terça-feira, 20 de novembro de 2018

A LÓGICA DE SARAH


A LÓGICA DE SARA

por Delmo Fonseca |

Ainda que uma pessoa não saiba definir o que é Lógica no seu sentido estrito, poderá, no entanto, identificar se determinada proposição é ou não absurda. O fato é que mesmo antes de os gregos sistematizarem o raciocínio lógico, outras sociedades já possuíam critérios definidores do que era provável ou improvável. Analise a seguinte questão:  no nosso tempo, qual a chance de uma mulher engravidar aos noventa anos? Logicamente as chances são nulas, mesmo não sendo estéril. Mas esta foi a questão de Sara, mulher de Abraão.

Ao raciocinar sobre a probabilidade de seu marido vir a ser pai de uma grande descendência por seu intermédio, a conclusão a que Sara chegou pareceu óbvia; “não terei condições, mas minha serva, bem mais jovem do que eu, poderá fazê-lo” (Gn 16.1,2). Semelhantemente, em inúmeras ocasiões, reagimos da mesma forma diante de adversidades cuja solução beira à impossibilidade. Optamos pelo "óbvio".

O objetivo desta reflexão não é analisar as consequências do ato de Abraão ao acatar a sugestão de sua esposa, antes, o propósito é mostrar como a razão alienada da vontade de Deus pode ser prejudicial, pois desconsidera a existência de algo que transcende qualquer obviedade: o milagre. Viver pela fé traz desafios. Olhar para o horizonte e ter à sua frente somente as promessas de Deus é uma experiência que foge à lógica humana. Há inúmeros exemplos bíblicos que confirmam esta verdade.

Por seguirem a lógica de Sara, muitos crentes permanecem imaturos na fé. Estes buscam uma razão prática para congregar, pensam que frequentar uma igreja os blinda de problemas, angústias, dissabores. Ao perceberem que mesmo na caminhada com Deus os desafios não deixam de surgir, o ato seguinte consiste em abandonar a congregação. Se ao menos prosseguissem crendo nas promessas de Deus, o que exige renúncia à lógica do mundo, conheceriam seu atributo Provedor (Jeová-Jireh).

Conforme nos informa o autor da Carta aos Hebreus, a mesma Sara que outrora se mostrara cética,  pôde amadurecer na fé e se alinhar com a vontade de Deus: “Pela fé, também, a própria Sara recebeu poder para ser mãe, não obstante o avançado de sua idade, pois teve por fiel aquele que lhe havia feito a promessa” (Hb 11.11).

Sendo assim, para que o nosso pensamento também se alinhe ao propósito do Pai, antes devemos conhecer o evangelho, aplicá-lo em nossa vida cotidiana, submetermo-nos ao senhorio de Cristo, apesar do que propõe a lógica humana. “Não há inteligência alguma, nem conhecimento algum, nem estratégia alguma que consiga opor-se à vontade do SENHOR” (Pv 21.30).

Soli Deo Gloria!

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