quarta-feira, 18 de abril de 2018

PENSANDO POLITICAMENTE



 por Delmo Fonseca |

Em outros textos tenho destacado que a ideologia é uma espécie de “religião política”. E o que caracteriza uma religião? Basicamente seus ritos e mitos. Com o advento da modernidade, especificamente a partir das ideias do filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), o discurso salvacionista se deslocou do âmbito da religião para a política. Embora não seja meu objetivo discutir nestas poucas linhas o cerne do pensamento  rousseauniano, quero apenas registrar que seus desdobramentos contribuíram para o estabelecimento do totalitarismo no mundo. Num Estado totalitário, em que o individual se dilui no coletivo, ou seja, a vontade individual se submete à geral - sendo o Estado a expressão dessa coletividade -, a liberdade é erradicada.

E como age um Estado totalitário? Ele se imiscui, se envolve em cada aspecto da vida de seus cidadãos. Um Estado totalitário vigia todos os passos do indivíduo. Quer saber o que ele come, veste, lê, vê, pensa etc. Quanto maior for a participação do Estado na vida das pessoas, menos liberdade elas terão. Quanto maior for a ingerência do Estado na vida das pessoas, menos responsabilidades individuais elas terão. Por quê? Elas se acostumarão a pensar que seus problemas, todos eles, têm de ser resolvidos pelo Estado. Nesse caso, o Estado se torna o Grande Provedor, o “pai” de todos. Mas há um detalhe: o Estado totalitário é sempre representado por uma figura emblemática, mitológica, com ares de salvador. A história confirma isso com o fato de terem existido – todos “farinha do mesmo saco” -, os lenins, stalins, mussolinis, mao tse tungs, salazares, idi amin dadas, francos, getúlios, castros, chaves, maduros, pinochets, khomeinis, hitlers e tantos outros arremedos de ditadores travestidos de democratas e republicanos, inclusive no nosso país. Como estes homens conseguem cativar tantas pessoas ao ponto de serem idolatrados, mesmo depois terem roubado, matado e destruído? Por que ainda há quem os defenda, briguem por eles, morram por eles?

O perigo de um Estado totalitário consiste no fato de que este se torna um devorador insaciável, capaz de reprimir qualquer iniciativa individual, além confiscar todas as propriedades privadas, suprimir o livre-arbítrio, a liberdade de expressão, a liberdade religiosa e até mesmo a liberdade de pensamento dos cidadãos. Um Estado totalitário não desenvolve a força do argumento, mas o argumento da força. As leis não alcançam a todos, apenas os mais fracos.

Observa-se também que os partidários do totalitarismo estatal abraçam uma ideologia cega, dizem ter um pensamento crítico, mas não toleram ser confrontados; defendem a humanidade, mas não se importam com quem está ao lado. Ao menor sinal de contrariedade partem para o ataque com impropérios, palavras ofensivas e agressões físicas. Como costumam monopolizar a condição de vítima, o intolerante e fascista será sempre o outro.  Winston Churchill já havia preconizado: “Os fascistas do futuro chamarão a si mesmos de antifascistas”.

Diante de tudo isso estaria eu defendendo o aniquilamento do Estado? De forma alguma. Apenas faço uso da minha liberdade de expressão e pensamento - o que seria impossível num regime totalitário -, para defender o Estado Democrático de Direito, que se caracteriza pela garantia dos direitos individuais e coletivos, dos direitos sociais e dos direitos políticos. Enquanto num Estado totalitário o que impera é o pensamento único, o partido único, a vontade única do grande “líder”; num Estado Democrático de Direito, as autoridades são as primeiras a se submeterem ao imperativo da lei. Será que no Brasil já chegamos a este estágio, embora nossa Constituição Federal assim determine? Lamentavelmente estamos à espera do dia em que as leis efetivamente se aplicarão a todos.

Há, no entanto, um lampejo de esperança de que algo já começa a mudar, pois o Estado brasileiro ensaia um repúdio à sua vocação totalitária. Mas falta muito. É necessário que a máquina pública reduza de tamanho, que as leis sejam aplicadas e que cada cidadão cumpra com seus deveres em vez de buscar somente direitos. Portanto, desconfie de políticos que prometem usar o Estado para beneficiar gratuitamente a todos, pois o Estado nada produz, apenas suga os recursos dos que mais trabalham. Lembre-se: quanto maior for o Estado mais maligno também o será. Ainda tem dúvida?  Experimente viver na Venezuela, Cuba ou Coreia do Norte.


GRAÇA SOBRE GRAÇA


quinta-feira, 12 de abril de 2018

O PROPÓSITO DA LEI


A IGREJA É BÍBLICA



por Delmo Fonseca |

Desde o princípio o homem busca o protagonismo, a centralidade da história, tal qual uma mariposa, que ao voar em torno de uma lâmpada, supõe que a luz resplandece para ela, existe em função dela. No Catecismo Maior de Westminster aprendemos que “o fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”.  Algumas referências bíblicas corroboram esta verdade: Ap 4.11; Rm 11.36; 1Co 10.31; Sl 73.24-28 e Jo 17.21-24.

A insistência do homem em glorificar a si mesmo, ser o fim último de suas próprias ações, apenas atesta que o antropocentrismo se configura como uma teimosia, uma rebeldia contra o Criador. E o homem, que se submete apenas aos ditames de sua natureza, busca se “endeusar” a cada dia. Até nos espaços onde esse fenômeno deveria ser menos provável, a igreja, sua ambição se faz mais acentuada.

Uma igreja antropocêntrica em hipótese alguma conseguirá ser uma igreja bíblica. Temos nesse caso uma dicotomia.  Uma igreja antropocêntrica visa ao espetáculo, possui um palco e não um púlpito; impõe aos membros a obrigatoriedade de serem dizimistas e ofertantes; ensina técnicas de autoajuda e palavras motivacionais e seus líderes são coachings espirituais. Como qualquer negócio, a meta é atender a demanda do cliente. Há as que são mais refinadas e as que são mais populares, mas no fim o que impera é o antropocentrismo, a centralidade do homem.  Igrejas antropocêntricas são tão competitivas, que prometem estacionamento, manobrista, ambiente refrigerado e cafezinho, além da resolução imediata de todos os problemas.  A felicidade aqui e agora é o bem maior.

Uma igreja bíblica segue na contramão do antropocentrismo. Isso não quer dizer que seus membros dispensem o conforto mínimo, mas o foco não é esse. Uma igreja bíblica expõe a Palavra, prega sobre a salvação. A pregação expositiva coloca o pastor no seu devido lugar, qual seja, submetido às Escrituras, sem a mínima condição de subtrair ou acrescentar uma letra ao que já foi revelado. Uma igreja bíblica é essencialmente cristocêntrica, “porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas” (Rm 11.36).

Os irmãos que rejeitam uma igreja que expõe a Palavra, pois jugam ser uma igreja “com doutrina”, talvez não saibam que uma igreja bíblica é justamente aquela que ensina a sã doutrina. Uma igreja bíblica se consagra à oração e ao ministério da palavra (At 6.4). O que o apóstolo Paulo ensinou a Timóteo? “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.  Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (2Tm 4.2-4).

As igrejas antropocêntricas sentem coceiras nos ouvidos, urticária por todo corpo quando se deparam com a verdade de que a Bíblia é a única fonte de fé e prática. Daí ser mais palatável o entretenimento, seja campanha ou show gospel, óleo ungido ou água benta. Uma igreja bíblica, por outro lado, se ocupa do ensino e da aplicação da Palavra.  Como bem disse Lutero: “Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias”. Uma igreja bíblica não promete milagres, é o milagre. Por isso congregue numa igreja bíblica e não saia dela.



quarta-feira, 11 de abril de 2018

SI HAY IDEOLOGIA, SOY CONTRA



por Delmo Fonseca |

Com alguma frequência tenho escrito sobre o quanto a ideologia é danosa, seja de esquerda ou direita, vermelha ou amarela, religiosa ou agnóstica. “Si hay ideologia, soy contra”. A ideologia causa torpor, histeria, fanatismo, idolatria e indolência.  O país atravessa um momento histórico em que vemos diversas ideologias sendo expostas. Ideologias políticas, por exemplo, estão a mostrar suas vísceras, de modo que amizades são desfeitas, agressões são cometidas e justificadas de parte a parte em defesas de seus ídolos.

Nesse caso, a ideologia se configura efetivamente como “religião política”, como assinalou com muita propriedade o filósofo Eric Voegelin: “E por isso mesmo é que as ideologias podem dizer-se ‘religiões políticas’, ou seja, porque pretendem substituir aquilo que, de uma maneira ou de outra, verazmente ou falsamente, sempre regeu as cidades ou sociedades: a religião”.

Seguidores de ideologias, ainda que confessem alguma simpatia pelo evangelho, quando chamados a defenderem a cosmovisão cristã o fazem com reservas. Tal fato se dá por acreditarem na possibilidade de conciliação entre o reino de Deus e o reino dos homens. Não há conciliação, por exemplo, entre o  Cristianismo e o Marxismo, uma ideologia que apregoa que a matéria é eterna, incriada, indestrutível, sempre em movimento; que  tudo pode ser explicado pela dialética material e que o espiritual não passa de uma ficção.  Já o Cristianismo professa que o mundo material foi criado por Deus. “Teus são os céus, tua, a terra; o mundo e a sua plenitude, tu os fundaste” (Sl 89.11).

Se o próprio Marx rejeitava a religião, considerando-a “ópio do povo”, o que posteriormente seria um absurdo a ideia de “marxistas cristãos”, como pode ser concebido a figura do “cristão marxista”? A ideia é surreal, mas o fato é que nossas “igrejas” estão repletas de pastores e padres marxistas. O ateísmo é um pressuposto marxista, mas há quem veja nisso um mero detalhe. O que é dado como irrelevante, passa a ser a porta de entrada para tantas outras ideologias, como a aplicação do “politicamente correto” na liturgia, por exemplo. Há meio termo? De forma alguma.  “Que harmonia há entre Cristo e Belial?” (2Co 6.15). 

Não bastasse a evidente incompatibilidade entre a cosmovisão cristã e o materialismo histórico, há quem desconheça as duas coisas e acabe por embarcar na “nau da estupidez”, isto é, defende o socialismo mas não abre mão das benesses do capital, o que comumente atende pelo nome de “esquerda caviar”. Outra coisa: quem não é de esquerda é necessariamente de direita? Se o fato de ver o mundo pela ótica do evangelho for configurado como um olhar conservador, que assim seja. Ao menos há a garantia de que o evangelho não é uma ideologia, pois “si hay ideologia, soy contra”.


segunda-feira, 9 de abril de 2018

A FUNÇÃO DO EVANGELHO


DESCOBRINDO O PODE DA GRAÇA


Para muitos a graça consiste em bênçãos somente. Grande equívoco. Embora seja uma grande bênção, a graça repousa sobre o coração quebrantado e arrependido, a fim de que o poder de Deus se aperfeiçoe. 

[delmo fonseca]

quarta-feira, 4 de abril de 2018

OS CINCO SOLAS


SOLA SCRIPTURA:   A Bíblia é suficiente em tudo que precisamos saber para viver para a glória de Deus e ter vida eterna. A Bíblia será os óculos que nos ajudarão a interpretar os outros saberes. 



SOLUS CHRISTUS: Jesus Cristo é o fundamento, o dono, o edificador e o protetor da Igreja (Mt 16.18). Ele é o único Salvador e o único Mediador entre Deus e os homens. Não há salvação fora dele e ninguém pode chegar ao Pai senão por meio dele.



SOLA GRATIA: O homem, morto em seus delitos e pecados não pode jamais escolher a Deus por si mesmo.
A escolha da graça é soberana e não depende de méritos humanos.
A graça de Deus é suficiente para a nossa salvação.



SOLA FIDE: A fé em Jesus Cristo é uma graça salvadora pela qual o recebemos e confiamos somente nele para a salvação, como ele nos é oferecido no Evangelho.



SOLI DEO GLORIA:   Qual é o fim principal do homem? Ou seja: por que e para que existe o homem?  Glorificar a Deus e gozá-Lo para sempre. 




“Ecclesia Reformata et Semper Reformanda est”. 

“Igreja Reformada está Sempre se Reformando”.





AI DE VÓS, FARISEUS!

Importantíssima reflexão do Pr. Paul Washer.