quarta-feira, 18 de julho de 2018

DEIXEM NOSSAS CRIANÇAS EM PAZ


por Delmo Fonseca |

A cultura humanista é um rio caudaloso e de tempos em tempos suas águas rompem as barreiras que o margeiam. Na prática, estas barreiras são compostas por leis e costumes. À semelhança de Cícero, que bradou “O tempora! O mores!” ("Ó tempos! Ó costumes!), diante da constatação da decadência moral e dos costumes dissolutos de Roma, podemos soltar um brado ainda mais retumbante, pois os costumes do nosso tempo fazem os de Roma parecerem pueris. Aliás, um dos diagnósticos dessa decadência aponta para o neopaganismo. Os “deuses” modernos têm sido objeto de culto e adoração por parte daqueles que ignoram o evangelho da cruz, que por natureza é contracultural.

A cultura cristã consiste num sistema de valores que se opõe frontalmente ao “espirito da época” (zeitgeist), o rio caudaloso que que tudo arrasta. Um exemplo desse embate se encontra no campo da moralidade, especificamente no que diz respeito aos limites das ações humanas. Por estar mergulhada num relativismo moral, a cultura humanista reivindica uma liberdade irrestrita para o ser humano, ou seja, “toda forma de amor vale a pena”, até mesmo a pedofilia.

E ao tratarmos desse tema, cabe lembrar que a luta pela descriminalização da pedofilia, depois das campanhas em prol da legalização das drogas e do aborto, será o assunto em pauta da agenda humanista. O que para muitos se apresenta como novidade, há tempos vem sendo orquestrado por grupos privados e ONGs a fim de que esta perversão seja vista apenas como uma “preferência sexual”. É o que defende, desde 1978, a NAMBLA - North American Man/Boy Love Association (traduzível como Associação Norte-Americana do Amor entre Homens e Garotos). Para esta entidade, adultos podem manter relações sexuais com crianças sem nenhum prejuízo, desde que sejam consentidas.

Atente para este grave fato: caso a descriminalização da pedofilia se torne uma realidade, ainda que num futuro distante, nossas crianças estarão completamente desprotegidas. No entanto, esse futuro parece estar mais próximo do que imaginamos. Se antes a pedofilia era, de antemão, um delito sexual, a partir da edição do DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), esta parafilia, cujo foco envolve atividade sexual com uma criança pré-púbere, passou a ser tão-somente um transtorno. O que mudou? O pedófilo deixa de ser um abusador contumaz, do tipo “prende e joga a chave fora”, para se tornar mais uma “vítima” da fatalidade. Ainda que a ciência demonstre que tal mal seja incurável, o “coitado” deverá ser encaminhado para tratamento psicológico; afinal, ele não tem culpa de se sentir atraído por crianças. “O tempora! O mores!”

Por meio do evangelho, a cultura cristã confronta esse espirito maligno que insiste em atacar nossos pequenos. Não há trégua. A Palavra de Deus registra a importância das crianças no plano da redenção: “Mas, vendo os principais sacerdotes e os escribas as maravilhas que Jesus fazia e os meninos clamando: Hosana ao Filho de Davi!, indignaram-se e perguntaram-lhe: Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?” (Mt 21.15,16).

Em termos práticos, devemos estar atentos às ações dos legisladores, pois cabe a nós, cidadãos, fiscalizar e pressionar o parlamento com a finalidade de manter a sociedade ancorada em valores que beneficiem a todos. As leis não podem ser fruto de uma pressão advinda de uma minoria que ignora o Criador, mas resultado da vontade da maioria. Não podem ser forjadas por novelas, ideologias materialistas ou pensamentos ateístas. As estatísticas provam que no Brasil os cristãos são a maioria. Assim, a cultura humanista deverá ser apenas mais um rio... um rio a correr limitado por suas margens.

Soli Deo Gloria!

sábado, 14 de julho de 2018

COSMOVISÃO: COM QUE LENTES VOCÊ ENXERGA O MUNDO?




por Delmo Fonseca |

A maioria das crianças se divertem ao usar óculos coloridos. Se as lentes forem azuis as coisas ao seu redor se mostrarão azuladas; se forem amarelas, as demais coisas também o serão. É natural que na infância a vida se apresente assim, pois sua dimensão lúdica requer muitas cores. A vida adulta, porém, assume tons mais sóbrios, o que exige um olhar mais realista. No entanto, muitos adultos veem o mundo a partir de lentes oferecidas pelo próprio mundo, e creem ser coloridos certos fenômenos que aos olhos do Espírito possuem cores soturnas.

Quando a cultura atual aborda temas como sexualidade, aborto, gênero e educação infantil, por exemplo, com quais cores a cultura quer que enxerguemos estes temas? Serão as mesmas cores da Bíblia? Como você se posiciona frente a estas questões? As lentes com as quais você interage com o mundo foram fornecidas por quem? A estas lentes atribui-se o nome de cosmovisão.

Sendo assim, cosmovisão é um conjunto de pressupostos e crenças que uma pessoa utiliza para interpretar e formar opiniões a respeito dos acontecimentos à sua volta, o que envolve questões sociais, religiosas, políticas ou pessoais. Todos possuem uma cosmovisão, ainda que não saibam defini-la. Todos possuem óculos por meio dos quais concebem as cores do mundo. Por esta razão é fundamental que o cristão se pergunte: qual a fonte da minha cosmovisão, ou seja, qual a origem dos meus óculos?

Uma cosmovisão humanista, por exemplo, apresenta o ser humano como o fim último de todas as coisas. Os óculos humanistas mostram um mundo onde o homem é senhor de si, uma realidade forjada pela ilusão da autossuficiência. A cosmovisão humanista apresenta um mundo policromático, politeísta, plural e trans... gênero, cultural, sexual etc. Um mundo fluido, empoderador, politicamente correto e relativista.  Em outras palavras, um mundo do jeito que o diabo gosta.

Se por um lado constatamos que os óculos do mundo se configuram como anticristãos; por outro, podemos afirmar que a Cosmovisão Cristã compreende que todas as coisas só fazem sentido a partir de Cristo: “Nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” (Cl 1.16,17). É por meio de Cristo que descobrimos as verdadeiras cores da realidade, pois nele “estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Cl 2.3).

E qual a importância da Cosmovisão Cristã na vida prática? Passamos a olhar o mundo com as lentes corretas, ajustadas ao propósito de Deus em vez de submetermo-nos às distorções das lentes da cultura. O que se espera de todo cristão é que sua avaliação do mundo seja feita a partir de uma cosmovisão cristã, o que difere de uma visão institucional ou segmentada teologicamente, mas uma visão bíblica.  Não há nas Escrituras a promessa de uma vida multicor ou um mundo colorido conforme prometido pela utopia secular; antes, em preto e branco, o Senhor nos adverte: “no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33). E assim prosseguimos com a certeza de que o Espírito nos ajuda a ver a realidade segundo os tons que Deus estabeleceu.

Soli Deo Gloria!

segunda-feira, 9 de julho de 2018

O MAL NÃO DESCANSA

por Delmo Fonseca |
“... os filhos deste mundo são mais sagazes para com a sua geração do que os filhos da luz” -  Lc 16.8.
Por que os bons se cansam de fazer o bem e os maus nunca se cansam de fazer o mal? Jesus afirma que os filhos deste mundo são mais astutos do que os filhos da luz. Os maus amam este mundo porque estão enraizados nele, plantados e regados para dar frutos maus. E os maus não temem ao Senhor porque não acreditam na existência de um único Deus. E por não acreditarem em sua existência desprezam seu juízo. Por não crerem no único Deus, sentem-se à vontade para seguir outros “deuses”, principalmente o próprio “eu”: corrompem e se deixam corromper, matam, roubam, mentem, enganam o tempo todo, querem levar vantagem em tudo. Não há trégua, não há pausa para o mal, ou seja, não há descanso.
“Sabemos que somos de Deus, e que o mundo todo jaz sob o Maligno” (1Jo 5.19). Para os que procuram manter distância do mal, é preciso lembrar que nosso Pai Celestial “nos libertou do império das trevas, e nos transportou para o reino do seu Filho amado.” (Cl 1:13).  O Filho “se entregou a Si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo mau, segundo a vontade de nosso Deus e Pai” (Gl 1.4). Cristo arrancou pela raiz todo vínculo que tínhamos com o mundo, dando-nos o status de cidadãos dos céus (Fp 3.20). 
“Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele” (1Jo 2.15). Amar o mundo, nesse caso, difere de apreciar a beleza da criação ou admirar o cosmos e sua diversidade natural; mas se moldar aos pensamentos, ensinamentos e ações típicas de quem ignora a Palavra de Deus. Há muitos que mesmo acreditando em Deus seguem amando o mundo, pois se deixam moldar por ideologias e doutrinas estranhas em vez de abraçar o evangelho da cruz. Por se deixarem moldar pelo mundo, tornam-se refratários a qualquer lampejo do Céu, tornam-se adaptados às sombras.  E quanto aos que seguem crendo na Luz? "Não vos canseis de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido".
Soli Dei Gloria!

sexta-feira, 6 de julho de 2018

AOS PAIS


"Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor" -  Ef 6.4

quarta-feira, 4 de julho de 2018

EXPOSIÇÃO EM ATOS 15.36 - 41


TEMA: O DIA EM QUE DOIS MISSIONÁRIOS SE DESENTENDERAM

Paulo e Barnabé eram, nesta ordem, razão e coração. Há ocasiões em que o conflito é inevitável. Algumas vontades do coração não passam pelo crivo da razão e vice-versa. Paulo e Barnabé, que por tanto tempo cultivaram um verdadeiro companheirismo, desta vez seguiram rumos diferentes. O que podemos aprender com eles?
Você e sua família são nossos convidados!

terça-feira, 26 de junho de 2018

SEMPRE FOI PELA GRAÇA




A salvação pela graça, por meio do sacrifico de Jesus, nasceu no coração de Deus antes mesmo da fundação do mundo.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

A CEIA DO SENHOR, O BANQUETE DA GRAÇA


A CEIA DO SENHOR, O BANQUETE DA GRAÇA


No próximo domingo, com a permissão de Deus, celebraremos mais uma vez a Ceia do Senhor. Este sacramento, que é um meio de graça, é também um banquete da graça. Somos convidados a olharmos para trás (anunciamos a morte do Senhor); a olharmos para frente (até que ele venha); a olharmos para dentro de nós (autoexame).

A fim de participar deste banquete devemos refletir: “Eu conheço o dono da festa, eu estou em condições de participar desta festa?”  A comunhão nos indica que somos um só corpo, um só rebanho, uma só família, uma só igreja. É preciso que todos saibam disso e participem com discernimento.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

OU ISTO OU AQUILO




por Delmo Fonseca |

“Ao que muito colheu, não sobrou;
e ao que pouco colheu, não faltou” (2Co 8.15)

As escolhas que fazemos nem sempre são as mais acertadas e a sanidade mental também pode ser medida pela capacidade que uma pessoa tem de suportar as frustrações advindas de um resultado contrário. Muitos são os momentos em que nos deparamos com situações que contrariam nossas expectativas. Em outras palavras, quando o NÃO bate à porta somos convidados a consultar o “medidor de frustração” a fim de sabermos até que ponto conseguiremos sustentar aquilo que se opõe ao nosso desejo.

A Bíblia apresenta vários exemplos de homens e mulheres que, frustrados, agiram de modo insano. A começar por Caim, temos a evidência de que o irmão mais velho de Abel se encheu de ira ao perceber que sua oferta desagradara a Deus. O NÃO do Criador revelou a Caim sua incapacidade de lidar com os dissabores próprios da vida, ou seja, que nem sempre as coisas funcionam como queremos. Ainda assim, Caim fora alertado sobre a necessidade de ser mais forte do que sua frustração: “Então, lhe disse o SENHOR: Por que andas irado, e por que descaiu o teu semblante? Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo” (Gn 4.6,7).

Em outros termos, pode-se considerar que a capacidade de o ser humano lidar com suas frustrações começa na infância, quando os pais estabelecem que determinadas regras não devem ser quebradas, que há uma linha demarcatória entre o SIM e o NÃO. Assim o primeiro homem foi orientado: “E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.16,17).

Quando nos deparamos com os noticiários apontando o crescente número de “cains”, constatamos também que cada vez menos as crianças ouvem NÃO. Em contrapartida aumenta o índice de “pequenos tiranos”, que mobilizam pais e avós para lhes servirem segundo seus desejos egoístas. Estes crescem com uma ideia distorcida de que o mundo existe para seu deleite e que nada pode contrariá-los. Com isso surgem afirmações absurdas proferidas por “profissionais” que defendem o fim do NÃO. Tais “pensadores” sugerem que há uma lógica até no roubo de um telefone celular, por exemplo: o ladrão (sujeito oprimido) recebera um NÃO da sociedade de consumo, tivera seu acesso negado pelo detentor do capital (sujeito opressor) ao objeto de desejo (aparelho celular). A partir dessa premissa justifica-se o roubo, afinal todos têm o “direito” de ter tudo, ainda que à guisa de rebeldia. Não é essa a lógica de Satanás? “Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gn 3.4,5).

A Palavra de Deus nos mostra que não se pode ter tudo nessa vida e por esta razão devemos conhecer nossas limitações e saber dos nossos limites. O evangelho contraria frontalmente certos líderes religiosos que distorcem o sentido da mensagem quando dizem, por exemplo, que o verso “tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.13) sugere “poder ilimitado”, que o crente pode mover a mão de Deus em seu favor; quando o contexto apresenta um relato da experiência de Paulo a respeito das vicissitudes a que estamos expostos neste mundo. Pregações triunfalistas como esta têm gerado crentes frustrados.

Muitos, por não terem a capacidade de sustentar suas frustrações, seguem confusos quando se deparam com o NÃO de Deus. Estes querem “isto” e “aquilo” o tempo todo, não se preparam para o fato de que na vida ora temos isto, ora temos aquilo.  Que em Cristo Jesus aprendamos a “viver contentes em toda e qualquer situação” (Fp 4.11).

Soli Deo Gloria!

sábado, 16 de junho de 2018

EXPOSIÇÃO EM ATOS: O que há entre nós e o reino de Deus?


Em Atos 14.22 o apóstolo Paulo fortaleceu a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé. Ele também mostrou que, por meio de muitas tribulações, importava entrar no reino de Deus. Que tipo de barreira se coloca entre nós e o reino de Deus, de modo que precisamos de muita força para apoderarmo-nos dele?


Você e sua família são nossos convidados.

Comunidade Cristã Graça e Vida
Av. Dom Helder Câmara, 7962 - Piedade/RJ - 9h

WhatsApp (21) 99566-5276 (somente mensagens).

quinta-feira, 14 de junho de 2018

HOMENS DA MAIOR FIRMEZA



 por Delmo Fonseca |

Uzias reinou em Jerusalém durante 52 anos e boa parte de sua vida andou retamente diante do Senhor: "Porque deu-se a buscar a Deus nos dias de Zacarias, entendido nas visões de Deus: e nos dias em que buscou ao Senhor, Deus o fez prosperar" (2Cr 26.5). Mas tempos depois Uzias se envaideceu e entrou no templo para queimar incenso no altar do Senhor, o que não lhe competia fazer. No entanto, o sacerdote Azarias, acompanhado de outros oitenta sacerdotes, “homens da maior firmeza”, entraram após o rei a fim de resistirem a seu intento”: “A ti, Uzias, não compete queimar incenso perante o Senhor, mas aos sacerdotes, filhos de Aarão, que são consagrados para queimar incenso; sai do santuário, porque transgrediste; e não será isto para honra tua da parte do Senhor Deus” (2Cr 26.18). Indignado, Uzias ousou seguir em frente, porém a mão de Deus pesou sobre ele no mesmo instante: “A lepra lhe saiu à testa perante os sacerdotes, na casa do Senhor, junto ao altar do incenso” (2 Cr. 26:19).

Embora o texto nos dê a possibilidade de analisá-lo por diversos prismas, importa-nos refletir sobre a expressão “homens da maior firmeza”. A Bíblia mostra que Azarias e os demais sacerdotes eram homens incomuns, ou seja, eram homens corajosos o suficiente para confrontar a autoridade de um rei que se tornara soberbo. A história também nos mostra que as grandes conquistas foram empreendidas por “homens da maior firmeza”. Os patriarcas, os profetas, os apóstolos, os pais da Igreja e os reformadores foram “homens da maior firmeza”. Com firmeza é possível suportar as provações e tentações, enfrentar as adversidades, sustentar as mais diversas frustrações.

Mas hoje, à luz da “ditadura do politicamente correto”, o que é um “homem da maior firmeza”? É inegável que o homem pós-moderno, forjado pela ideologia de gênero, orgulha-se do fato de ser um indivíduo esvaziado de virilidade, ou seja, um homem não necessariamente macho. A esse fenômeno atribui-se a pecha de “outras” masculinidades. Um exemplo desse “novo” homem foi constatado na Europa tempos atrás, onde se esperava que as mulheres fossem defendidas por seus companheiros da onda de ataques sexuais por parte de imigrantes criminosos; todavia o que se viu foi um contingente de maridos e namorados protestando de saia e exigindo bons modos de indivíduos perversos. Esses homens não andariam um dia na companhia de Josué e Calebe, que eram “homens da maior firmeza”.

Já do ponto de vista espiritual, compreende-se também que um “homem da maior firmeza” é aquele que primeiramente se submete ao senhorio de Cristo (At 8.37), ama sua esposa (Ef 5.25), cria seus filhos na disciplina e instrução do Senhor (Ef 6.4), zela por sua família (Js 24.15), afasta-se do mal e busca a paz (1Pe 3.11).

Ao contrário do rei Uzias, que começou bem a sua carreira e naufragou no final, o “homem da maior firmeza” não busca autossuficiência, antes crê que a graça de Deus lhe basta (2Co 12.9). Por esta razão não confunde masculinidade com rudeza, nem virilidade com agressividade. O “homem da maior firmeza”  busca ser reconhecido como um homem segundo o coração de Deus; firme, inabalável e sempre abundante na obra do Senhor” (1Co 15.58). Que em Cristo Jesus confirmemos sempre estas qualidades.

Soli Deo Gloria!





terça-feira, 5 de junho de 2018

QUANDO O MELHOR É DIZER “NÃO”





por Delmo Fonseca*

Imagine como seria o trânsito das principais metrópoles brasileiras se não houvesse sinalização. Certamente prevaleceria a lei do mais forte. Os automóveis de grande porte colocariam em risco a segurança dos demais... motociclistas, ciclistas e pedestres teriam que contar com a sorte em todo o tempo. Não é isso que acontece no reino animal? A lei da selva é imperativa: os fracos não têm vez.

Voltemos ao exemplo do trânsito: está provado que o caos se instalaria se as ruas não fossem sinalizadas, se não houvessem regras e exigência de disciplina. Ainda assim, constatamos que mesmo havendo leis o índice de acidentes é alarmante. Na base deste fenômeno estão os seguintes fatores: negligência, imprudência e imperícia.

Um motorista negligente não leva a sério a sinalização, pouco observa o que se passa à sua volta. Essa atitude o leva à imprudência, pois lhe dá a sensação de que pode fazer o que quiser, desde o exceder a velocidade permitida a trafegar na contramão. Ou seja, para ele não há interditos, impeditivos legais ou morais. O que se segue é a imperícia, pois a reincidência dos atos anteriores confirma sua inabilidade como condutor. Por fim, o cancelamento de sua habilitação é apenas uma das sanções previstas em lei. A saber, o Brasil é o quinto país do mundo em mortes no trânsito, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde).

Os fatos mostram que uma sociedade que cultiva o desprezo pelas leis acaba por experimentar o recrudescimento da violência, pois cada um, ao se sentir livre para agir como quiser, imporá sua força sobre o outro. A exemplo do que há muito acontece no trânsito, outras áreas do campo social têm sido afetadas pela quebra dos interditos. É o caso de muitas famílias: não há mais sinal vermelho, não há mais PARE. Pais e mães já não conseguem dizer NÃO a seus filhos. Como consequência, percebemos um número crescente de crianças e jovens negligentes, imprudentes e imperitos. Conclusão: quanto menos interditos, mais violência, mais barbárie.

As Escrituras nos mostram que o primeiro homem tornou-se ciente de que seu “direito” de ir e vir, ou seja, seu trânsito livre dependeria da observância de um interdito: “E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.16,17). O que sabemos é que Adão descumpriu a ordem de Deus e este ato gerou consequências terríveis para todos os seus descendentes. Dentre as consequências enumeramos a satisfação que o ser humano sente ao quebrar qualquer interdito, qualquer regra proibitiva, o que nos faz lembrar o apelo de Agostinho: “Dá-me castidade e continência, mas não agora”.

O ser humano tornou-se naturalmente refratário a regras, leis e disciplinas. Desde tenra idade seu desejo consiste em viver segundo suas próprias determinações, sem deveres, obrigações e responsabilidades. Mas essa não é a cantilena dos nossos dias, a famigerada lei de Thelema? "Faze o que tu queres há de ser o todo da lei."  Essa aversão aos interditos atinge em cheio até mesmo os chamados “desigrejados”, que aspiram um cristianismo sem regras morais, um evangelho sem disciplina. Estes ignoram que o discipulado cristão consiste em submeter-se à disciplina de Cristo.

Em outras palavras, o mundo caminha por vias mal sinalizadas. Está em marcha um contingente de “vândalos” morais, cujo objetivo é combater qualquer sinal que indique o caminho da vida. Por meio de Cristo compreendemos que uma vida sem interditos conduz ao caos, à morte. Sendo assim, o evangelho nos orienta em cada trecho da estrada, nos sinaliza a parar, a olhar, a seguir. O evangelho nos ensina que Deus ao estabelecer um interdito, ao dizer NÃO, o faz porque assim o amor o exige. “Meu filho, não despreze a disciplina do Senhor nem se magoe com a sua repreensão, pois o Senhor disciplina a quem ama, assim como o pai faz ao filho de quem deseja o bem” (Pv 3.11,12).

Soli Deo Gloria!




segunda-feira, 4 de junho de 2018

PENSE NISSO - BAXTER



"Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas" - 2Co 4.16,17.


segunda-feira, 28 de maio de 2018

O EFEITO DA GRAÇA


A graça  irresistível nos mostra o quanto a lei é necessária. "De maneira que a Lei é santa, e o mandamento, santo, justo e bom" (Rm 7.12).

sábado, 26 de maio de 2018

NÃO CUSTA LEMBRAR



"De fato, não  dois (evangelhos):  apenas pessoas que semeiam a confusão entre vós e querem perturbar o Evangelho de Cristo" (Gl 1.7).

sexta-feira, 25 de maio de 2018

DE SONHOS E PROMESSAS



por Delmo Fonseca 

Há um verso da poeta chilena Gabriela Mistral, que resume o mote do nosso texto: “todos nós temos duas vidas: a com a qual sonhamos e a que somos obrigados a viver ...” Em outras palavras, nos situamos numa zona fronteiriça onde realidade e fantasia se tangenciam. Por que o simples ato de andar com os “pés no chão” é, para muitos, menos atraente do que andar com a “cabeça nas nuvens”? Ou melhor: por que muitos preferem a fantasia à realidade. A resposta é simples: a realidade nos mantêm despertos, enquanto a fantasia nos lança num estado sonambúlico.

A realidade, sob vários aspectos, ora se apresenta árdua e hostil, ora amena e tranquila. Por ser árida na maioria das vezes, provoca em muitos o desejo de fuga. Daí o fato de que fugir da realidade é quase sempre a alternativa mais viável para quem prefere a leveza da fantasia. Até mesmo o salmista, diante de uma série de infortúnios, se viu tentado a escapar da realidade: “O meu coração está acelerado; os pavores da morte me assaltam. Temor e tremor me dominam; o medo tomou conta de mim. Então eu disse: ‘Quem dera eu tivesse asas como a pomba; voaria até encontrar repouso! Sim, eu fugiria para bem longe, e no deserto eu teria o meu abrigo. Eu me apressaria em achar refúgio longe do vendaval e da tempestade’" (Sl 55.4-8).

Quem nunca, ao menos uma vez na vida, acalentou o desejo do salmista? Fugir para um lugar distante, abrigar-se das vicissitudes, proteger-se das intempéries, enfim, viver à margem das tribulações. Talvez esse desejo revele nossa predileção por andar com a “cabeça nas nuvens” em vez de fincar os “pés no chão”. A Palavra de Deus é pródiga em nos mostrar que a realidade nem sempre se ajusta ao que sonhamos. Abraão, por exemplo, vislumbrou uma terra que manava leite e mel, porém se deparou com uma Canaã muito diferente de seus sonhos: “Havia fome naquela terra; desceu, pois, Abrão ao Egito, para aí ficar, porquanto era grande a fome na terra” (Gn 12.10). Até mesmo Elias, após a peleja contra os profetas de Baal, considerou a possibilidade de uma vida mais amena. No entanto, se deparou com outra realidade ante a ameaça de Jezabel, o que o levou a uma grande frustração: “Ele, porém, foi ao deserto, caminho de um dia, e foi sentar-se debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte, e disse: Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais” (1Rs 19.4).

Diante da constatação de que a realidade nem sempre se ajusta aos nossos sonhos, o que sugere uma conclusão pessimista, será que há espaço para a esperança de que ainda experimentaremos dias melhores? Aos que creem, a resposta é um altissonante “sim”. Disse Jesus: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33). As Escrituras confirmam que Abraão e Elias experimentaram o consolo de Deus ao final de suas vidas. Por razões semelhantes, cremos que as provações e toda sorte de tribulações, por mais sofrimentos que possam infligir, não ultrapassarão a nossa capacidade em Cristo de suportá-las.  Ele venceu o mundo.

Sendo assim, cabe a pergunta: estamos impedidos de sonhar? De maneira alguma. O que não podemos é buscar refúgio na fantasia, seja esta de que matiz for, ainda que a vida com a “cabeça nas nuvens” pareça mais tentadora do que a ser vivida com os “pés no chão”. Para tanto, precisamos crer na misericórdia de Deus, esperar nele, pois suas promessas são melhores do que os nossos sonhos: “os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão” (Is 40.31).

CONSELHO - C.S LEWIS


O evangelho conforta os aflitos e, concomitantemente, confronta os acomodados.