quinta-feira, 11 de julho de 2019

A REDENÇÃO DO TEMPO




por Delmo Fonseca|

Que é, pois, o tempo? Em suas Confissões, Agostinho afirmou: “Se ninguém me pergunta, eu sei; porém, se quero explicá-lo a quem me pergunta, então não sei”. A partir dessa premissa agostiniana, presume-se que a abordagem sobre o tempo envolve uma. complexidade que desafia a razão. Ainda assim, por que precisamos compreender o tempo?

No salmo 90.12, Moisés clamou a Deus por esta compreensão: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.” Há uma correlação entre sabedoria e tempo, pois a prática do saber exige tempo. O salmista sabia que somente o Criador do tempo poderia nos ensinar a tirar o melhor proveito possível deste. Oxalá pudéssemos imitar Jonathan Edwards: “Resolvi nunca perder nenhum momento do meu tempo; mas, antes usá-lo da maneira mais proveitosa que eu puder”.

Ao tempo podemos atribuir algumas características como incerteza, duração e irreversibilidade. Nada sabemos do porvir, não controlamos sua fugacidade e muitos menos podemos reverter o que passou. “Dá-me a conhecer, SENHOR, o meu fim e qual a soma dos meus dias, para que eu reconheça a minha fragilidade. Deste aos meus dias o comprimento de alguns palmos; à tua presença, o prazo da minha vida é nada. Na verdade, todo homem, por mais firme que esteja, é pura vaidade” (Sl 39.4-6).

Outra característica do tempo é seu apetite devorador: o tempo tudo consome. Mas o que levou o tempo a correr contra nós em vez de se aliar a nós? Certamente a queda. O tempo também foi afetado pelo pecado adâmico. A queda transformou o que fora criado como tempo bom em algo mau. Por esta razão o apóstolo Paulo diz em sua Carta aos Efésios que precisamos “remir o tempo, porque os dias são maus”.

Segundo Calvino, ao dizer que os “dias são maus”, Paulo confirma que “tudo o que nos cerca tende à corrupção e desorientação; de modo a ser difícil para os piedosos caminhar por entre tantos espinhos e permanecer ilesos. Tendo a corrupção infectado nossa própria época, tudo indica que o diabo se apoderou dela com toda sua tirania; de modo que o tempo não pode ser dedicado a Deus sem que o mesmo seja, de alguma forma, remido”.

O que significa, porém, remir o tempo? Levando em conta o fato de que a remissão enseja um pagamento como resgate, qual será o preço desta redenção? Calvino sugere: “Fugindo das infindáveis seduções que facilmente nos perverteriam; desembaraçando-os das solicitudes e deleites do mundo; e, numa palavra, nos esquivando de todos os obstáculos.”

Porque os dias são maus nos vemos impelidos a abrir uma brecha no tempo a fim de que Deus se faça presente de maneira efetiva. Essa fenda no tempo é representada pelos momentos dedicados ao Senhor por meio da oração, leitura devocional e estudo das Escrituras. Nesse sentido, diferentemente de sua irmã Marta, Maria precisou remir o tempo para ouvir o que Cristo tinha a ensinar (Lc 10.40).

Quantos estão dispostos a pagar o preço da redenção do tempo? Quantos estão dispostos a saírem da zona de conforto para ouvir a exposição do evangelho? Vale sempre lembrar que o tempo urge: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor” (Ef 5.15-17).

Soli Deo Gloria!

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Fontes:

Agostinho, S. Confissões; São Paulo: Paulus, 1997. p. 17.

Calvino, J. Gálatas – Efésios – Filipenses – Colossenses. São José dos Campos, SP: Fiel, 2018. p. 335

As resoluções de Jonathan Edwards - by DesiringGod.org • © 2015 Desiring God Foundation.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

DEIXEM NOSSAS CRIANÇAS EM PAZ


por Delmo Fonseca |

A cultura humanista é um rio caudaloso e de tempos em tempos suas águas rompem as barreiras que o margeiam. Na prática, estas barreiras são compostas por leis e costumes. À semelhança de Cícero, que bradou “O tempora! O mores!” ("Ó tempos! Ó costumes!), diante da constatação da decadência moral e dos costumes dissolutos de Roma, podemos soltar um brado ainda mais retumbante, pois os costumes do nosso tempo fazem os de Roma parecerem pueris. Aliás, um dos diagnósticos dessa decadência aponta para o neopaganismo. Os “deuses” modernos têm sido objeto de culto e adoração por parte daqueles que ignoram o evangelho da cruz, que por natureza é contracultural.

A cultura cristã consiste num sistema de valores que se opõe frontalmente ao “espirito da época” (zeitgeist), o rio caudaloso que tudo arrasta. Um exemplo desse embate se encontra no campo da moralidade, especificamente no que diz respeito aos limites das ações humanas. Por estar mergulhada num relativismo moral, a cultura humanista reivindica uma liberdade irrestrita para o ser humano, ou seja, “toda forma de amor vale a pena”, até mesmo a pedofilia.

E ao tratarmos desse tema, cabe lembrar que a luta pela descriminalização da pedofilia, depois das campanhas em prol da legalização das drogas e do aborto, será o assunto em pauta da agenda humanista. O que para muitos se apresenta como novidade, há tempos vem sendo orquestrado por grupos privados e ONGs a fim de que esta perversão seja vista apenas como uma “preferência sexual”. É o que defende, desde 1978, a NAMBLA - North American Man/Boy Love Association (traduzível como Associação Norte-Americana do Amor entre Homens e Garotos). Para esta entidade, adultos podem manter relações sexuais com crianças sem nenhum prejuízo, desde que sejam consentidas.

Atente para este grave fato: caso a descriminalização da pedofilia se torne uma realidade, ainda que num futuro distante, nossas crianças estarão completamente desprotegidas. No entanto, esse futuro parece estar mais próximo do que imaginamos. Se antes a pedofilia era, de antemão, um delito sexual, a partir da edição do DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), esta parafilia, cujo foco envolve atividade sexual com uma criança pré-púbere, passou a ser tão-somente um transtorno. O que mudou? O pedófilo deixa de ser um abusador contumaz, do tipo “prende e joga a chave fora”, para se tornar mais uma “vítima” da fatalidade. Ainda que a ciência demonstre que tal mal seja incurável, o “coitado” deverá ser encaminhado para tratamento psicológico; afinal, ele não tem culpa de se sentir atraído por crianças. “O tempora! O mores!”

Por meio do evangelho, a cultura cristã confronta esse espirito maligno que insiste em atacar nossos pequenos. Não há trégua. A Palavra de Deus registra a importância das crianças no plano da redenção: “Mas, vendo os principais sacerdotes e os escribas as maravilhas que Jesus fazia e os meninos clamando: Hosana ao Filho de Davi!, indignaram-se e perguntaram-lhe: Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?” (Mt 21.15,16).

Em termos práticos, devemos estar atentos às ações dos legisladores, pois cabe a nós, cidadãos, fiscalizar e pressionar o parlamento com a finalidade de manter a sociedade ancorada em valores que beneficiem a todos. As leis não podem ser fruto de uma pressão advinda de uma minoria que ignora o Criador, mas resultado da vontade da maioria. Não podem ser forjadas por novelas, ideologias materialistas ou pensamentos ateístas. As estatísticas provam que no Brasil os cristãos são a maioria. Assim, a cultura humanista deverá ser apenas mais um rio... um rio a correr limitado por suas margens.

Soli Deo Gloria!

segunda-feira, 3 de junho de 2019

SOBRE PROFECIAS E "PROFETADAS"


por  Delmo Fonseca |

Os movimentos religiosos são pródigos em apresentar novidades. Há novidades do lado de lá e novidades do lado de cá, se considerarmos este lado de cá como o dos evangélicos brasileiros. Por ora analisemos uma das novidades do lado de cá: as tais “profetadas”. Este é um termo jocoso muito utilizado por aqueles que questionam a legitimidade dos irmãos e irmãs (“vasos”) que vez ou outra pronunciam a expressão “o Senhor me faz saber que…”

A partir do enunciado “o Senhor me faz saber que…”, segue-se um rosário de “visões”, “revelações” e o “manto de Jeová”, tudo advindo do Senhor. Há quem chame de profecias as famigeradas “profetadas”, tais como: “O Senhor me faz saber que… o irmão terá uma grande vitória no trabalho”; “O Senhor me faz saber que… a enfermidade da irmã sarará daqui a dois dias”; “O Senhor me faz saber que… um inimigo se levantará contra sua unção” etc.  Certa feita, ao visitar seu pai que estava internado, um amigo resolveu entrar numa congregação próxima ao hospital a fim de ouvir uma palavra que consolasse seu coração, pois  havia uma suspeita de que seu ente querido talvez não pudesse resistir ao procedimento cirúrgico. Tão logo esse amigo adentra o local e se acomoda na primeira cadeira disponível, um irmão se aproxima e diz: “Deus manda te dizer que entrará com providência e seu patrão irá considerar seu pedido”. Esse meu amigo saiu do recinto um tanto atordoado porque ele não tinha patrão, era um profissional liberal bem sucedido. Numa das conversas que tivemos a respeito pude apresentá-lo a um universo desconhecido para muitos, o dos “profetas” de plantão. Esse amigo fora vítima de uma “profetada”.

No Evangelho de Mateus o Senhor Jesus nos orienta a acautelar, isto é, nos precaver contra os falsos profetas. A este respeito John Stott comentou: “Ao dizer às pessoas que tivessem ‘cuidado com os falsos profetas’ (Mt 7.15), Jesus obviamente assumiu que eles existiam. Não faz sentido você pôr um alerta no portão do seu jardim: ‘Cuidado com o cão!’, se tudo que tiver em casa for um casal de gatos ou um periquito australiano. Não. Jesus alertou seus seguidores sobre os falsos profetas porque eles já existiam”.  

Na Bíblia há sinais de alerta por todos os lados concernentes a impostores, homens e mulheres que falam falsamente em nome do Senhor. Jeremias nos dá um exemplo: “E disse-me o Senhor: Os profetas profetizam mentiras em meu nome; não os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei. Visão falsa, adivinhação, vaidade e o engano do seu coração é o que eles vos profetizam” (Jr 14.14). O apóstolo João nos dá outro exemplo: “Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo” (1Jo 4.1).

Poderia enumerar muitas outras referências que tratam deste tema, no entanto, aproveito a sugestão do evangelista e apresento a questão: como conseguiremos provar se um espírito vem de Deus ou não? Já em Deuteronômio encontramos a resposta: “Mas o profeta que tiver a presunção de falar em meu nome alguma palavra que eu não tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá. E, se disseres no teu coração: Como conheceremos qual seja a palavra que o Senhor falou? Quando o profeta falar em nome do Senhor e tal palavra não se cumprir, nem suceder assim, esta é a palavra que o Senhor não falou; com presunção a falou o profeta; não o temerás” (Dt 18.20-22).

A pergunta que não quer calar: o “manto de Jeová” entregue por um “vaso ungido” pode ser de Deus? Eis o “mistério”. Se você não entendeu o “evangeliquês” farei a tradução:  a “revelação” advinda do “profeta” pode ser de Deus? Não dá para compreender”.  A verdade é que tudo isso não passa de um modismo, pois a revelação do Senhor não visa este ou aquele indivíduo em particular, esta ou aquela demanda pessoal. Por seu aspecto sobrenatural, a profecia é sempre uma manifestação espontânea da parte de Deus através de seus porta-vozes. E o Senhor fala unicamente por meio das Escrituras. Sendo assim, conclui-se que Deus não nos dá uma porção mágica para vencermos as dificuldades, mas princípios para vivermos n’Ele e para Ele, apesar das dificuldades.

E por que a cada dia aumenta a busca pelas “profetadas”? Porque muitos não querem um compromisso com Deus, mas se servirem de Deus. Desta forma torna-se mais conveniente buscar um atalho, alguém que possa prever os acontecimentos, facilitar as coisas. Tal comportamento observávamos em demasia nos movimentos religiosos do lado de lá, mas agora sobram exemplos do lado de cá. Mas este fenômeno já estava previsto nas Escrituras: “Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos” (2Tm 4.3).

Talvez você pense que os “mestres das profetadas” sejam os irmãos que dançam e sapateiam ao som de um “reteté”, porém digo que estes são apenas irmãos entusiasmados. Os “mestres da profetadas” se autointitulam “homens ungidos”, que não podem ser questionados e ter seus espíritos provados.  Relembremos a orientação de João: “Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo” (1Jo 4.1).  Veja: os falsos profetas não ficam enclausurados em suas pequenas congregações, mas saem pelo mundo, querem ganhar o mundo, iludir um número cada vez maior de pessoas. Não é de se admirar o quanto são megalômanos, pois o engano precisa ser em nível global.

Não se deixe levar por ventos de doutrinas, mas acolha a Palavra de Deus, a Palavra revelada como única regra de fé e prática.  Para tal, reflita nessa conclusão de Lutero: "Fiz uma aliança com Deus: que Ele não me mande visões, sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer tanto para esta vida quanto para o que há de vir".  

Soli Deo Gloria!

sexta-feira, 24 de maio de 2019

IGREJA. QUEM SE IMPORTA?



Seria estranho, muito estranho. Causaria espanto e pavor se avistássemos à nossa frente um pé ou uma mão vagando por aí com vida própria, um membro cuja existência só tem sentido no corpo para o qual foi criado, buscando viver à revelia desse corpo. Nesse caso, os interesses desse membro autônomo seriam distintos dos interesses do restante do corpo, a começar peça cabeça. 

Assim deveria pensar cada crente ao projetar sua vida à parte da igreja, pois a igreja é o corpo de Cristo.  É também a família de Deus. O apóstolo Paulo nos ensina na Epístola aos Efésios que a igreja, assembleia dos santos, foi planejada pelo Criador na eternidade. “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça” (Ef 1.3-6a).

Como bem expôs o Rev. Hernandes Dias Lopes num de seus sermões, “a igreja é o povo chamado do mundo para ser propriedade exclusiva de Deus. É o povo separado do pecado para viver em santidade, tirado das trevas para ser luz entre os povos. A igreja é o templo da habitação de Deus, a noiva do Cordeiro, a coluna e baluarte da verdade. A igreja de Deus transcende a qualquer denominação, cultura ou fronteira geográfica. Ela é composta de todos aqueles que foram salvos em Cristo, em todos os lugares, em todos os tempos, dentre todos os povos. Não há salvação fora dessa igreja. Por isso, falamos da igreja visível e da igreja invisível. A visível é composta de pessoas convertidas e não convertidas. Na igreja visível há trigo e joio. Mas, na igreja invisível só estão arrolados aqueles que foram lavados no sangue do Cordeiro, cujos nomes estão escritos no livro da vida”[1].

A igreja ocupa uma posição privilegiada no propósito de Deus ao mesmo tempo em que é desprezada pela cultura humanista. A igreja é perseguida, negligenciada e afrontada de todas as formas. Ainda assim, “as portas do inferno não prevalecem contra ela” (Mt 16.18).  Mas quem se importa com a igreja, ou melhor, quem verdadeiramente pensa em si a partir do todo que é a igreja? Mil explicações são dadas por aqueles que querem Deus, mas não querem a igreja. Estes buscam uma vida alijada do corpo, o que apenas atesta a necessidade de uma real conversão, pois esquecem-se de que na sua segunda vinda Cristo resgatará seu corpo e não membros autônomos.

Daí a importância de afirmar que a igreja local, necessariamente, tem de ser bíblica; isto é, que prega a palavra, corrige, repreende e exorta mediante a sã doutrina. Há crentes que rejeitam a igreja por esta razão e, ao fim, entregam-se às verdades que lhe parecem mais convenientes, confirmando assim que apenas seus próprios interesses é que importam.


Soli Deo Gloria!  

[1] Trecho do sermão “A suprema importância da igreja”, de 31/05/09. 

terça-feira, 23 de abril de 2019

CRISTOFOBIA


por Pr. Delmo Fonseca*


No último Domingo de Páscoa, 21 de abril, mais de 300 cristãos foram covardemente massacrados no Sri Lanka. Os terroristas do grupo ISIS (Estado Islâmico) já reivindicaram a autoria do ataque, embora muitos políticos e jornalistas continuem fingindo que não sabem quem cometeu tais atrocidades.

O cinismo da esquerda americana, leia-se Partido Democrata, chegou a tal ponto que figuras como Hillary e Obama sequer usaram o termo “cristãos” para se referir às vítimas do atentado. Antes, preferiram recorrer ao politicamente correto a fim de não melindrar os algozes e chamaram os atingidos de “adoradores da Páscoa”. 

Se uma parte da sociedade ficou perplexa com tamanha brutalidade, outra parte reagiu com regozijo. A Fundação Mundasir Media, uma organização islâmica pró-Isis, divulgou um cartaz que celebrava os ataques do Sri Lanka. Uma das fotos de uma das igrejas atacadas ostentava a seguinte legenda: “Feliz Páscoa aos cristãos traidores de Jesus (Alehi Asalam): Aqui está a vossa recompensa”. 

O Islamismo é apresentado pela grande imprensa como a “religião da paz”, de modo que o politicamente correto enquadra como “islamofobia” qualquer menção contrária. Confira estas suras e tire suas próprias conclusões:
“Nós lançaremos terror nos corações dos infiéis, dos que não creem em Alá. E o seu refúgio será o fogo, e miserável é a casa dos transgressores”
Alcorão (3: 151)


"E prepara contra eles tudo o que sejas capaz de armas e de corcéis de guerra para atacares os inimigos de Alá e teus inimigos e outros que nem conheces, mas que Alá conhece".
Alcorão (8:60)


Paz, onde está a paz? Muitos dirão que “não se pode tomar o todo pela parte”, mas ao mesmo tempo podemos argumentar que não é necessário tomar toda a sopa para conhecermos seu sabor, basta uma colher. A verdade é que o mundo fecha os olhos para a perseguição aos cristãos. Somente nos últimos dias de março, doze igrejas foram profanadas na França e um padre foi esfaqueado no Canadá durante uma missa. Segundo o professor e filósofo Andre Assi Barreto**, “não importa qual seja o dia do ano, o grupo mais perseguido no mundo, não são os negros, nem as mulheres, nem os muçulmanos. São os cristãos! Diariamente são assassinados, enterrados vivos e acometidos de tantas outras atrocidades inimagináveis exclusivamente por seguirem a Cristo”.

Eram cristãos a maior parte das vítimas do atentado no Sri Lanka. Homens, mulheres e crianças que um dia vislumbraram a vida eterna prometida nos evangelhos. Eis o consolo: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33).

Que toda a Igreja de Cristo experimente essa paz.
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* O Pr. Delmo Fonseca prega todos os domingos na Comunidade Cristã Graça e Vida, Piedade/RJ – uma igreja de fé reformada.
**Autor de "Saul Alinsky e a Anatomia do Mal" (ed. Armada, 2019)

sexta-feira, 19 de abril de 2019

COELHINHO DA PÁSCOA, O QUE FIZESTE POR MIM?



por Pr. Delmo Fonseca*

Certamente você se lembra desta cantiga popular, sempre entoada para as crianças na época da Páscoa. A canção pergunta ao coelhinho quantos ovos ele trouxe desta vez... se um, dois ou três; se as cores são azul, vermelho ou amarelo... 
Tradição à parte, o que impressiona é o fato de tantos crentes embarcarem na “onda” do coelhinho a ponto de se angustiarem por não terem condições de presentear seus filhos com ovos de chocolate.

Todo ano é assim: uns tantos seguem o coelhinho e alguns poucos seguem o Cordeiro. Para ilustrar essa reflexão, apresento duas histórias: a primeira é uma fábula e se destina às “crianças” na fé; a segunda, aos experimentados na Palavra.

PRIMEIRA:

Era uma vez um vilarejo encantado, localizado nas terras germânicas, onde todos os anos as crianças festejavam o começo da primavera. A razão desta alegria é que a estação das flores marcava a volta do sol depois de um longo inverno. Sendo assim, os dias e as noites voltavam a ter a mesma duração, o que possibilitava o cultivo da terra novamente.

Para tanto era preciso homenagear Eostre ou Ostara, que na mitologia anglo-saxã era a deusa da fertilidade e do renascimento, também conhecida como deusa da Aurora[1]. De seus cultos pagãos originou-se a palavra ostern (em alemão) e easter (em inglês) que se traduz por páscoa.

Na Alemanha, os festejos eram simbolizados por coelhos e ovos, todos denotando a fertilidade e o ressurgir da vida. Diz a lenda que certo dia, Ostara se encontrava sentada em um jardim cercada de crianças, quando um pássaro voou sobre estas e depois pousou em sua mão. Imediatamente, por meio de algumas palavras mágicas, Ostara transformou o pássaro em um coelho, seu animal favorito. As crianças ficaram maravilhadas, mas com o passar do tempo elas perceberam que o pássaro transformado em coelho não estava feliz. As crianças pediram a Ostara que revertesse o encantamento, o que ela tentou sem sucesso.

Ostara decidiu esperar até que o inverno passasse, pois sabia que nesta estação o seu poder diminuía. Talvez, na primavera, a restauração fosse possível, o que certamente alegraria as crianças e o próprio pássaro. Assim que a primavera chegou suas forças foram renovadas e ela desfez o encantamento.

Em agradecimento, o pássaro botou ovos em homenagem a Ostara. No entanto, para celebrar sua liberdade e em gratidão às crianças, que tinham pedido a restauração de sua forma original, o pássaro pediu que fosse transformado em coelho novamente a fim de pintar os ovos e distribuí-los pelo mundo.

Moral da primeira história: associar a páscoa a um coelho e ovos coloridos é simplesmente uma prática pagã.

SEGUNDA:

O nome Páscoa vem da palavra hebraica pessach que significa “passar por cima”. A Páscoa era celebrada no primeiro mês do calendário judaico (março/abril). Esta celebração comemora a libertação do povo do Egito, sob a liderança de Moisés.
Depois da libertação o acontecimento foi marcado entre as grandes festas religiosas de Israel, fazendo parte da Lei Cerimonial do Antigo Testamento. Cada família sacrificava um cordeiro na véspera da Páscoa.

Para essa festa, todos os que podiam se deslocavam até Jerusalém. Para os judeus, a celebração da Páscoa era – e ainda é – uma celebração em família. O cardápio simbolizava diferentes aspectos da escravidão no Egito e do êxodo. E cada ano se recontava a história de como o anjo de Deus “passou por cima” das casas dos israelitas, deixando-os com vida, na noite em que foram mortos os primogênitos do Egito.

Três elementos simbólicos lembravam aos participantes o evento da libertação: as ervas amargas, os pães asmos, isto é, pães sem fermento, e o cordeiro imolado. Hoje, por ocasião da Páscoa, somente os samaritanos ainda sacrificam cordeiros como nos velhos tempos. Os judeus deixaram de fazê-lo quando os romanos destruíram o templo em 70 d.C.

Sabemos que Jesus, à semelhança de um cordeiro, foi morto durante a celebração da Páscoa em Jerusalém. Antes de sua morte, porém, como todos os demais judeus, o Senhor comeu o cordeiro pascal com seus discípulos e determinou aos mesmos que passassem a comer pão e beber vinho em memória dele, em vez de celebrarem a Páscoa. O pão e o vinho simbolizam seu corpo e seu sangue, dados pelos pecados de muitos.

A Páscoa é essencialmente uma festa judaica, de modo que para os cristãos o sacrifício único de Jesus, como o cordeiro de Deus, propiciou vida eterna aos que de antemão foram eleitos pelo Pai. Os cristãos comem pão e bebem vinho em memória de Cristo, e o fazem não somente no período da Páscoa, mas durante o ano todo.

A data mais importante para o cristão é o Domingo da Ressurreição, pois se Cristo não tivesse vencido a morte e ressuscitado, a celebração em sua memória não teria sentido, valeria menos do que um ovo de chocolate.

Talvez seja pelo fato de ignorar a ressurreição de Cristo e suas implicações, que muitos sequer se lembram do Cordeiro de Deus que foi imolado. Antes, como “crianças” na fé, preferem seguir o coelhinho e cantarolarem: “Coelhinho da Páscoa que trazes pra mim?”.

Já os experimentados na Palavra sabem que o símbolo bíblico para a páscoa é o cordeiro imolado. O profeta Isaías prenunciou: “... Como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a sua boca” (Is 53.7). O apóstolo Paulo ratificou: “... Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado” (ICor 5.7).

Moral da segunda história: ao contrário do coelhinho da fábula, o Cordeiro pascal trouxe vida e paz para todos nós.
Soli Deo Gloria!

*Comunidade Cristã Graça e Vida no Rio de Janeiro - uma igreja bíblica e de fé reformada.




[1] BILLSON, Charles. The Easter Hare. Folk-Lore. v. 3, n. 4, 1892.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

OS CRENTES ESQUERDISTAS E AS MIGALHAS QUE CAEM DA MESA DO PT




por Pr. Delmo Fonseca

Não é segredo para ninguém o fato de que a ideologia socialista procura sempre se reinventar a fim de realizar a famigerada revolução.  Porém, nas palavras do stalinista Carlos Marighella, há quatro princípios a serem observados[1]:

1.   o dever de todo revolucionário é fazer a revolução;
2.   não pedimos licença a ninguém para praticarmos atos revolucionários;
3.   só temos compromisso com a revolução;
4.   só agimos por meios revolucionários.

 Ao que parece, esse também é o mote dos crentes esquerdistas... “só temos compromisso com a revolução”.

E foi pensando na revolução que o PT recentemente promoveu o “1º Encontro de Evangélicos e Evangélicas do Partido dos Trabalhadores”, com o tema “O fenômeno religioso e as consequências políticas na sociedade brasileira: análises, estratégias e ações”[2]A intenção aqui não é analisar as incongruências e os discursos nonsenses a respeito dos paralelos traçados entre Cristo e Marx, mas pontuar o próprio evento em si.

Retornemos a Carlos Marighella que no seu discurso intitulado “A Religião, o Estado, a Família”[3], utiliza lentes marxistas para interpretar a seguinte perícope: “Pois mais fácil é passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus” (Lucas 18.24-25).  Eis o contorcionismo hermenêutico de Marighella: “O problema levantado por Jesus não era o do rico ser mau, nem o do rico não ser religioso, mas, precisamente, o fato do rico ser rico, do rico ser explorador.”

É precisamente por meio destas mesmas lentes que os crentes esquerdistas procuram enxergar a realidade. Sendo assim, não causa espanto ver tais crentes bradando “Lula Livre!” num evento petista.  Recai sobre os crentes esquerdistas a suspeita de que estes também fazem parte do contingente de “idiotas úteis” proposto por Lenin, senão vejamos: "Usaremos o ‘idiota útil’ na linha de frente. Incitaremos o ódio de classes. Destruiremos sua base moral, a família e a espiritualidade. Comerão as migalhas que caírem de nossas mesas. O Estado será Deus."

É triste saber que há crentes comendo migalhas que caem da mesa do PT, cujo deus é o Estado e, Lula, seu profeta.



[1]  “Pronunciamento do Agrupamento comunista de São Paulo”, in: Escritos de Carlos Marighella, p. 134.
[2] Evento promovido pelo Partido dos Trabalhadores, dias 5 e 6 de abril de 2019, em São Paulo.
[3] Discurso pronunciado na sessão de 4 de julho de 1946, na Assembleia Constituinte, por ocasião da discussão do projeto constitucional.  Fonte: Problemas - Revista Mensal de Cultura Política nº 2 - Setembro de 1947.

quinta-feira, 14 de março de 2019

A QUESTÃO DO FEMININO – VISÃO FEMINISTA EM OPOSIÇÃO À FEMINILIDADE BÍBLI...




“Ser mulher!
Ser mulher, ser mulher...
O que é ser mulher?
Buscar as possibilidades nas impossibilidades,
Ser forte na fragilidade,
Respirar os ruídos do silêncio,
Devorar as noites,
Pintar a lua,
Deitar sobre as águas
E mostrar-se às estrelas!...

Marcia B. Fonseca, in: “Ode à mulher”,
Permanência, Editora Mar de Letras, 2013.  

A QUESTÃO DO FEMININO – VISÃO FEMINISTA EM OPOSIÇÃO À FEMINILIDADE BÍBLICA

Até que ponto o feminismo destoa da verdadeira feminilidade? Ou ainda: quais os desafios de ser feminina numa cultura predominantemente feminista? Esse é o
tema do nosso próximo ciclo de palestras.

Participe!


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

DEUS É O SENHOR DO TEMPO




por Marcia B. Fonseca

Uma vez por semana, o Senhor invade nossa rotina e nos lembra que Ele é o Senhor do nosso tempo.  Nos cultos de domingo reconhecemos que Deus é o autor e regente do tempo.  Ele fez o tempo quando separou a luz das trevas e estabeleceu o ciclo dos dias, manhã e tarde, e os organizou em seis dias para trabalho e recreação e um dia para que descansemos em Sua presença.  [Gn1.3-5; Gn2.1-3; Ex20.11]. 

Por mais que tentemos organizar nosso tempo com calendários e agendas, a vida nos mostra que não somos senhores de nosso próprio tempo. Deus criou o tempo, nos inseriu no tempo e é Ele que nos mostra a maneira correta de usá-lo.  Quando nos submetemos ao seu padrão de tempo reconhecemos que Ele é o Senhor do tempo.  Também, ao ensinarmos nossos filhos a interromperem aos domingos todas as suas atividades para estarem conosco diante do Senhor, nós os ensinamos a soberania de Deus sobre todas as coisas, sobre todos os tempos, todos os desejos, todas as atividades.  Ele é o autor da vida, assim, quando nos submetemos a Ele, o Senhor invade nossa rotina e nos lembra que Ele é nossa prioridade.  Em todas as coisas, em todos os tempos nós crentes, servimos ao Senhor.

Os puritanos costumavam chamar o Dia do Senhor de “o dia de feira da alma”. Assim como um mercado ostenta balcões com carnes, pães e produtos nutritivos, o Dia do Senhor oferece suprimentos doces e nutritivos para nossa alma.

Então Jesus declarou: "Eu sou o pão da vida. Aquele que vem a mim nunca terá fome; aquele que crê em mim nunca terá sede [Jo 6.35].

Quando nos reunimos para adorar o Senhor na assembleia dos santos, aprendemos com sua Palavra e crescemos em nosso amor por ele.

Quando levamos nossos filhos aos cultos de domingo, eles aprendem que seus cochilos podem ser interrompidos, que suas refeições podem ser atrasadas, que suas brincadeiras e jogos podem ser adiados.  Eles aprendem que não são o centro da família, que Deus é.  É assim que os ensinaremos que devem trocar provisões terrenas por algo muito melhor para suas almas imortais. Eles aprenderão que aos domingos tudo será rearranjado para que a Palavra proclamada no poder do Espírito possa ser ouvida.  Crescerão sabendo que seus “eus” marcados por seus desejos, suas frustrações e suas vontades não são nada diante da “única coisa necessária” [Lc10.42].  Deus é.

Pais e mães, mesmo que hoje pareçam ser exigentes, tenham a absoluta certeza do bem que estarão plantando nos corações de suas crianças e jovens. No futuro, eles guardarão no fundo de suas almas e pelo resto de suas vidas que seus pais e mães os apontaram Cristo e os motivaram a estarem diante dele para que fossem recebidos em seus braços e transformados para sempre.   Somente os pais crentes gozam desta oportunidade única – de levarem seus pequeninos a Jesus.  Essa é uma obrigação, ao mesmo tempo, uma excelente notícia, pois este é o tesouro que jamais lhes será tirado.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Te Deum Laudamus" - "A Ti, Deus, louvamos"



O "Te Deum" é um dos primeiros hinos cristãos. Alguns estudiosos atribuem sua autoria a Santo Ambrósio, daí o fato de também ser chamado de “hino ambrosiano”. Outros estudiosos sugerem que a autoria corresponde a Aniceto (também conhecido como “Nicetas”) de Remesiana, no século IV. Especulações à parte, o certo é que ao ouvirmos o coro dos monges Beneditinos do Colégio Interno de Santo Anselmo em Roma, impossível não elevarmos nosso pensamento a Deus. Inscreva-se no nosso canal.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

SANTO AGOSTINHO - VIDA E PENSAMENTO


Santo Agostinho (354-430) foi o mais profundo filósofo da era patrística e um dos maiores gênios teológicos de todos os tempos.

A ESCRITURA NOS ENSINA COERÊNCIA




por Marcia B. Fonseca


Coerência vem do latim cohaerentia – coesão.  Diz-se que um indivíduo é coerente quando ele tem senso de lógica e quando há coesão entre suas ideias e atos, entre seu discurso e seu agir. Incoerência é então, quando o discurso é cheio de contradições, dúvidas e desconexões, logo seus atos tenderão à instabilidade e à fantasia.
 
Pesquisas apontam que adolescentes que têm baixo senso de coerência apresentam problemas de saúde mental. Assim, a tendência à depressão, ansiedade e problemas psicossomáticos são comuns neste grupo de indivíduos. Ao contrário, os jovens com alto índice de coerência apresentam melhor qualidade de vida, não aderem com facilidade ao consumo de álcool e drogas e enfrentam melhor as situações adversas, as doenças, os momentos difíceis da vida adulta e até situações limite como períodos de desemprego, carências, até guerras. 

A coerência capacita o indivíduo ao enfrentamento e à adaptação ao lidar com a adversidade. Compreender a situação, manejar adequadamente os recursos disponíveis para ultrapassar os obstáculos, e ter a certeza de que a vida apresenta um sentido e um propósito são características comuns aos indivíduos coerentes. A coerência traduz o senso de realidade do indivíduo, enquanto a fantasia revela falha no senso de coerência. É o que acontece com pessoas que tendem a gastar o que não podem, tendem a aparentar o que não são, a fazer o que não conseguem. 

Deus, como Pai Excelente, ensina a seus filhos a coerência. Observe que a ortodoxia bíblica abrange a ortopraxia, ou seja, é fundamental para a vida do crente tanto aprender a doutrina correta, quanto viver de acordo com a Palavra. Para ficar bem claro: tanto a doutrina correta, quanto o viver corretamente são essenciais e totalmente inseparáveis para o verdadeiro filho de Deus. E esse é o ensino coerente do próprio Cristo. 
          
Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (Jo 8.31-32).

Temos que ter em mente o grande tesouro que chega até nós pela primazia do ensino correto.  Será este o ensino que se traduzirá no alicerce para o comportamento correto. Viver na retidão é fruto da fé autêntica e não o contrário.  Até as ações mais piedosas, se incoerentes com a Verdade, não fazem parte de um viver genuíno em Cristo, ao contrário, traduzem a hipocrisia dos que se acham bons diante de Deus. Segundo  MacArthur Jr. “as ações piedosas destituídas do amor verdadeiro pela verdade nem mesmo fazem parte de uma ortopraxia genuína. Ao contrário, são a pior forma de justiça própria hipócrita.”[i]

Nós somos a igreja, portanto devemos lutar para que a coerência entre a Palavra de Deus que ouvimos e aprendemos, a fé que exercemos, as palavras que pensamos e proferimos e os atos que praticamos sejam coerentes.
 
Convido os pais, líderes de suas famílias, e mães, auxiliadoras desses líderes, a ensinarem a coerência para seus filhos. Lembrando que crianças aprendem menos pelas palavras que ouvem e mais pelos atos que veem. É importante que crianças e jovens estejam na igreja ouvindo a Palavra ensinada corretamente, aprendendo a se portarem de forma coerente, tanto no culto, quanto na vida, exemplificados por seus pastores, lideres, pais e mães. A palavra da verdade sempre estará em oposição às trevas das heresias e das mentiras. Pense nisso!




[i] MACARTHUR, John, A Guerra pela Verdade, SP: Fiel, 2016.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

O LUGAR DA ORAÇÃO - R.C. SPROUL





A oração tem um lugar vital na vida de um cristão. Primeiro, ela é um pré-requisito absoluto para a salvação.  A negligência da oração é a maior causa de estagnação na vida cristã.

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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

O EU CRUCIFICADO



por  Delmo Fonseca |

“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim”. Gl 2.20

O que se passa na mente daqueles que se encontram no corredor da morte, à espera da execução numa cadeira elétrica? Será que possuem planos para o futuro? Possuem sonhos? Em outras palavras, quais são as perspectivas de um condenado à morte? Disse Jesus: "Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a vida por minha causa e pelo evangelho a salvará”. (Mc 8:34-35).
Sabe-se que na época em que o Senhor proferiu estas palavras, todos os ouvintes viviam num contexto em que o Império Romano, ao condenar um criminoso à crucificação, forçava-o a carregar a própria cruz até o lugar indicado, a não ser em casos em que alguém era chamado para dividir o peso da cruz com o condenado. 

Jesus se valeu desta realidade para dizer: "Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. Os que escolhiam seguir o Senhor deviam se conscientizar do seguinte fato: havia um EU a ser crucificado. “Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a vida por minha causa e pelo evangelho a salvará”.
Temos diante de nós este paradoxo: ao escolhermos salvar a própria vida acabamos por perdê-la, pois seremos acolhidos pelo espírito deste mundo. Mas se escolhermos perder a vida por causa de Cristo seremos acolhidos pelo seu Espírito. Há muitas maneiras de “salvar” a própria vida, pois o mundo apresenta um cardápio variado de como viver para si mesmo, como buscar a felicidade a qualquer custo, como viver sem Deus. O viver somente para si se configura como uma rejeição à cruz. Quando tomamos nossa cruz, diariamente, estamos afirmando que nosso ser natural, com suas paixões e fraquezas, está condenado à morte. 

Outra vez disse Jesus: “Se alguém vem a mim, e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não tomar a sua cruz, e vier após mim, não pode ser meu discípulo” (Lc 14.25-27). Novamente somos desafiados a andar na contramão do mundo, pois constatamos que não há problema algum, por parte de muitos, em dizer “não” para o Senhor; no entanto, quando se trata de um negócio, família, amigos, lazer ou outra ocupação o “sim” é sempre automático. 

O apóstolo Paulo faz a seguinte observação: “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2Co 2.14-15). Saber que o Senhor Jesus, por amor, morreu para que tivéssemos vida eterna deveria gerar um constante constrangimento, mas quem se atenta para este fato? Saber que ele morreu para que os que vivem não vivam mais para si deveria gerar a certeza de que não temos outra escolha a não ser carregarmos nossa cruz. Mas quem se importa? 
A nossa oração é para que tenhamos o mesmo entendimento do apóstolo Paulo, que assim concluiu: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2.20). 


Soli Deo Gloria!