sábado, 15 de dezembro de 2018

POR QUE VOCÊ QUER SABER?



 [marcia b. fonseca]

“O homem é escravo do que fala e dono do que cala. Quando Pedro me fala de João, sei mais de Pedro do que de João” [S. Freud]

Sou neta de uma catalã que me ensinou grandes lições.  Uma delas merece destaque neste meu escrito. Lá vai: “quem muito quer saber, mexerico quer fazer”.  Não sei se você já passou pela experiencia de estar ao lado de alguém que te crava de perguntas. É muito desagradável. Até porque você não é obrigado a dividir com ninguém algo somente seu.  Ao longo destes anos lidando com pessoas, sei o quanto é difícil, muitas vezes dolorido, para alguém falar algo que lhe machuca, ou machucou no passado.  Feridas doem, às vezes sangram, nem sempre cicatrizam definitivamente.  Sem sombra de dúvida, quem muito pergunta é no mínimo insensível, algumas vezes indiscreto; outras, inconveniente.  Vale também analisarmos aqui os motivos de alguém querer saber tanto de um outro – saber e falar. Os “comentários” nunca são inocentes e é bom colocarmos as coisas em seus devidos lugares.  Fofoca é um mal, nunca é de boa conduta e pode causar danos irreversíveis ao outro.

As pessoas fofocam porque almejam se sentir parte de um grupo e esse hábito que pode tornar-se um vício, remonta à época dos primeiros homens e esconde em si algo maligno.  Falar do outro em nossa cultura aproxima pessoas proporcionando risos, espanto e intimidade.   Por ser mimético o homem observa o comportamento do outro e “comenta” sobre as diferenças de comportamento, de fala, de posição cultural, intelectual ou financeira.  Se somos cristãos, não devemos nos alinhar com a cultura do mundo, mas com a cultura cristã.

 “Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: se amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos.  Eis o amor de Deus: que guardemos seus mandamentos. E seus mandamentos não são penosos, porque todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” [1Jo 5.2-4].

Mas por que as pessoas são acometidas por estes impulsos verbais?  Um dos motivos que podemos listar é a inveja.  A inveja é sempre destrutiva, cabe aqui ressaltar.  Quando uma pessoa é admirada por alguns, fatalmente causará inveja em outros que logo usarão de comentários maldosos para que esta pessoa seja vista de outra forma pelo grupo.  Este comportamento torpe e maligno além de machucar o outro traz em si a capacidade de destruir reputações. 

“Não inveje os pecadores em seu coração; melhor será que tema sempre ao Senhor [Pv 23.17]

Um outro tipo de pessoa que se utiliza da fofoca com frequência é quem tem baixa autoestima.  Por sentir-se menor critica o outro para aliviar seu senso de pobreza de espírito. Assim, traça uma maneira vil de fazer-se notar.  
“É orgulhoso e nada entende. Esse tal mostra um interesse doentio por controvérsias e contendas acerca de palavras, que resultam em inveja, brigas, difamações, suspeitas malignas” [1Tm 6].

A ansiedade também pode fazer com que uma pessoa fale do outro pela simples compulsão em falar.  Neste caso são pessoas vazias e com pouca inclinação para atividades intelectuais. Coisas fúteis lhes interessa mais que as coisas sólidas do evangelho, que lhes daria conteúdo.  Assim, usam a fofoca para construírem, de forma equivocada, laços sociais.  Laços tênues que logo se diluirão.  Em nenhum relacionamento sólido cabe a fofoca. 

“Quando a ansiedade já me dominava no íntimo, o teu consolo trouxe alívio à minha alma” [Sl 94.19]

Se para nossos ancestrais a fofoca tinha um viés antropológico de sobrevivência, o homem comentava sobre seus adversários para obter informação e poder para assim escapar dos perigos.  Essa prática hoje é desnecessária.  Além do mais, Deus supre todas as nossas necessidades.  Por deflagrar hormônios fundamentais, como a serotonina, a fofoca ajuda a diminuir o estresse.  Por isso, os laços criados entre os fofoqueiros criam vínculos.  Porém, estes vínculos são rapidamente desfeitos logo aparecendo a necessidade de fazer outro “comentário”.  Até que o fofoqueiro adquire a inevitável reputação de uma pessoa que fala demais, tornando-se assim, indigno de confiança. 

Paulo nos alerta sobre aqueles que “aprendem a ser… tagarelas e intrigantes, falando o que não devem” [2Tm 5.13].

Lembremos que para viver o evangelho precisamos mais do que ter “boas intenções”.  Pode sempre haver a vontade e o pecado oculto de saber da vida dos outros, de ser aquele que “está a par”, ou de sentir-se envaidecido de poder “ajudar”.  Aconselhamento é coisa muito séria, é sempre bíblico e precisa de estudo teológico e da Palavra.  É preciso que o irmão queira falar.  A intimidade de uma vida pertence a Deus.  Estudemos mais, oremos mais. Estejamos preparados para no momento oportuno dizermos: “Eis-me aqui, Senhor” e é o Senhor que te enviará para que você diga: “Eis-me aqui, meu irmão”.  Não nos é dado quebrar a confiança de um irmão, por melhor que seja nossa intenção original.

.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

EXPOSIÇÃO EM ATOS DOS APÓSTOLOS 25.1-12




TEMA: PAULO PERANTE FESTO

A primeira parte de Atos 25 trata do julgamento do apóstolo Paulo diante de Festo e dos judeus em Cesareia.

Há três destaques neste julgamento: os judeus acusadores; o governador Festo, que em muito diferia de Félix; e o apóstolo Paulo.

Você e sua família são nossos convidados.


quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

TUDO É VAIDADE?



[marcia b. fonseca]

Fausto, de Goethe, centraliza o tema da insuficiência – não importa a experiência, ela é insuficiente.  Pobre homem que não crê na suficiência de Deus.  Flaubert em “A Tentação de Santo Antão” conta que o santo, após resistir às investidas do demônio, o faz desistir.  O penitente, de joelhos, agradece a Deus, em seguida se vangloria de ter finalmente se tornado um santo. O demônio volta - “fostes vaidoso”.   Grande questão humana: Vaidade. 

O orgulho está inserido no contexto humano desde sua criação, quando Adão come da árvore do conhecimento.  Assim começa a humanidade.  De curiosidade em curiosidade, desobedecemos a Deus.  De vaidade em vaidade somos enredados às teias da fantasia por acreditar sermos mais do que somos. 

“Como você caiu dos céus, ó estrela da manhã, filho da alvorada! Como foi atirado à terra, você, que derrubava as nações!” (Is 14.12).

O problema é sabermos a medida de nosso narcisismo.  Explico: uma vez um aluno me disse que achava a linguagem de um determinado pensador difícil.  Sob a minha ótica, já tendo observado a falta de articulação do aluno, eu diria que o problema não era do pensador.  O aluno não foi capaz de reconhecer sua mediocridade.  O narcisismo exacerbado nos dá lentes egocêntricas.  Daí o velho dito: a culpa é sempre do outro. 

“Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?” (Mt 7.3). 

Em Eclesiastes, livro escrito pelo Rei Salomão, filho de David, já velho e mais sábio, traz uma retórica interessante: “Vaidade de vaidades, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade” (Ec 1.2).  Vaidade, característica basilar que atravessa nossa humanidade. Nem sempre íntima, a vaidade fala bem alto.  

Eclesiastes é um texto belíssimo.  A bem da verdade, não se coaduna com a liquidez dos dias atuais em que tradição e sabedoria têm sido rechaçadas, abrindo espaço para a fragilidade do presentismo e para a supremacia do desejo, marcando o hedonismo do homem contemporâneo. 

A vaidade enlouquece, literalmente.  Os egos estão poderosos o suficiente para adoecerem.  O orgulho está em pauta, e, como no exemplo de Santo Antão, o orgulho nosso de cada dia está presente até na virtude.  Quem está disposto a abrir mão de si mesmo para servir a Deus? 

Jesus disse: Segue-me (Mt 9.9).  Ou seja, abra mão de si mesmo e vem comigo.  Muitos ainda não conseguem abrir mão de si mesmos para seguirem Jesus.   A força da contemporaneidade está no eu e ao vivermos nesta cultura temos que cuidar para não sermos contaminados por seus valores: pelo consumismo, pela busca da beleza, pela indústria do entretenimento, pelos vícios – dos pecados mais expostos aos mais ocultos.  O “eu” em ruínas sofre e faz sofrer.  Não tendo valores em si, busca valores externos a si.   Sem valores em si, desvaloriza o outro.

“Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.  Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis.  Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mt 7. 19-21).

Os livros mais vendidos são os de autoajuda.  De literatura pobre, o sucesso dessas obras deve-se ao fato de dizerem ao homem exatamente aquilo que ele quer ouvir: “você pode”, você é um deus”, “tudo depende de você”, “querer é poder”.  Ditam palavras de ordem para a alegria – “seja feliz hoje”; para a riqueza – “pense grande”; e também para a saúde – “decrete sua cura”, “aposse-se da sua felicidade”.  A auto ajuda invadiu cabeceiras e púlpitos. 

A mentalidade infantil da lâmpada mágica, do gênio, da feiticeira, está entronizada de tal forma que o mundo quer magia.  Quer, e quer sempre mais.  Essa busca gera uma enorme frustração, gênese da depressão de muitos, da angústia da não realização de outros tantos, do estresse, da ansiedade.  A felicidade nunca foi tão buscada.  Há uma exigência em ser feliz.  Máscaras de sorrisos e a exposição da felicidade marcam as redes sociais.    

Nós não controlamos a vida.  Doença não dá em poste.  Temos perdas e ganhos.  Para a maioria de nós, mais perdas do que ganhos. Todos nós já passamos por fases bastante difíceis.  Temos tristezas.   Temos alegrias.  Criamos ilhas de tranquilidade.  Prazeres tem prazo de validade e o desejo fora de controle, rouba almas.  A realidade bíblica é bem diferente:

“Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo” (Jo 33.16).

Estamos nos perdendo dos verdadeiros valores humanos.  Ainda damos espaço para o que realmente importa? A generosidade, a amizade, o respeito, o colocar-se ao lado do outro, a ajuda desinteressada, a discrição, a modéstia...  Sabemos ouvir o outro, ou exigimos dele a concordância? 

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.  E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências.  Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito. Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros”   (Gl 5.22-26)

Não acredite em quem decrete alguma coisa para você.  O mundo está cheio de manipuladores que movidos, ou por vaidade, ou por dinheiro, pretendem algum controle, algum poder.   Precisam destes artifícios para sentirem-se valorizados.  Se querer fosse poder não existiria nem pobreza, nem doença no mundo.  Deus é soberano. Ele conhece todas as coisas.

“Ninguém há semelhante a ti, ó SENHOR; tu és grande, e grande é o poder do teu nome” (Jr 10.6).

O sentimento de grande satisfação com o próprio valor está na base de toda soberba. A humildade está fora de moda porque é confundida com baixa autoestima. Busca-se o orgulho como autoafirmação.   Precisamos ser corajosos até para encarar nossos fracassos, ou a banalidade da liquidez humana continuará nos assombrando.  Mediocridade e covardia caminham juntas.

“No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor” (1Jo 4.18).

A banalidade do falso bem é enfadonha. Nem tudo é vaidade.  Jamais seremos líquidos.  Precisamos da solidez das tradições.  Há misericórdia no mundo, há beleza até na dureza da vida e milagres acontecem. 

“... Os impossíveis dos homens são possíveis para Deus” (Lc 18.27).

sábado, 8 de dezembro de 2018

IGREJA NÃO É UM CLUBE


por  Vinicius Musselman*


Muitos de nós pensamos em membresia de igreja da mesma forma que o mundo pensa em um clube, e isso é mundanismo na sua vida. Nós pensamos em membresia de igreja como algo opcional, como se alguém que fosse genuinamente cristão e maduro pudesse simplesmente se comprometer a não amar ninguém, a viver uma vida sem amor ao próximo.

Quando Paulo escreve Efésios, em Efésios 1:15, ele reconhece a fé daqueles crentes por duas coisas: a fé que há entre vocês no Senhor Jesus e o amor para com todos os santos.

Não fale pra mim que você ama Deus, que você não vê, se você não ama nem sua igreja que você vê. Não fale pra mim que você vai dar sua vida para Deus em serviço, se você não faz nada na sua igreja local.

Membresia de igreja é um pacto que nós estabelecemos diante de Deus e dos nossos irmãos, de amar sacrificialmente como Cristo, aquela igreja local em particular. Ao nos desgastarmos em servi-los, ao suar em amá-los, é onde nós obedecemos aos mandamentos uns aos outros. É muito fácil você falar que ama o seu irmão quando o seu irmão não tem uma cara, quando o seu irmão não pisa no seu pé. Amar o próximo é amar aquele chato da sua igreja, assim como você também é chato.

Nós precisamos de um compromisso que não é baseado em conforto, mas um compromisso baseado em chamado. Um compromisso não baseado em conforto como o mundo faz. O mundo faz o seguinte: “eu vou me envolver com vocês, mas eu vou colocar um pé atrás. Eu vou ver como é. Se for bom eu gosto, eu fico. Enquanto é vantajoso pra mim eu fico. Me cutucou saio fora!” Isso não é amor. Isso é egoísmo. Ou, “não, eu vou me envolver de pouquinho em pouquinho. Vou amar vocês de pouquinho em pouquinho.” Imagina que você fosse casar com alguém e você vira para a sua excelentíssima: “olha, eu não vou me comprometer muito com esse casamento. Eu vou amar você de pouquinho em pouquinho, tá?” Você acha que ela iria gostar? Você acha que isso é amor? Isso é interesse! Isso não é comprometimento!

E muitas vezes a gente pensa assim da igreja.

Já cansei de ouvir pessoas reclamando que a igreja dela é fraca em comunhão, só que eles nunca convidaram uma pessoa para irem na casa deles. Já cansei de pessoas lamentando: “nossa, na minha igreja não tem comunhão verdadeira. As pessoas não se importam umas com as outras.” E nunca chamou alguém pra tomar um lanche em casa.

Ouça bem isso: comunhão custa!

Se você não está disposto a servir, você não quer comunhão, você quer ser visto, fastfood. Você quer um salão de beleza espiritual. Você quer seu psicólogo particular. Você não quer uma igreja. Se você não está disposto a servir, você não tem buscado comunhão em sua igreja, você tem buscado ser servido. E qual é o exemplo do nosso Senhor? Que ele veio para servir e não para ser servido. Porém, quando o mundo ver o empresário gastando duas horas sendo discipulado por um senhor idoso, que capinou terreno a vida inteira, mas extremamente piedoso, isso o mundo não consegue entender. Quando moças abdicam da saída de sexta-feira para visitar uma senhora doente no hospital, isso, esse mundo que despreza idosos, não consegue entender. Quando nós somos pacientes com aqueles que são diferentes de nós, com aqueles que nos incomodam – quando a própria pessoa chega perto e você fica incomodado – quando você demonstra paciência e amor, isso o mundo não consegue entender, porque o mundo é feito de relações líquidas, fúteis e vazias.

Mas a tristeza no meio de nós é que nossos irmãos muitas vezes somem e nós nem estamos aí. Nosso irmão está sofrendo e a gente nem sabe. O irmão está com uma dificuldade na família e não falou pra ninguém, e ninguém perguntou também. Como Tiago disse na roda dos inconformados, a gente deve fazer aquele perguntinha: “ei, tudo bem?” E o que a gente quer ouvir é: “Tudo. Passa reto!” A gente não quer que a pessoa fale: “Não, eu preciso conversar com alguém.”, “Ah, vamos então conversar!”.

Quando nós entendemos nossa identidade como filhos do Pai, a consequência disso deve ser fraternidade com os filhos, com os irmãos.

*(Ministério Fiel – Voltemos ao Evangelho)

EXPOSIÇÃO EM ATOS DOS APÓSTOLOS 24


ATOS 24
TEMA: PAULO PERANTE FÉLIX
O julgamento começa diante do governador Marco Antônio Félix, em Cesareia. O julgamento descrito em Atos 24 gira em torno de dois discursos, o de Tértulo, um orador profissional levado a Cesareia pelos judeus, e o de Paulo.
Você e sua família são nossos convidados.

sábado, 1 de dezembro de 2018

EXPOSIÇÃO EM ATOS DOS APÓSTOLOS 23.25-35


TEMA: A CARTA DE CLÁUDIO A FÉLIX
O comandante Cláudio Lísias escreveu a Félix, governador da província da Judeia, sobre o prisioneiro Paulo. Quais acusações pesaram sobre o apóstolo? Em que sentido esse acontecimento também aponta para Cristo?
Você e sua família são nossos convidados.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

DEPRESSÃO ENTRE PASTORES






por Marcia B. Fonseca

“Quando sofremos de depressão, desejamos que nossos pregadores, líderes cristãos e conselheiros saibam mais a respeito da prisão dentro da qual sofremos antes de se proporem a falar sobre ela”.  (Zack, E., A Depressão de Spurgeon, SP: Fiel, 2015)

A depressão revela-se como um fenômeno clínico que aponta para uma estrutura.  Medicamentos que visam tamponar, nem sempre dão conta dessa dor que desestrutura.  Não se pode saber o tamanho do sofrimento da alma humana.  O risco do suicídio aponta para a gravidade do caso. 

Com a proposta de fazer uma reflexão sobre o aumento dos casos de melancolia entre pastores evangélicos, impõe-se uma pergunta e uma preocupação: como esse líder pode remediar o próprio sofrimento com a palavra?  Uma palavra que viabilize a mudança de posição moldada pela tristeza dos aspectos negativos da experiência vivenciada. 

Podemos pensar então na depressão como uma retirada de cena.  Uma cena reflexo do real. Uma fuga daquilo que dói.  Pastores, além das responsabilidades pastorais, passam por dificuldades humanas típicas do convívio e da luta pela sobrevivência dos laços sociais, de seu ministério, de sua família, de seu desejo – mote da vida humana.  Até quando vamos fechar nossos olhos para a dor destes homens de Deus?   Quem ouve, está sendo ouvido? 

A depressão é um fenômeno singular que expõe a vulnerabilidade humana frente às vicissitudes desse mundo hostil.  Aparece como uma resposta mal construída ao luto de seus desejos castrados e de suas frustrações mal elaboradas.   Marca o cansaço.  A tristeza se imiscui impositiva e oferece suporte à alma em dor quando a ela é cobrada o dever do bem-dizer, do bem-agir e do bem-orientar.  É uma certa forma de acovardamento inconsciente cujo sujeito não sabe, ou não quer saber, sobre o algo que a determina.  Nesse cenário, quem cuida destes homens? Ou continuam conectados com a alegria, ou ruirão.  Penso ser essa uma das armadilhas que vem sendo utilizada por Satanás: mantê-los tão absorvidos pelos excessos de trabalho, de estudos, de atendimentos, de compromissos que perdem a conectividade com Deus, consigo mesmos, com a paz.    

Ouso dizer que, por suas próprias humanidades, estes homens precisam de pastores sinceros que os ouçam e lhes emprestem o ombro amigo da boa amizade.   Porém, sabemos que a palavra que viabiliza a mudança da posição moldada pela tristeza é a Palavra de Deus e é nela que encontramos os antídotos listados a seguir:

A oração frequente e insistente

Orar é dirigir todos os pensamentos para Deus.  É caminhar em sua presença, associando-se a Ele como Criador e mentor de sua vida e de tudo que você faz.  Seus desejos devem estar alinhados com Seus soberanos desejos. Ore sem trégua.  Nossa respiração deve exalar gratidão e oração.  Assim estaremos conectados em oração durante todo o tempo. 

Orai sem cessar.  “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” [1Ts 5.17-18].

A centralidade de Cristo – o evangelho puro e simples de Jesus

Essa verdade paulina tem sido cantada aos domingos em nossa congregação para que jamais esqueçamos desse ponto.   Se a cruz de Nosso Senhor for deslocada um centímetro sequer do centro de nossas vidas, o vazio será tão grande que sucumbiremos, porque nada será capaz de suprir essa falta. Repito, nada pode nos afastar da centralidade e da suficiência de Cristo:

“O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; porque nela foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.  E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência. Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse, E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus [Cl 1.15-20].

A meditação na Palavra

Através das Escritura nos é dado conhecer a Deus.  Ele se revela a cada dia em sua Palavra.  Meditar sobre sua Palavra é refletirmos sobre o Deus Pai, soberano que pelo beneplácito de sua vontade quis ter uma família, nos escolheu para sermos seus filhos, nos purificou pelo sangue de seu primogênito. Fomos comprados por alto preço! Logo, tudo que esse Pai de bondade incognoscível fez merece nossa total atenção e reflexão, voltando nossa mente para nosso Pai, ela estará a salvo dos pensamentos maus e dos enganos do nosso coração.

“Meditarei também em todas as tuas obras, e falarei dos teus feitos. O teu caminho, ó Deus, está no santuário. Quem é Deus tão grande como o nosso Deus?” [Sl 77.12,13]

A aplicação da Palavra

O conhecimento e o estudo da Palavra são dois requisitos básicos para sua correta aplicação. A Bíblia aponta para Cristo, nosso Redentor e Senhor, e nos ensina a nos relacionarmos com Ele.  O manejo da Palavra é essencial: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” [2Tm 2.15]. 

Quando conseguimos ver nossas angústias e nossos problemas no contexto bíblico de Jesus, somos imediatamente transformados por essa Palavra.  E essa transformação operada pelo Espírito é real, é duradoura, é maravilhosa porque teremos nos encontrado com a pessoa do Cristo.  Deus nos deu a Bíblia para que pudéssemos viver, sermos consolados e guiados em todas as áreas da nossa vida. “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança” [Rm 15.4].

Sou pastor e preciso ser curado

Que o pastor deve pastorear, não resta a menor dúvida.  Foi o próprio Senhor que claramente confiou a Pedro essa ordem:

“E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros. Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas” [Jo 21.15-17].

A missão pastoral que recebeu do Mestre, foi mais tarde lembrada:
“Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho” [1Pe 5.2-3].

Pastores têm temores, problemas, tristezas, angústias.  “Então lhes disse:  A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo”[Mt 26.38].  E Jesus então, no Getsêmani, orou ao Pai:  “E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres” [Mt 26.39].

Um pastor deve ter autoridade espiritual e teológica, disciplina, responsabilidade, zelo e amor para com aqueles a quem Jesus lhe confiou.  Algumas vezes, como Davi, um pastor precisa de perdão, misericórdia e cura:

“Senhor, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor.  Tem misericórdia de mim, Senhor, porque sou fraco; sara-me, Senhor, porque os meus ossos estão perturbados.  Até a minha alma está perturbada; mas tu, Senhor, até quando?  Volta-te, Senhor, livra a minha alma; salva-me por tua benignidade” [Sl 6.1-4].

Uma espiritualidade rica é permeada pela oração.  Oremos por nossos pastores.  Eles são aqueles que nos apontam para Cristo e nos conduzem com Ele a pastos verdejantes.  

“O que está sendo instruído na Palavra partilhe todas as coisas boas com aquele que o instrui” [Gl 6.6].

Cuidemos de nossos pastores.

sábado, 24 de novembro de 2018

A CEIA DO SENHOR - NOVEMBRO



A Ceia do Senhor é sempre um convite à renovação contínua da nova aliança. 

Jesus ressuscitou e n'Ele vivemos.


Neste domingo, dia 25 de novembro  às 9h, convidamos você e sua família para renovarem esta aliança com o Senhor!


Av. Dom Helder Câmara, 7962 - Piedade - Rio de Janeiro 




EXPOSIÇÃO EM ATOS DOS APÓSTOLOS 23.12-24

TEMA: CONSPIRAÇÃO CONTRA PAULO
Os conspiradores planejavam uma emboscada para matar Paulo quando fosse transferido da fortaleza Antônia para o lugar onde o Sinédrio estivesse reunido. Nas ruas estreitas e sinuosas de Jerusalém o assassinato seria mais fácil. No entanto, Paulo foi livrado mais uma vez. O que esse fato tem a ver com a igreja nos tempos atuais?
Você e sua família são nossos convidados.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

SOU CRISTÃ. COMO DEVO ME VESTIR PARA IR À CASA DO SENHOR?



por Marcia B. Fonseca

Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos,
Mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras.
                                              1 Timóteo 2:9,10

Sabe aquela saia que você viu na vitrine, mas que fica justa demais? Não é para você. Tampouco é para você o vestido justo demais, o decote chamativo, a estampa exagerada.  
Como devo me vestir para ir à casa do Senhor?  Paulo ensina que devemos nos vestir de forma honesta, guardando pudor, ou seja, devemos observar se estamos expondo demais nossos corpos.  Da mesma forma somos chamadas a nos vestir com modéstia, que significa vestirmo-nos de maneira sóbria, com simplicidade e moderação.  Logo, queridas irmãs, não há espaço para vestimentas exageradas, nem para roupas justíssimas e chamativas. 

Assim, esqueça a saia apertada de fenda lateral, esqueça também a maquiagem excessiva; observe seu modo de sentar, de agir e de falar.  Nossa conduta deve estar de acordo com os ensinamentos de Cristo a fim de que não sejamos desvalorizadas por estarmos em conformidade com as normas do mundo.
O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de joias de ouro, na compostura dos vestidos;
Mas o homem encoberto no coração; no incorruptível traje de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus
                                                     1 Pedro 3.3,4.

Pedro constrói um elo importante entre as vestimentas e o coração, dispensando assim qualquer regra, mas observando a importância de uma atitude certa no coração.  Onde está nosso coração quando nos vestimos para ir à igreja?  Se nossos corações estiverem errados, não seremos mansas e comedidas.  De outra forma, se nossos corações estiverem em Deus, toda regra será dispensada pois nos vestiremos com decência e seremos prudentes em nossas ações.
Para que tenhamos uma vida tranquila e mansa, em toda a piedade e honestidade;
1 Timóteo 2:2

Devemos ter uma vida tranquila e mansa para que nosso espírito reflita o caminhar com o Cristo, em bondade e generosidade, distantes da carnalidade.  Então, queridas, que possamos nos vestir para irmos ao encontro de nosso Redentor, cuidando de bem vestirmos, não somente nossos corpos, mas também nossos corações.
Ai do mundo, por causa dos tropeços! Pois é inevitável que venham; mas ai do homem por quem o tropeço vier!
        Mateus 18:7

A mulher cristã deve vestir-se com decência e graça, guardando seu corpo para seu esposo, pois somente a ele é dado o direito de deseja-la e conhecer seu corpo.  Em contrapartida, que nenhum homem venha a ter pensamentos impuros por conta de seu modo de vestir e se comportar, pois segundo a palavra, não somente ele, mas a mulher também estará em pecado.
            A mulher graciosa guarda a honra como os violentos guardam as riquezas.
           Provérbios 11:16

Fomos separadas por Deus para vivermos debaixo da graça por intermédio de Cristo Jesus e isso é maravilhoso!  Mas o que significa viver sob a graça de Deus?

Viver sob a graça de Deus

É um engano pensarmos que a graça nos livra de cumprirmos com nossas responsabilidades cristãs.  Jesus nunca curou sem responsabilizar.  Ao contrário, seu evangelho foi pautado pelas palavras: “Vá e não peques mais”. Não podemos pensar que a graça nos isenta da vigilância, ou nos habilita a uma liberdade desresponsabilizada para agirmos segundo nossos próprios egos. A verdadeira graça chama ao amor, à transformação, ao arrependimento, à obediência.  A graça é preciosa porque justifica o pecador, mas condena o pecado. De outra forma seria uma graça barata.
Tomo as palavras de D. Bonhoeffer, teólogo alemão, para ilustrar o que digo:
A graça barata é a graça que nós dispensamos a nós próprios. A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina comunitária, é a Ceia do Senhor sem confissão dos pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado.

A graça preciosa é o tesouro oculto no campo, por amor do qual o ser humano sai e vende com alegria tudo quanto tem; a pérola preciosa, para cuja aquisição o comerciante se desfaz de todos os seus bens; o senhorio régio de Cristo, por amor do qual o ser humano arranca o olho que o faz tropeçar; o chamado de Jesus Cristo, pelo qual o discípulo larga suas redes e o segue.

Essa graça é preciosa porque chama ao discipulado, e é graça por chamar ao discipulado de Jesus Cristo; é preciosa por custar a vida ao ser humano, e é graça por, assim, lhe dar a vida; é preciosa por condenar o pecado, e é graça por justificar o pecador. Essa graça é sobretudo preciosa por ter sido preciosa para Deus, por ter custado a Deus a vida de seu Filho –“vocês foram comprados por preço – e porque não pode ser barato para nós aquilo que custou caro para Deus.

A graça, queridas, é palavra viva, presente de Deus, expressão máxima de Seu amor por nós. 
Deus é fonte de toda graça. A graça é, portanto, um plano de Deus para que pudéssemos viver com Ele em proximidade. Para que isso fosse possível o Pai enviou seu Filho unigênito para mediar essa relação. Jesus é o canal de toda a graça, a única via para termos acesso ao Pai. Deste modo, o Cristo Jesus reconciliou graça e justiça:
            A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram.
        Salmos 85.10

E, finalmente, é o Espírito de Deus que nos move, que faz com que a boa palavra toque nossos corações, e nos converta ao caminho do Senhor e nos transforme.  O Espírito Santo revela a graça que nos foi concedida por Deus e nos chama ao entendimento do Verbo, Jesus Cristo.

De uma forma bastante econômica podemos dizer que a vestimenta surgiu no mundo criada por Deus, (in Gênesis 3.21), para cobrir o corpo e não para revelar.  Posto esse pensamento, podemos refletir na palavra:
            Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede ao de rubis.
        Provérbios, 31.10

Que Deus nos dê coragem e graça para que nós mulheres, continuemos no caminho.


Referências bibliográficas:
BONHOEFFER, D. , Discipulado, 2004. Sinodal.
GRESH, D., Secret Keeper, The delicate power of modesty. 2011, Paperback.
LISS-LEVINSON, W., In search of theological modesty. Wipf & Stock, 2015
SUNUKJIAN, N., Modesty, Biblical Exposition, 2012, NJ
http://www.truthaccordingtoscripture.com/documents/articles/modest-clothing.php#.Vi_1esurbIU
Bíblia Sagrada