto, muitos ignoram esta recomendação e vivem como se o mundo não fosse um mundo mau, tenebroso; como se o mundo não tivesse um príncipe. Em outras palavras, o crente brinca de ser crente mas o diabo nunca brinca de ser diabo. “Estamos cientes de que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno” (1Jo 5.19). 

O apóstolo Paulo nos admoesta: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo” (Ef 6.11). A conclusão não poderia ser outra: o leão ruge ao derredor e muitos se deixam levar por seu bramido. Quantos relacionamentos enfraquecidos, famílias desestruturadas, corações partidos, lares desfeitos e vidas ceifadas porque aquele que “veio roubar, matar e destruir” fora simplesmente ignorado. Por meio da Palavra nos fortalecemos, pois permanecemos cada vez mais unidos ao Pastor e Bispo das nossas almas, Cristo Jesus (1Pe 2.25).

Assim, nos sentimos encorajados e nenhum rugido fará eco em nossas vidas, pelo contrário, nos tornará ainda mais vigilantes, conforme nos orienta Tiago (4.7), o irmão do nosso Senhor: “Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.”


Soli Deo Gloria



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