terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

HÁ UM BÁLSAMO EM GILEADE



por Delmo Fonseca |


 “Acaso não há bálsamo em Gileade?
 Ou não se acha lá médico?” – Jr 8.22.

A história de José é conhecida. Ainda jovem fora vendido por seus irmãos a uma caravana de ismaelitas a caminho do Egito. Os comerciantes vinham de Gileade, e os camelos transportavam bálsamo e outros artigos (Gn 37.25).  Esse breve relato indica o quanto o bálsamo de Gileade era muito valorizado no Oriente Médio. Tal preciosidade se dava pelo fato de suas propriedades serem cosméticas e terapêuticas.

A região de Gileade se caracterizava por suas montanhas ao leste do rio Jordão,  rica em florestas e pastagens, além do valioso bálsamo aromático, um líquido consistente que podia ser extraído das plantas, tornando-o exclusivo.  Quase sempre, peregrinos que seguiam para Jerusalém, encontravam em Gileade alívio e restauração para seus corpos cansados. O perfume exalado pelas plantas revigorava os viajantes.

Este preâmbulo se faz necessário para que possamos entender o questionamento do profeta Jeremias (8.22): “Acaso não há bálsamo em Gileade? Ou não se acha lá médico?” Antes mesmo de o profeta Jeremias constatar a condição de enfermidade espiritual de Israel,  Isaías já havia apresentado o seguinte diagnóstico: “Da sola do pé ao alto da cabeça não há nada são; somente machucados, vergões e ferimentos abertos, que não foram limpos nem enfaixados nem tratados com azeite” (Is 1.6).

Mesmo diante dessa realidade, o povo se negava a reconhecer suas mazelas, configurando assim num ato de soberba e desobediência. Mas Jeremias confrontava-o com a seguinte verdade: “Ninguém se arrepende de sua maldade e diz: ‘O que foi que eu fiz?’ Cada um se desvia e segue seu próprio curso, como um cavalo que se lança com ímpeto na batalha. Até a cegonha no céu conhece as estações que lhe estão determinadas, e a pomba, a andorinha e o tordo observam a época de sua migração. Mas o meu povo não conhece as exigências do Senhor” (Jr 8.6,7).

Jeremias nos lembra: O SENHOR é exigente. Ele nos aponta o caminho que devemos andar a fim de sermos curados. Mas o povo de Israel ignorava as exigências de Deus e se lançava nos braços da rebeldia. Em vez de buscar consolo e entendimento no Senhor, volta-se para a idolatria: "O Senhor não está em Sião? Não se acha mais ali o seu rei? " "Por que eles me provocaram à ira com os seus ídolos, com os seus inúteis deuses estrangeiros?" (Jr 8.19). O povo realmente estava doente e não reconhecia.

A impressão que temos é que nada mudou, pois o povo continua a sofrer por não conhecer sua própria enfermidade espiritual. Como no tempo de Jeremias, “o povo não conhece as exigências do Senhor. Cada um se desvia e segue seu próprio curso, como um cavalo que se lança com ímpeto na batalha”. Vão em busca de soluções mágicas a fim de tamponar certas feridas que são resultado de transgressões contra a Lei de Deus. Quando a solução está no arrependimento: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9).

Temos em Cristo nosso bálsamo, alívio para nossas dores e cura para nossas enfermidades. A pergunta de Jeremias ainda ecoa: “Acaso não há bálsamo em Gileade? Ou não se acha lá médico?” O povo de  Israel, tendo bálsamo tão próximo, insistia em buscá-lo em outras terras; nós, tendo Cristo tão próximo, por que, muitas vezes, buscamos bálsamo nos ídolos modernos como o dinheiro, por exemplo? O tempo passa mas nossa tendência ao engano permanece.


Mas há um bálsamo em Gileade.  Sem que saibamos, muitas vezes somos surpreendidos como José, que no Egito já na condição de governador, recebera do seu pai, Jacó, “um pouco de bálsamo, um pouco de mel” (Gn 43.11). Semelhantemente Deus é nosso Pai e, Cristo é nosso bálsamo, nosso mel. Assim, temos a certeza de alívio e refrigério em nossa peregrinação, além de sempre que necessário, doce ao nosso paladar. 

Soli Deo Gloria!

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